Maria da Penha - A farmacêutica e a lei

Maria da Penha formou-se em Farmácia e Bioquímica em 1966, na primeira turma da Universidade Federal do Ceará. Na época em que cursava pós-graduação na Universidade de São Paulo (USP) conheceu o homem que, tempos depois, se tornaria seu marido (professor universitário Marco Antonio Herredia Viveros) e pai de suas três filhas. Ao conhecê-lo, Maria da Penha nunca poderia imaginar no que ele se transformaria.

A Lei 11.340 de 07 de Agosto de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, ganhou este nome em homenagem à Maria da Penha Maia Fernandes, que por vinte anos lutou para ver seu agressor preso. 

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Uma mulher quando escolhe um homem, ela quer que seja para sempre”, declarou em um dos seus vários depoimentos. Simpático e solícito no início do casamento, Marco Viveros começou a mudar depois do nascimento da segunda filha que, segundo relatos de Maria da Penha, coincidiu com o término do processo de naturalização (Viveros era colombiano) e o seu êxito profissional. No segundo ano de matrimônio, ao conseguir a naturalização, o colombiano mostrou sua verdadeira face: um homem agressivo e violento. 

Como era uma profissional capacitada, com mestrado em ciências farmacêutica e independência financeira, Maria da Penha pediu separação. Ele, claro, não quis. Na verdade, planejava um outro fim para a relação. Foi a partir daí que as agressões se iniciaram e culminaram com um tiro em uma noite de maio de 1983. A versão dada pelo então marido é que assaltantes teriam sido os autores do disparo. Depois de quatro meses passados em hospitais e diversas cirurgias, Maria da Penha voltou para casa e sofreu mais uma tentativa de homicídio: o marido tentou eletrocutá-la durante o banho. Neste período, as investigações apontaram que Marco Viveros foi de fato autor do tiro que a deixou em uma cadeira de rodas.

Sob a proteção de uma ordem judicial, Maria da Penha conseguiu sair de casa, sem que isso significasse abandono do lar ou perda da guarda de suas filhas. E, apesar das limitações físicas, iniciou a sua batalha pela condenação do agressor.
Apesar da investigação ter começado em junho do mesmo ano, a denúncia só foi apresentada ao Ministério Público Estadual em setembro do ano seguinte e o primeiro julgamento só aconteceu 8 anos após os crimes. Em 1991, os advogados de Viveros conseguiram anular o julgamento. Já em 1996, Viveros foi julgado culpado e condenado há dez anos de reclusão mas conseguiu recorrer. 

Mesmo após 15 anos de luta e pressões internacionais, a justiça brasileira ainda não havia dado decisão ao caso, nem justificativa para a demora. Com a ajuda de ONGs, Maria da Penha conseguiu enviar o caso para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA), que, pela primeira vez, acatou uma denúncia de violência doméstica. Viveiro só foi preso em 2002, para cumprir apenas dois anos de prisão. 

O processo da OEA também condenou o Brasil por negligência e omissão em relação à violência doméstica. Uma das punições foi a recomendações para que fosse criada uma legislação adequada a esse tipo de violência. E esta foi a sementinha para a criação da lei. Um conjunto de entidades então reuniu-se para definir um anti-projeto de lei definindo formas de violência doméstica e familiar contra as mulheres e estabelecendo mecanismos para prevenir e reduzir este tipo de violência, como também prestar assistência às vítimas. 

Em setembro de 2006 a lei 11.340/06 finalmente entra em vigor, fazendo com que a violência contra a mulher deixe de ser tratada com um crime de menos potencial ofensivo. A lei também acaba com as penas pagas em cestas básicas ou multas, além de englobar, além da violência física e sexual, também a violência psicológica, a violência patrimonial e o assédio moral.

“A principal finalidade da lei não é punir os homens. É prevenir e proteger as mulheres da violência doméstica e fazer com que esta mulher tenha uma vida livre de violência”.
O caso de Maria da Penha foi incluído pela ONU Mulheres entre os dez que foram capazes de mudar a vida das mulheres no mundo.
O grande problema é que muitos dos casos nem chegam à virar denúncia. A vítima não formaliza a queixa ou desiste do processo no meio do caminho. Outras, simplesmente se calam. E, como dizia o líder negro norte-americano Martin Luther King – frase que, aliás, Maria da Penha, gosta de usa para sintetizar sua luta: “O que me preocupa não é o grito dos violentos, mas o silêncio dos bons”.


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FONTE:
  • http://www.observe.ufba.br/lei_mariadapenha
  • http://consultorelder.jusbrasil.com.br/artigos/233157251/quem-e-maria-da-penha-maia-fernandes
  • http://v1.sigajandira.com.br/2010/07/23/a-historia-da-farmaceutica-cearense-maria-da-penha-simbolo-da-luta-contra-a-violencia/

Extração de alcalóides

A biossíntese dos alcaloides inclui, pelo menos, um aminoácido. São também incorporadas outras unidades provenientes de piruvato, malonato ou mevalonato como taninos, terpenos e outros. Por isso é considerada uma Via do tipo alternada e não se classifica. Com precursores de origem Biosintética (ácidos aminados = aminoácidos) tão distinta é fácil entender a complexidade e diversidade estrutural que se encontra nestes metabolitos, sendo hoje conhecidos mais de 5000 alcaloides.
Os alcaloides constituem um grupo heterogêneo de substâncias nitrogenadas, geralmente de origem vegetal, de caráter básico e que apresentam acentuada ação farmacológica em animais.


Aula prática da disciplina Farmacognosia

Droga analisada: Boldo

SC: Peumus boldus molina
SV: boldo do chile, boldo verdadeiro
PU: folhas
PA: alcaloides isoquinoléico
Ação/Uso: perturbações digestivas, disfunções hepatobiliar



Boldina



A droga apresenta odor aromático característico, canforáceo e levemente acre, que se acentua com o esmagamento. Sabor amargo e um tanto acre. As folhas de boldo são uma droga com larga aplicação em problemas relacionados com estômago e fígado. Suas folhas contêm vários princípios ativos:

  • Óleo volátil, cujos principais constituintes são o cineol e o ascaridol.
  • Taninos.
  • Flavonóis.
  • Alcaloides, o principal sendo a boldina.

A parte da planta a ser analisada é preferencialmente seca e pulverizada. É feita uma extração, que pode ser com água em presença de ácido, ou com álcool em presença de hidróxido de amônio. O extrato é purificado e os alcaloides são finalmente solubilizados em éter ou clorofórmio. O solvente é evaporado e gotas de ácido clorídrico 1% são usadas para solubilizar os alcaloides.

MATERIAIS
  • Almofariz
  • Boldo
  • Solventes: HCl 10%, NH3 10% e CHCl3
  • Bécher
  • Banho-maria
  • Funil de separação
  • Funil
  • Tubo de ensaio
  • Fita reativa
  • Algodão
  • Papel
  • Água destilada

 Método extrativo: Ácido/Base
FASE
SOLVENTES
Estacionária - aquosa
Solução de HCl 10%
Solução de NH3 10%
Móvel - orgânica
Clorofórmio - CHCl3

ETAPAS
  1. Fazer a sondagem das folhas de boldo
  2. Triturar as bolhas de boldo no almofariz
  3. Acrescentar água destilada até cobrir e homogeneizar
  4. Filtrar essa solução diretamente no tubo de ensaio
  5. Acrescentar a solução de HCl 10% no tubo com a solução filtrada
  6. Aquecer o tubo em banho-maria por 10min 
  7. Descartar o sobrenadante
  8. Acrescentar, no precipitado, a solução de amônia 10% até pH de, no mínimo, 8,0 (verificar com a fita reativa)
  9. Colocar no funil de separação
  10. Acrescentar o clorofórmio em partes iguais
  11. Agitar lentamente e observar as fases:
  • Orgânica: fase mais densa ficará embaixo
  • Aquosa: fase menos densa e ficará em cima
  • A boldina ficará na fase orgânica, onde tem mais afinidade
6 - Banho-maria
8 - Colocando a Amônia 
9 - Colocando no funil de separação

 

8 - Verificando o pH com a fita reativa



    10 - Colocando o clorofórmio


    Beladona e o voo das bruxas

    A Atropa belladonna (beladona) é a principal fonte de extração de atropina (hiosciamina) e escopolamina (hioscina). São utilizadas as folhas e as flores para obtenção dos alcalóides tropânicos, que são derivados da ornitina e contém em suas moléculas o anel tropânico formado a partir do anel pirrolidínico com acetoacetato. São encontrados principalmente nas plantas das famílias Solanaceae e Erythroxylaceae.
    Os alcalóides extraídos da belladona possuem atividade anticolinérgica, ou seja, são antagonistas dos receptores da acetilcolina.

    A Atropina foi isolada pela primeira vez em 1831 da espécie Atropa belladona pelo químico alemão Mein, entretanto a espécie já era conhecida por suas propriedades terapêuticas entre os romanos, egípcios e gregos.

    O nome dado ao gênero Atropa vem de Atropos, uma das três parcas da mitologia grega, a inflexível, aquela a quem cabia cortar a corda ou o fio da vida. As outras duas eram Cloto, a tecelã, que tecia o fio da vida de todos os homens, do nascimento à morte e Laquesis, a partilhadora, que determinava o tamanho do fio, estabelecendo a qualidade de vida que cabia a cada um, inclusive a de seu pai Zeus. Estas três divindades eram responsáveis pelo destino das pessoas. O nome Atropa faz jus aos efeitos letais da ingestão de quantidades moderadas desta planta.

    A denominação belladona (belas mulheres) origina-se da prática comum entre as mulheres italianas da Idade Média que pingavam nos olhos o sumo espremido das bagas pretas da planta para provocar a dilatação das pupilas. Ter pupilas dilatadas e brilhosas era sinônimo de beleza, daí o nome. Na mitologia grega, as mênades "com seus olhos de fogo" se entregavam aos adoradores do deus Dionísio (Baco na mitologia Romana), nas orgias, para depois despedaçá-los e comê-los. É provável que ao vinho dos bacanais fosse adicionado sumo de beladona.

    O VOO DAS BRUXAS

    As bruxas e os charlatões na Europa, usavam a belladona, e outros alcalóides tropânicos como a escopolamina e a hiosciamina, para profecias, adivinhações e envenenamentos. Preparavam um unguento que, supostamente, as faziam voar. Este unguento, conhecido como "fórmula de voo", era passado em certas partes do corpo, principalmente nas mais peludas, e esfregado sobre o cabo de uma vassoura, que era colocada entre as pernas pelas "bruxas" como se fosse um instrumento de voo. Em contato com a mucosa vaginal e anal o unguento era absorvido mais rapidamente pelo organismo. 



    INTOXICAÇÃO POR ATROPINA

    A atropina é extremamente tóxicas e o seu consumo pode causar:
    • Inibição das secreções salivares, lacrimais, bronquiais e das glândulas sudoríparas. 
    • Garganta extremamente seca e, mesmo em doses reduzidas, causa secura da boca e da pele.
    • Dilatação da pupila
    • Paralisação do olho durante o relaxamento do músculo ciliar .
    • Relaxamento do músculo liso dos brônquios (broncodilatação), vesícula biliar e bexiga.
    • Obstipação e retenção urinária.
    • Afeta o SNC, causando irritação moderada, em doses baixas. 
    • Em doses elevadas, causa agitação, alucinações (efeitos psicoativos), taquicardia, visão turva e desorientação.
    • Perda de equilíbrio
    • Delírios e Sensação de voar
    • Sensação de sufocar
    • Rubor facial
    • Voz arrastada
    • Amnésia durante a intoxicação
    • Profundo sono
    Seu uso é contra-indicado em:
    • Taquicardia
    • Fibrilação atrial
    • Glaucoma
    • Constipação
    • Hiperplasia prostática
    Em caso de Superdosagem:
    • Lavagem gástrica
    • Administração de suspensão de carvão ativo
    • Para reverter os sintomas antimuscarínicos severos administrar fisiostigmina (anticolinesterásicos) lentamente por via intravenosa não ultrapassando 1 mg por minuto. 
    • Respiração artificial com oxigênio, se for necessária para a depressão respiratória
    • Hidratação adequada
    • Tratamento sintomático

    Referências

    • http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-40422009000900047&script=sci_arttext 
    • http://38.media.tumblr.com/tumblr_mbp3ozEpXY1qbb4hwo1_500.gif 
    • http://guiadoestudante.abril.com.br/imagem/quimica_funcoesorganicas_questao5_atropina_simulado9.gif
    • http://resumosonline.com/2015/02/alcaloides-tropanicos/
    • http://pt.wikipedia.org/wiki/Atropina
    • http://www.shoppingdocampo.com.br/sulfato-de-atropina-a-1-ucb-10ml-p539

    Extração e Caracterização de Taninos

    Aula Prática de Farmacognosia
    TANINOS
    Taninos são substâncias complexas presentes em inúmeros vegetais, os quais têm a propriedade de se combinar e precipitar proteínas de pele de animal, evitando sua putrefação e, consequentemente, transformando-a em couro. São substâncias detectadas qualitativamente por testes químicos ou quantitativamente pela sua capacidade de se ligarem ao pó de pele. A ligação entre taninos e proteínas ocorre, provavelmente, através de pontes de hidrogênio entre os grupos fenólicos dos taninos e determinados sítios das proteínas, emprestando uma duradoura estabilidade a estas substâncias. Essa definição exclui substâncias fenólicas simples, de baixo peso molecular (compreendido entre 500 e 3000 Dalton), frequentemente presentes com os taninos, como os ácidos clorogênico, gálico e outros que, por também precipitarem gelatina, são conhecidos como pseudotaninos. 
    Precursor dos taninos hidrolisáveis
    Classicamente, segundo a estrutura química, os taninos são classificados em dois grupos:
    • Hidrolisáveis: Os taninos hidrolisáveis consistem de esteres de ácidos gálicos e ácidos elágicos glicosilados, formados a partir do chiquimato, onde os grupos hidroxila do açúcar são esterificados com os ácidos fenólicos. São chamados de hidrolisáveis, uma vez que suas ligações esteres são passíveis de sofrerem hidrólise por ácidos ou enzimas. Em solução desenvolvem coloração azul com cloreto férrico, assim como o ácido gálico. 
    • Condensados: Os taninos condensados incluem todos os outros taninos verdadeiros. Suas moléculas são mais resistentes à fragmentação e estão relacionadas com os pigmentos flavonoides. Sob tratamento com ácidos ou enzimas esses compostos tendem a se polimerizar em substâncias vermelhas insolúveis, chamadas de flobafenos. Essas substâncias são responsáveis pela coloração vermelha de diversas cascas de plantas. Em solução, desenvolvem coloração verde com cloreto férrico, assim como o catecol.
     
    Os taninos são adstringentes e hemostáticos e, portanto, suas aplicações terapêuticas estão relacionadas com essas propriedades. São empregados principalmente na indústria de curtume e têm também aplicação na indústria de tintas. São usados em laboratórios para detecção de proteínas e alcaloides e empregados como antídotos em casos de envenenamento por plantas alcaloídicas.
    Os taninos têm sido alvo de diversos estudos, sendo que a maioria vem abordando interações ecológicas entre vegetais e herbívoros, visto que se têm sugerido que os teores de taninos podem diminuir a taxa de predação por se tornarem impalatáveis, afastando seus predadores naturais. 

    Pesquisas sobre atividade biológica dos taninos evidenciaram importante ação contra determinados microrganismos, como agentes carcinogênicos e causadores de toxicidade hepática. Estes últimos efeitos, sem dúvida, dependem da dose e do tipo de tanino ingerido. Um exemplo é a ingestão de chá verde e de dietas ricas em frutas que contêm taninos, onde tem sido associada com atividade anticarcinogênica. Além disso, podem agir como anti-inflamatórios e cicatrizantes, e até como inibidores da transcriptase reversa em HIV.

    ANÁLISE QUALITATIVA DE TANINOS

    Goiabeira: folhas de Psidium guajava L., Myrtaceae




    Materiais

    • Folhas de goiabeira (Colhida do pé de goiabeira da Faculdade em um dia chuvoso)
    • Cloreto férrico
    • Água
    • MeOH
    • Balança
    • Almofariz (gral e pistilo)
    • Funil
    • Algodão
    • Bequer
    • Provetas
    • Tubo de ensaio
    • Suporte universal

    Procedimento

    • Preparar uma solução de MeOH 10% 20 ml: 18 ml de água + 2 ml de MeOH 10%: 
    • Fazer a mondagem das folhas de goiaba
    • Pesar 3g de folhas na balança
    • Triturar as folhas no gral com o auxílio do pistilo
    • Acrescentar, no gral, a solução feita e misturar
    • Filtrar 
    • Colocar 5 ml da solução filtrada em 2 tubos
    • Acrescentar 5 gotas do reagente cloreto férrico em cada tubo
    • Observar o resultado
      

    Resultados


    • Coloração azul com precipitado: reação positiva para taninos hidrolisados
    • Coloração azul sem precipitado: reação negativa para taninos hidrolizados
    • Coloração verde sem precipitado: reação positiva para taninos condensados
    • Coloração verde com precipitado: reação negativa para taninos condensados

    O resultado da análise foi: Coloração verde com precipitado e azul com precipitado.
    Obs.: A aleloquímica e a alelopatia interfere no resultado final.


    FONTE:

    • http://www.sbfgnosia.org.br/Ensino/taninos.html
    • http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-40422005000500029&script=sci_arttext

    Dedaleira: um glicosídeo cardíaco


    A dedaleira pode ser cultivada como medicinal, por conter digitalina, e também como ornamental. O problema de utilizar a dedaleira em ornamentação é que ela é extremamente cardiotóxica, podendo causar paralisia e até morte súbita.
    A digitoxina tem 90 a 100% de absorção gastrointestinal e forma complexos com as proteínas plasmáticas.

    DROGAS RICAS EM CARDIOTÔNICOS

    Sinonímia Científica: Digitalis purpurea L.
    Sinonímia vulgar: Dedaleira, Abeloura, Digital, Digitalina, Erva-albiloura, Erva-dedal
    Propriedades: cardiotônica (inotrópico +)
    Partes Utilizadas: folhas, flores
    Princípio ativo: digitalina, digitoxina e digitonina.
    Indicações/Uso: Ornamentação, insuficiência cardíaca, arritmia






    Sinonímia Científica: Digitalis lanata
    Sinonímia vulgar: Dedaleira, digital lanosa
    Propriedades: cardiotônica (inotrópico +)
    Partes Utilizadas: folhas, flores
    Princípio ativo: digitalina, digitoxina e digitonina.
    Indicações/Uso: Ornamentação, insuficiência cardíaca, arritmia

    Estrutura química de Digoxina
    Digoxina






    A digitoxina (lanata e purpúrea) é indicada para diversos eventos cardíacos, tais como:
    • Insuficiência cardíaca congestiva (ICC) sintomática, associada a disfunção sistólica ventricular esquerda;
    • Controlo da frequência ventricular em pacientes com fibrilação ou flutter auricular. Atualmente, é o fármaco menos potente e com início de ação mais lento no tratamento desta patologia;
    • Diminuição do ritmo cardíaco quando a taquicardia é causada por ICC;
    • Prevenção e tratamento de taquicardias supraventriculares paroxísticas – taquicardia auricular paroxística, fibrilação/flutter auricular paroxística.

    MECANISMO DE AÇÃO:
    Os glicosídeos cardíacos, grupo onde se insere a digitoxina, têm como mecanismo de ação a inibição da bomba Na+/K+ ATPase, o que provoca o aumento de Na+ intracelular, a ativação do trocador Na+/Ca2+ e consequentemente uma elevação do Ca2+ intracelular (e, consequentemente, a ativação do complexo actina/miosina que leva a contração), por troca com o Na+. São glicosídeos que exercem um grande efeito sobre o músculo cardíaco. Tem efeito específico sobre a contração miocárdica e na condução atrioventricular.
    Figura 1. Mecanismo de ação da digitoxina.
    A sobrecarga de cálcio pode provocar cardiotoxicidade, como a diminuição do potencial de membrana e contrações ventriculares prematuras, entre outros efeitos.
    Uma vez que aumenta o Ca2+ celular, a digitoxina tem efeito inotrópico positivo mas ao retardar a condução AV apresenta um efeito cronotrópico negativo. A digoxina é perigosa por ter baixo índice terapêutico.

    As partes açúcar e aglicona são fundamentais para a atividade biológica. É possível que a parte açúcar seja responsável pela ligação do glicosídeo ao músculo cardíaco e a porção aglicona exerça o efeito sobre o músculo cardíaco após a ligação. O anel lactona é essencial para a ação farmacológica. 
    É empregado na ICC, tendo ação inotrópica + (força de contração). São caracterizados por serem compostos extremamente tóxicos, com índice terapêutico muito tóxico, cuja estrutura química básica foi identificada como sendo composta por açúcar (posição 3), esteroide e anel lactônico (posição 17).
    As agliconas dos glicosídeos cardíacos são esteroides cuja cadeia lateral contém um anel lactona insaturado, seja uma γ-lactona de 6 membros (cardenolídeo: α e β insaturado) ou uma δ-lactona de 6 membros (bufadienolídeo: α, β, γ e δ insaturados).

    Características fundamentais:
    ·         Anel lactônico C17B
    ·         Encadeamento  X=C-C=C
    ·         C/D cis (mesmo plano)

    Características que favorecem:
    ·         Junção do anel: A/B cis e B/C trans
    ·         Cadeia osídica C3B

    Características que desfavorecem:
    ·         Junção do anel: A/B trans
    ·         Esterificação da cadeia osídica


     
    INTOXICAÇÃO:
    Os principais sinais de intoxicação por Digitalis purpurea podem ser descritos como dor abdominal, tontura, dispnéia, alterações rítmicas cardíacas, náuseas, ataxia, convulsões, hipotensão, choque, colapso e morte.
    Como qualquer intoxicação, a intoxicação com digitálicos é uma situação perigosa, tanto mais perigosa quanto mais estiver comprometido o equilíbrio hidreletrolítico. Deve evitar-se o uso de aminas simpaticomiméticas e a administração de cálcio.
    O tratamento a ser realizado é o suporte, ou de sintomas.
    Primeiramente, deve-se recorrer a uma lavagem gástrica, hidratação com recurso a fluidos via IV, oxigenação e, entre outras coisas, na descontinuação do fármaco. 
    Pode-se recorrer a fenitoína, bloqueadores beta, lidocaína, atropina e um anticorpo específico antidigitoxina (Fab). Utiliza-se a fenitoína e os bloqueadores beta no tratamento de extrassístoles e taquicardias, a lidocaína pode ser usada em situações de taquicardia ventricular e a atropina em casos de bloqueios auriculoventriculares.

    Fonte:


    • https://sites.google.com/site/toxidigitoxina2012/home
    • http://www.jardineiro.net/plantas/dedaleira-digitalis-purpurea.html
    • http://www.plantamed.com.br/plantaservas/especies/Digitalis_purpurea.htm 

    Interações medicamentosas com a Toranja


    A toranja, ou grapefruit em inglês, é o resultado do cruzamento do pomelo com a laranja. A fruta é uma “laranja” gigante, de polpa vermelha e sabor amargo, costuma aparecer nos supermercados brasileiros entre os meses de janeiro e março, quando é o auge da sua safra na Argentina, que é o principal produtor e exportador na América Latina. É conhecida também como: jamboa, laranja-melancia, pamplemussa, laranja vermelha, laranja-romã. 
    Pomelo (Citrus maxima)

    Laranja (Citrus sinensis)
    Toranja (Citrus paradisi)
    É uma fruta medicinal utilizada em forma de suplemento em dietas com ingestão de baixas calorias, pois auxilia na queima de gorduras e emagrecimento. Aumenta a circulação, estimula o sistema linfático, possui um efeito de limpeza nos rins e pode ajudar a regular o peso corporal. 
    Os nutricionistas orientam que consumir um copo de suco de toranja ou de limão por dia ajudará a obter mais qualidade de vida. Vejamos alguns detalhes:
    • Fonte essencial de vitaminas B1, B2, B3, B5, B6 e E
    • Fortalece os vasos sanguíneos
    • Melhora as varizes
    • Rico em vitamina C, betacaroteno e bioflavonoides
    • Melhora os problemas circulatórios
    • Previne contra o risco de câncer
    • Reduz o colesterol
    • Elimina as toxinas, melhora a função digestiva e renal
    • É anti-hemorrágica
    • Melhora a inflamação de próstata
    • Ideal para fortalecer cabelo e unhas
    • Estimula a produção de glóbulos brancos
    • Elimina parasitas intestinais
    • Regula a tensão
    Somente pessoas saudáveis, que não fazem uso de determinados medicamentos, podem consumi-la sem riscos.

    Toranja x Medicamentos

    Apesar de rico em vitamina C e potássio, o consumo de toranja deve ser cauteloso, principalmente quando se está em uso de alguns medicamentos. Muitos alimentos podem modificar os efeitos dos fármacos, fundamentalmente por interferência no seu comportamento farmacocinético, designadamente nos processos de absorção, distribuição, metabolismo e excreção, ou no seu comportamento farmacodinâmico. No caso da Toranja, ela é capaz de aumentar ou diminuir a disponibilidade dos fármacos no sangue, o que pode ser muito perigoso. Fazer uso de medicamento com toranja em momentos diferentes pode diminuir a interação. As enzimas do CYP450, encontradas no intestino e no fígado, podem ficar bloqueadas depois de comer ou beber toranja, às vezes por mais de 24 horas.
    Várias furanocumarinas presentes na fruta foram identificadas como inibidoras das enzimas do citocromo P450 CYP3A. 

    Um simples copo de 200 ml do suco causa diminuição significativa no metabolismo dos substratos das enzimas CYP3A. Os medicamentos administrados por via oral que são substratos para CYP3A e têm baixa biodisponibilidade, devido ao extenso metabolismo entérico de primeira passagem, são susceptíveis a interação com suco de toranja. Pode causar efeitos colaterais graves, como hemorragia gastrointestinal, insuficiência renal, problemas respiratórios e até morte súbita. Mesmo que os medicamentos forem administrados apenas uma vez ao dia, não pode ser separado do efeito com a toranja. Porém, nem todas as drogas em uma determinada classe de medicamentos têm essas interações, de modo geral o seu médico pode selecionar um medicamento alternativo.
    Além da ação do suco de toranja nas enzimas CYP3A, há cada vez mais evidências de que ele também interfere na atividade de transportadores de efluxo e influxo no intestino.

    Mais de 85 medicamentos, muitos deles bastante prescritos para transtornos médicos comuns, interagem com essa fruta. Algumas das interações com Toranja mais comuns incluem medicamentos: 
    • Estatinas (para o controle do colesterol): atorvastatina, lovastatina, simvastatina
    • Antiarrítmicos: amiodarona, dronedarona
    • Bloqueadores dos canais de cálcio (regulam a pressão alta): nifedipina, verapamil, felodipina
    • Antialérgicos: fexofenadina
    • Beta bloqueadores: atenolol, celiprolol, talinolol
    • Antibióticos: ciprofloxacin, levofloxacin

    Fonte: http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/67/057a064_farmacoterapeutica.pdf 

    Pesquisas com a Toranja

    Apesar de existirem muitas interações medicamentosas com o uso concomitante com a toranja, pesquisadores da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, identificaram moléculas presente na Toranja, os flavonóides, que podem entrar na elaboração de um futuro tratamento contra doenças cardiovasculares.
    Os flavonóides são moléculas encontradas naturalmente em frutas cítricas e especialmente na toranja. Os cientistas da Universidade de Glasgow conseguiram demonstrar que elas eram eficazes na diminuição de uma inflamação responsável por doenças cardíacas fatais. Esta descoberta permitiria “desenvolver uma nova geração de medicamentos anti-inflamatórios mais baratos, mais fáceis de produzir e menos tóxicos que os dos tratamentos atuais.

    Produtos que contém toranja, no Brasil

    O farmacêutico deve orientar os pacientes que fazem uso de algum dos medicamentos acima a evitarem o consumo da toranja e de seus derivados. No Brasil, existem alguns produtos que contêm suco de toranja, como as bebidas Schweppes Citrus® e Fanta Citrus®. O paciente deve ser orientado a estar atento à composição dos produtos, principalmente os cítricos, que for consumir, buscando as expressões “suco de toranja”, “suco de grapefruit” ou “suco de pomelo”.

    BIBLIOGRAFIA

    • http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/67/057a064_farmacoterapeutica.pdf 
    • http://www.drugs.com/slideshow/grapefruit-drug-interactions-1028#slide-3 
    • http://www.ordemfarmaceuticos.pt/xFiles/scContentDeployer_pt/docs/doc2186.pdf 
    • http://www.plantasmedicinaisefitoterapia.com/toranja-citrus-paradisi.html 
    • http://www.cmaj.ca/content/suppl/2012/11/26/cmaj.120951.DC1/grape-bailey-1-at.pdf 
    • http://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/saude/novo-tratamento-para-doencas-cardiacas-usa-a-grapefruit/ 
    • http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/01/02/conhecida-como-grapefruit-toranja-pode-ser-fatal-para-quem-toma-certos-medicamentos.htm 
    • http://www.einstein.br/blog/paginas/post.aspx?post=1354
    • http://melhorcomsaude.com/emagreca-toranja-grapefruit/
    • http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=sucos-de-frutas-devem-ser-evitados-ao-se-tomar-medicamentos&id=3409

    Métodos extrativos para essências

    O  conhecimento  do  poder  de  plantas  aromáticas  é  milenar.  A  maioria  das civilizações antigas utilizavam diversas partes das  plantas com finalidades religiosas, medicinais  e cosméticas,  embora somente  nos  últimos anos  tenha  surgido  um interesse maior, através, principalmente, de farmácias de manipulação, e que hoje se  estende  às  indústrias alimentícia,  farmacológica,  orgânica  fina  e biotecnológica.
    Capa
    O  termo  Aromaterapia  foi  empregado  pelo  engenheiro químico francês  René-Maurice Gattefossé  na década de 20. Acredita-se que, após uma explosão em seu laboratório, Gattefossé teve  queimaduras nas  mãos e tratou-as com  essência  de alfazema (após o tratamento médico da época falhar) percebendo, com isso,  uma rapidez  na convalescença  das queimaduras.  Esse acontecimento levou Gattefossé  a investigar o uso de óleos essenciais, publicando um livro intitulado Aromathérapie, originando desta maneira a palavra que vem sendo usada deste então, sendo ele considerado, até hoje, o “pai” da aromaterapia.

    Essências

    Resultado de imagem para oleos essenciaisDevido  às  características  aromáticas (odor e sabor), baixo peso molecular e alta volatilidade, utilizam-se  diversas denominações  para essas substâncias  tais como  óleos voláteis,  óleos etéreos, essências e, principalmente, óleos essenciais.
    As  diversas  espécies  de  plantas  acumulam elementos  voláteis  em  regiões anatômicas específicas. Estão localizadas na superfície da epiderme ou em células especializadas denominadas oleofílicas. Do ponto de vista de exploração da biodiversidade vegetal, quando esta região representa um substrato renovável (ex: resina, folha, flor, fruto, semente), é possível extrair-se a essência sem eliminar a planta. Isso a torna uma fonte  de  óleo essencial ecologicamente  correta.  No  entanto,  a  grande  parte  dos óleos essenciais mundialmente comercializados são atualmente oriundos de cultivos racionalizados  e, sempre  que possível,  estabilizados  genética  e  climaticamente,  o que garante a reprodutibilidade do perfil químico do produto.


    As essências são classificadas em:

    • Natural: quando é extraída diretamente da espécie vegetal sem sofrer modificações químicas e/ou físicas. Têm um alto custo e alto valor comercial.
    • Sintéticas: Completamente sintetizadas no laboratório. Com baixo custo e baixo valor comercial.
    • Artificial: entre o natural e o sintético. É quando se usa a essência natural e encrementa com ela mesma sintetizada.

    A consistência das essências pode ser:

    • Fluida: extremamente volátil a temperatura ambiente.
    • Bálsamo: menos volátil e mais consistente que a fluida, sendo propensa a sofrer reações de polimerização.
    • Óleo resina: apresenta o aroma mais característico da espécie vegetal, podendo ser semi-sólidas. Ex: gengibre.



    Os  óleos  essenciais  possuem  vários  constituintes,  dentre  eles  tem-se hidrocarbonetos terpênicos, alcoóis simples e terpênicos, aldeídos, cetonas, fenóis, ésteres, éteres, óxidos, peróxidos, furanos, ácidos orgânicos, lactonas, cumarinas e compostos com enxofre. Normalmente, numa mistura, um dos compostos apresenta maior  concentração,  outros
    compostos  apresentam  menores  teores  e  alguns em quantidades muito pequenas, chamados traços. 
    O perfil terpênico apresenta normalmente substâncias  constituídas  de  moléculas  de  10  e de  15 carbonos  (monoterpenos  e sesquiterpenos), mas,  dependendo  do  método  de extração e da composição da planta, terpenos menos  voláteis podem aparecer na composição  do  óleo  essencial (assim  como  podem  se  perder os  elementos  mais leves).

    Na  atualidade,  é  crescente  o  mercado  de  óleos  essenciais,  corantes, nutracêuticos,
    alimentos funcionais,  fitoterápicos  e  outros  produtos  derivados  de vegetais.  Pesquisas
    mostram  o  grande número  de  aplicações  possíveis  de substâncias  produzidas  pelo
    metabolismo  de  plantas  nativas de  regiões  tropicais. Este mercado de óleos essenciais  é próspero para países que dispõem de uma vasta biodiversidade, como o Brasil, e que possuem condições de agregar  valor  às  suas  matérias-primas,  ou  seja,  transformando-as  em  produtos beneficiados.

    Processos de Extração 

    Os óleos essenciais podem ser extraídos em quantidade suficiente para serem utilizados  em sínteses químicas  ou  como  novos  materiais,  para  uso  científico  ou comercial. Utilizam-se diferentes métodos de extração  para isolar  óleos  essenciais  de  plantas  aromáticas, tais como:

    • Hidrodestilação
    • Destilação  a  vapor
    • Extração  por  solventes  orgânicos
    • Extração  com  fluido supercrítico
    • Enfleuragem
    • Prensagem
    • Turbodestilação.

    O  termo  hidrodestilação  pode  ser  empregado  para  diferentes  métodos: hidrodestilação com água, hidrodestilação com água  e vapor e hidrodestilação por vapor. Atualmente estes termos foram substituídos por hidrodestilação, no caso de utilização  de  água,  e  arraste  a vapor  para  extrações utilizando  água  e  vapor  ou apenas vapor. 
    Os  métodos  comumente  utilizados  para  isolar  os  óleos  essenciais  são  a destilação  a vapor  e  a extração  com  solventes;  porém,  a  extração  com  fluidos supercríticos também tem  sido empregada  por  algumas indústrias  do  ramo. 
    Independente do método de extração utilizado, o conteúdo de óleo essencial extraído é muito baixo quantitativamente, inferior  a 1% em alguns casos; havendo exceções, como no caso de botões florais de cravo,  onde podem ser encontrados rendimentos de até 15%.

    BIBLIOGRAFIA


    • http://www.conhecer.org.br/enciclop/2012b/ciencias%20exatas%20e%20da%20terra/levantamento%20e%20analise.pdf