Reações de Oxidação-redução (Redox)

A oxidação é um processo no qual uma substância química perde um ou mais elétrons, tornando-se “oxidada”. A redução é um processo no qual uma substância química ganha um ou mais elétrons, tornando-se “reduzida”. A oxidação deve sempre ocorrer quando há redução e a redução está sempre presente durante a oxidação e, por isso, uma reação que envolve ambos os processos é chamado de reação de oxidação-redução (ou reação redox). As reações de oxidação-redução também são conhecidas como reações eletroquímicas, que podem ser definidas como reações que envolvem a troca de elétrons entre as substâncias químicas. O campo de estudo das reações eletroquímicas e suas aplicações é denominada eletroquímica.

Equação geral

Oxidação: Red¹ → Ox¹ + ne- 
Redução: Ox + ne- → Red 

Reação Global: Ox + Red¹→ Red + Ox¹ 

Ox: sofre redução 
Ox¹: forma oxidada de Red¹.
Red¹: se oxida enquanto n elétrons são transferidos de Red¹ para Ox. 
Red: forma reduzida de Ox.




Exemplo 1
Oxidação: 2Fe   →  2Fe² + 4e-
Redução: O2 + 4H + + 4e-  → 2H2O
Reação global: 2Fe + O2 + 4H + → 2Fe2 + 2H2O
  
Exemplo 2
 






Exemplo 3

Equação geral: 


  • A semi-equação de oxidação é: 
  • A semi-equação de redução é: 
  • O é a espécie que perde elétrons (oxidou), é o agente redutor.
  • O  é a espécie que ganha elétrons (reduziu), é o agente oxidante.


Os pares redox conjugados são e .


Fonte:

  • Vogel, A. Química Analítica Qualitativa. 5ª edição. Mestre Jou, 1981.
  • http://profs.ccems.pt/PauloPortugal/CFQ/redox/redox.htm


Prática de Água Boricada


A água boricada é um medicamento oftalmológico, sendo constituída de uma solução de ácido bórico, não estéril, apesar de ser requerido que as preparações farmacêuticas de uso oftálmico sejam estéreis, uma vez que os riscos de contaminação são relevantes. Por esse e por outros motivos, em alguns países, seu uso é proibido.
É uma Solução simples (preparação homogênea).

Indicação: Antisséptico, bacteriostático e fungicida. Utilizado em processos infecciosos tópico, em feridas e lavagem oftálmica.

Aula prática da disciplina de Farmacotécnica Magistral I

Solução de Ácido Bórico (H3BO3) 3% p/v 
H2O destilada q.s.p 300ml 

Materiais utilizados:

  • Ácido Bórico
  • Água destilada
  • Balança analítica
  • Bandeja de plástico
  • Bastão de vidro
  • Becher
  • Espátula
  • Funil
  • Garra metálica
  • Gral e pistilo
  • Papel de filtro
  • Placa de aquecimento
  • Pisset
  • Suporte universal


O Ácido Bórico já é um conservante por ser ácido, não necessitando de conservantes na formulação de água boricada.

Passo-a-passo:

  • Calcule a quantidade de ácido bórico a ser pesado: 
3g___________100 ml
9g___________300 ml 
  • Coloque o H3BO3 na bandeja de plástico e pese na balança analítica. 


  •  Triture o H3BO3 com o auxílio do gral e o pistilo de porcelana. 

  • Transfira o H3BO3, já triturado, com o auxílio da espátula para o Bécher, colocando a metade da água (q.s.) 
  • Coloque o Bécher na placa de aquecimento. 
  • Misture com o auxílio do bastão de vidro, sempre com cautela. 

  • Após solubilizar, retire do aquecimento e complete com água destilada q.s.p. Não precisa esperar esfriar para diluir. 
  • Filtre a solução com o auxílio do papel de filtro. 

  • Envase e rotule.

Leite de Magnésia

O hidróxido de magnésio [Mg(OH)2] quando disperso em água, numa concentração aproximada de 7%, dá origem a um líquido branco e espesso, muito conhecido como leite de magnésia. Trata-se de uma solução básica, de pH próximo de 10,5, densidade de 2,38 g/cm³, cor branca opaca, levemente viscosa e não tóxica.
 
 
 
 Existe uma série de utilizações para o leite de magnésia:
  • Por ser uma substância alcalina, o leite de magnésia é muito utilizado como antiácido, neutralizando a hiperacidez estomacal e reduzindo a sensação de queimação;
  • Essa suspensão possui propriedades laxativas: em reação com o ácido clorídrico (HCl) do suco gástrico, é produzido, além da água, o cloreto de magnésio (MgCl2), uma substância higroscópica, ou seja, capaz de absorver umidade, o que lubrifica as paredes do intestino e intensifica os movimentos peristálticos, eliminando a constipação intestinal (popularmente conhecida como prisão de ventre). Além disso, o leite de magnésia também estimula a liberação da colecistoquinina, um dos principais hormônios que controlam o processo de digestão.
  • Devido ao seu caráter adstringente, o leite de magnésia é largamente empregado como redutor da oleosidade da pele. Também atua como antisséptico, amenizando a acne.
  • Essa base é muito usada como substituinte do desodorante, uma vez que é capaz de neutralizar os ácidos carboxílicos que compõem o suor, responsáveis pelos odores desagradáveis da transpiração das axilas e dos pés.
  • Em laboratórios de Química, é frequente o uso do leite de magnésia como antídoto de ácidos fortes, entre eles, o ácido sulfúrico (H2SO4) e o ácido clorídrico (HCl).
  • É comum, ainda, a utilização do leite de magnésia na fabricação do primer, um tipo especial de pré-maquiagem que muito auxilia na fixação de bases e pós compactos. Existe também a tinta primer à base de leite de magnésia utilizada no preparo de superfícies, o que confere à pintura uma maior aderência.

Fonte

http://www.infoescola.com/compostos-quimicos/leite-de-magnesia/

Prática de Análise granulométrica

A análise granulométrica consiste na determinação das dimensões das partículas que constituem as amostras.
O método de tamisação envolve o uso de um conjunto de tamises padrão compreendendo a faixa de tamanho requerida. Os tamises são sobrepostos em ordem decrescente, o pó é colocado no tamis situado acima, os tamises são submetidos à agitação, a quantidade de pó retida sore cada um deles é pesada e é realizado o cálculo.

Granulometria de 100g de sacarose

Objetivo: Determinação do tamanho das partículas e da sua distribuição em determinado intervalo.

O objetivo da análise granulométrica em farmácia é obter dados quantitativos sobre o tamanho, a distribuição e a forma do fármaco e de outros componentes usados em formulações farmacêuticas.

Materiais e métodos

  • Vidro de relógio 
  • Espátula 
  • Balança semi-analítica de prato largo 
  • Tamis 
  • Gral 
  • Pistilo 
  • Analisador granulométrico
a) Agitador eletromagnético (Analisador granulométrico) e Tamis para análise granulométrica. 
b) Distribuição das partículas nos Tamis. 

Tamis: Formada por uma fina malha, circundada geralmente por bronze ou metal inoxidável por onde passam principalmente pós, com a finalidade de reduzir o tamanho de partícula e produzir pós com tamanhos desejados. A malha do Tamis tem tamanhos definidos, que produzem pós de diferentes tamanhos: Muito Grosso; Grosso; Moderadamente Grosso; Fino e Muito Fino. Ele também pode ser usado para fazer o controle granulométrico de pós.

Procedimento

  1. Pesa-se o Tamis vazio: nº 40, 60, 70, 80, 100. Anote o resultado de cada um; 
  2. Realiza-se 4 pesagens de 25g de sacarose, obtendo 100g ao final do processo; 
  3. Coloca-se 100g de sacarose no gral com pistilo para fazer a trituração; 
  4. Na base, em contato com o analisador granulométrico, coloca-se o coletor e, em seguida, os tamises. Empilhe os tamises em ordem decrescente (nº do Tamis: 100, 80, 70, 60, 40) no analisador granulométrico; 
  5. Coloca-se a sacarose triturada no primeiro Tamis e liga o analisador granulométrico por 30min; 
  6. Decorrido os 30min, desligue o aparelho e retire os tamises em ordem crescente; 
  7. Pesam-se os tamises cheios.


Analisador Granulométrico
Tamis de nº 40 cheio sendo pesado na balança semi-analítica de prato largo 


Tabela de Cálculo

Nº tamis
Abertura de mallha (mm)
Peso tamis pós equipo (g)
Peso tamis vazio (g)
Peso retido (g)
% retido
% retido x abertura de malha
40
425
460,62
426,22
34,4
35,22
14968,5
60
250
436,88
399,10
37,78
38,68
9670
70
212
413,98
400,65
13,33
13,65
2893,8
80
180
401,42
390,82
10,60
10,85
1953
100
150
384,06
382,50
1,56
1,60
240
Peso da amostra
100g


= 97,67
100%
= 29725,3
Peso do coletor

358,11
355,44
2,67



d= 29725,3 / 100 = 297,253 mm( mm por causa da abertura da malha)

Conclusão

As características físico-químicas relacionadas ao fármaco, tais como tamanho de partícula, forma cristalina e solubilidade, podem influenciar significativamente na velocidade de dissolução e biodisponibilidade das formulações farmacêuticas. Além disso, o conhecimento do tamanho e da distribuição do tamanho de partícula é um pré-requisito fundamental para muitas operações de produção e processamento envolvendo sistemas de materiais particulados.

A distribuição do tamanho de partícula influi significativamente em várias etapas da produção como o transporte, compactação, etc. além de afetar microestrutura do material, influenciando na resistência mecânica, na densidade e nas propriedades térmicas e elétricas dos produtos acabados. Portanto a sua determinação é uma etapa crítica em todos os processos que de alguma maneira envolvam materiais na forma de pós. Caso realizada incorretamente podem ser geradas perdas econômicas decorrentes de produtos de baixa qualidade.

A determinação de valores exatos de tamanho de partícula é extremamente difícil e encontra obstáculos diferentes para cada uma das técnicas. Por esta razão, para medidas de controle de processo a reprodutibilidade passa a ser mais importante; porém no desenvolvimento de novos produtos, a exatidão da análise pode ser fundamental.

Como cada técnica de análise é baseada em princípios físicos diferentes, os resultados obtidos por estas análises podem também ser diferentes. Além disso, os fabricantes de equipamentos de análise usam projetos de construção distintos, o que também pode acarretar em resultados diferentes mesmo entre equipamentos que utilizam o mesmo princípio físico básico.

Fonte

  • Formas farmacêuticas e sistema de liberação de fármacos. Loyd V. Allen Jr et al. 8ª ed. - Porto Alegre: Artmed, 2007. 
  • http://pt.wikipedia.org/wiki/Tamis 
  • http://farmacotecnico.blogspot.com.br/2009/04/granulometria.html

Ritalina: A pílula da inteligência ou doping cerebral?

Ficheiro:Methylphenidate-2D-skeletal.svg
C14H19NO2

Com os nomes comerciais de Ritalina ou Concerta, a droga é indicada para quem possui Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), são da família das anfetaminas e têm mecanismo de ação semelhante à cocaína.
A preocupação maior, atualmente, é a fama que tal fármaco tem para “curar crianças inquietas” e adultos “desatentos”. Muitos jovens hoje que vivem sob pressão em uma era de cobranças por escolhas profissionais e/ou pessoais acabam em consultórios médicos sendo medicalizados para conseguir um maior foco nas suas atividades. Infelizmente, isso não é raro, mas há exceções a toda regra, ou seja, muitos precisam do medicamento para seguir uma vida “normal” e sem grandes desafios sociais.

Ação no cérebro

O metilfenidato, princípio ativo da Ritalina e do Concerta, aumenta a concentração das substâncias dopamina e noradrenalina no córtex pré-frontal, no cérebro, área responsável por planejar e executar atividades. Bloqueia a captura das catecolaminas pelas terminações das células nervosas pré-ganglionares; impede que sejam removidas do espaço sináptico. Deste modo, a noradrenalina, adrenalina e dopamina extracelulares permanecem ativas por mais tempo, aumentando significativamente a densidade destes transmissores nas sinapses e sua eficácia clínica está relacionada ao aumento da liberação de noradrenalina e dopamina. O metilfenidato possui potentes efeitos agonistas sobre os receptores alfa e beta adrenérgico. O fármaco eleva o nível de alerta do sistema nervoso central. Incrementa os mecanismos excitatórios do cérebro. Isto resulta numa melhor concentração, coordenação motora e controle dos impulsos. 
No entanto, há efeitos adversos bastante limitantes e importantes, tais como sua dependência psicológica e física. O uso prolongado de altas doses pode levar a sintomas semelhantes à esquizofrenia paranóide. Nas doses utilizadas para o tratamento do TDAH, a dependência psicológica parece não se desenvolver, desse modo, é muito importante e coerente um diagnóstico bastante claro e preciso antes de prescrever tal fármaco para uma criança, para que não ocorram problemas no seu desenvolvimento cognitivo.
Em quem tem déficit de atenção, os efeitos são mais intensos. Pessoas saudáveis sentem diferença menos intensa.
 


Estudando com efeitos da droga

  • Desatento: com sono ou dificuldade de se concentrar, o estudante é “apresentado” à droga por colegas que já a utilizaram.
  • Começa o efeito: Entre 30 minutos e uma hora começam os efeitos. A sonolência diminui e o estudante consegue focar no assunto, sem distrações. Os mil e um pensamentos que atrapalhavam a atenção começam a ir embora.
  • Pico do efeito: Entre duas e três horas depois, os efeitos do remédio atingem seu ponto máximo. É quando podem surgir os efeitos adversos como palpitação, tremores, dor de cabeça, mão gelada e suor. 
  • Queda: Após cinco horas da ingestão do remédio, o usuário começa a voltar ao normal. Nas próximas três horas, algumas pessoas podem ter insônia, irritação e ansiedade. O remédio é eliminado pela urina e metabolizado pelo fígado. Uso contínuo gera o risco de dependência química e psicológica.
     

Estudando sem os efeitos da droga

  • Melhor aproveitamento: Segundo os especialistas, a concentração na hora dos estudos tem um pico máximo nos primeiros 50 minutos. É o tempo médio de uma aula na escola. 
  • Começa a distração: Após esse período, a concentração nos estudos começa a diminuir. Isso varia de acordo com cada estudante e seus hábitos de aprendizado.
  • Intervalos ajudam: Para ter melhor aproveitamento, especialistas sugerem que o estudante faça um intervalo de 10 a 20 minutos ou mude o tema a ser estudado quando começar a ficar disperso.
  •  Cochilo à tarde: Outra dica para melhorar os estudos é tirar um cochilo de dia (que não pode durar mais de20 minutos), para descansar a mente.