Loção Repelente de Citronela

O incômodo provocado pelos mosquitos pode ser resolvido de forma simples e com soluções caseiras, aproveitando as propriedades da citronela.
A citronela de java (Cymbopogon winterianus) repele mosquitos, borrachudos, traças e formigas. O óleo essencial tem efeito repelente sobre oAedes aegypti (transmissor da dengue) e também sobre mosquitos como o Anopheles dirus e o Culex quinquefasciatus. Alguns pesquisadores afirmam que o óleo de citronela afasta também besouros, baratas e fungos. 
Essa ação se deve a substâncias como o citronelal, o geraniol e o limoneno, presentes no óleo. “A detecção da citronela é ativada pelas proteínas dos poros do inseto, conhecidas como canais de receptores transientes de potencial. Quando esses receptores moleculares são ativados, enviam mensagens químicas ao cérebro do inseto, resultando em uma reação de aversão”, explica Antonio Amaury Silva Junior, pesquisador da Epagri/Estação Experimental de Itajaí.
A citronela é um ótimo repelente para mosquitos, mas ela não pode ser ingerida. Muito cuidado para não confundir citronela com capim-limão. O chá de citronela é TÓXICO! 
  • Princípios Ativos: Óleo essencial (monoterpenos acíclicos, citronelal, geraniol, citronelol, linalol, cis - calameneno, β -elemeno, citral ) 
  • Parte Utilizada: óleo essencial das partes aéreas

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Loção Repelente de Citronela

Composição:
  • Tintura de Citronela _____ 15%
  • Glicerina líquida ________ 15%
  • Álcool de cereais _______ 35%
  • Água destilada q.s.p._____ 100 ml
Materiais:
  • Frasco com borrifador
  • Becker
  • Proveta
  • Bastão de vidro
  • Rótulo
Preparo:
  • Medir todos os ingredientes com o auxílio da proveta;
  • Despeja todos os ingredientes no Becker e misture com o bastão até ficar uma mistura homogênea;
  • Envase e rotule.
Obs.:
  • Rende 100 ml de loção (Se quiser um volume maior, é só aumentar a receita proporcionalmente). 
  • Agite antes de usar
  • Tempo de ação: 2hs
  • Modo de usar: aplicar na pele 2 a 3 x ao dia. Evitar face
  • Validade: 2 anos

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Outros Repelentes com citronela


Loção de Citronela com andiroba

Componentes:

  • Óleo de Citronela _________________ 5,0-15% 
  • Extrato glicólico de Aloe vera ________ 2,0%
  • Óleo de Andiroba _________________5,0-50%
  • Loção Hipoalergênica q.s.p. _________100 ml
Obs.:
Estudo realizado pela Unicamp em 2010 calculou o índice de proteção contra mosquitos de diferentes produtos vegetais e verificou que o Óleo de Citronela a 5,0% apresentou um índice de 98,1% de proteção e o Óleo de Andiroba a 5,0%, 30,4% de proteção contra picadas de mosquitos.

Loção Kids
Componentes:
  • Óleo de Andiroba ________________   0,5% 
  • Óleo de Camomila __________________ 1% 
  • Óleo de Citronela  __________________ 1% 
  • Base Loção q.s.p. _______________ 100 ml
Obs.: 
  • A partir de 3 meses de idade
  • Validade: 6 meses
  • Duração: até 6hs na pele exposta e 12hs quando aplicado no tecido

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Receita de extrato de Citronela 

Materiais:
  • 200g da planta seca e triturada;
  • 1 litro de álcool comum (para uso externo) a 70%;
  • 1 vidro de boca larga e escuro, de preferência, com capacidade mínima de 1 litro;
  • 1 frasco escuro (âmbar) para acondicionar;
  • 1 funil;
  • 1 papel filtro ou pano branco e limpo para coar;
  • Etiqueta.
Preparo:
  • Rasurar as folhas com auxílio de uma tesoura, em pequenos pedaços;
  • Pesar 200g da planta seca;
  • Colocar num frasco de boca larga.
  • Despejar 1 litro de álcool a 70% sobre a erva.
  • Tampar o frasco e cobrir com papel escuro, se o vidro for claro.
  • Deixar em maceração por no mínimo 8 e no máximo 21 dias, em local seco e protegido da luz. 
  • Agitar, no mínimo, 2 vezes ao dia; 
  • Filtrar e completar o volume para 1 litro, passando mais álcool a 70% sobre o resíduo da planta.
  • Guardar em frasco escuro;
  • Rotular.
Validade: 2 anos

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FONTE: 
  • http://ruralcentro.uol.com.br/noticias/como-espantar-insetos-com-citronela-48774
  • http://www.oleosessenciais.org/oleo-essencial-de-citronela/
  • http://www.farmaciafutura.com.br/p/1109/oleo+de+Andiroba+0,5%2525+oleo+de+Camomila+1%2525+oleo+de+Citronela+1%2525+Base+Locao+qsp+-+100ml
  • http://www.farmacotecnica.com.br/entenda-o-que-e-a-microcefalia-e-a-eficiencia-de-repelentes-naturais-contra-o-aedes-aegypti/

Repelente dos pescadores (Artesanal)



Uma receita barata e caseira para se fazer.
A receita é conhecida como repelente dos pescadores, pois eles há muito utilizam essa receita sempre em suas noites de pescaria para evitar picadas de insetos (o óleo de cravo tem a propriedade de repelir também formigas e até as pulgas dos animais).

Materiais:
  • 10 gramas (2 colheres de sopa) de cravo da índia;
  • 1/2 litro de álcool de cereais (indicado por ser hipoalergênico);
  • 100 ml de óleo de amêndoas (pode ser Glicerina, Vaselina liquida ou óleo de bebê);
  • 1 frasco de vidro âmbar;
  • Coador;
  • Funil;
  • 1 frasco com borrifador.

Modo de preparo:
  • Coloque o cravo da índia, levemente triturado, em um recipiente de vidro âmbar ( ou um normal, porém protegido da luz) e acrescente o álcool de cereais; 
  • Mantenha essa mistura fechada. Deixe o cravo curtindo no álcool por 4 a 8 dias (agite o frasco duas vezes ao dia: manhã e noite. Quanto mais agitar ao dia, mais será extraído o óleo essencial do cravo e ficará mais concentrado o repelente); 
  • Após 4 dias, coe a mistura e transfira para o frasco com tampa borrifador para facilitar a aplicação (caso não tenha este tipo de tampa, coloque uma gota em cada braço e pernas, espalhando como se faz com o repelente comercial, e os mosquitos serão repelidos;
  • Acrescente o óleo de amêndoas. 
  • Agite bastante antes de usar. 

Observação:
  • A duração do repelente é de 3hs.
  • A validade do produto é de 2 anos.

Métodos contraceptivos: Comportamentais

Anticoncepção é o uso de métodos e técnicas com a finalidade de impedir que a prática de relacionamento sexual resulte em gravidez. É um dos recursos para se desenvolver o Planejamento Familiar, pelo qual as pessoas desenvolvem prole de forma voluntária em tempo e em número programados.

Os métodos anticoncepcionais podem ser classificados de várias maneiras. Reconhece-se dois grandes grupos:

1 - Métodos reversíveis:
  • Métodos comportamentais: Tabela, muco cervical, curva térmica e coito interrompido.
  • Métodos de barreira: preservativo, espermicidas e diafragma
  • Dispositivos intrauterinos: DIU
  • Métodos hormonais: Pílulas, injeção, implantes, pílulas vaginais, anéis, adesivos cutâneos com hormônios e DIU com progestágeno
  • Métodos de emergência: Método de Yuzpe, Progestágenos e outros.
2 - Métodos definitivos:
  • Esterilização cirúrgica feminina: laqueadura
  • Esterilização cirúrgica masculina: vasectomia
Fonte: http://seuguiadesaude.com.br/wp-content/uploads/2015/09/metodos-contraceptivos.jpg

Abordaremos os métodos comportamentais.


MÉTODOS COMPORTAMENTAIS 

Também conhecidos como métodos naturais de anticoncepção, ou, ainda, como métodos baseados no reconhecimento do período fértil. Compõem um conjunto de procedimentos em que o casal se abstém do relacionamento durante o período em que pode ocorrer a fecundação, ou usa práticas em que o esperma não é depositado na vagina. Podem, portanto, serem divididos em dois grandes grupos:
1- Abstenção periódica;
2- Relações em que o esperma não é depositado na vagina.
  
ABSTENÇÃO PERIÓDICA 

Os métodos de abstenção periódica pressupõem o conhecimento do período fértil, época em que são evitadas as relações sexuais:
  • Método da tabelinha ou de Ogino – Knaus: O fundamento desse método é o conhecimento da fisiologia do ciclo menstrual da mulher. Esse método contraceptivo tem maior chance de funcionar para mulheres com ciclos regulares, mas ainda assim é pouco eficaz para prevenir a gravidez: Oferece riscos de falha pela ação de fatores que podem alterar o ciclo menstrual; Não é indicada para quem não tem um ciclo regular, como as adolescentes; Não é indicada para mulheres que estão amamentando; Não é indicada para mulheres que acabaram de tirar o dispositivo intrauterino (DIU)



Tabela:
01020304050607080910111213141516171819202122232425262728293031
Abr
+++++++ABBBBCCCDDDDEFFFF+++
Mai
++++ABBBBCCCDDDDEFFFF+++++++
Legenda:
Sinal Vermelho - CUIDADO: 
Período de alto risco em que pode ocorrer gravidez.
Use preservativo (camisinha) para evitar a gravidez, e as doenças sexualmente transmissíveis.
Sinal Amarelo - Atenção:
Teoricamente período de relativa segurança para relação sexual sem engravidar.
Use preservativo (camisinha) para evitar a gravidez, e as doenças sexualmente transmissíveis.
Sinal Verde - Cautela:
Período seguro para relação sexual sem engravidar. Mas cautela sempre é bom.
Use preservativo (camisinha) para evitar a gravidez, e as doenças sexualmente transmissíveis.
A
Primeiro dia da menstruação:
Início do ciclo menstrual, que se se repete a cada 4 semanas, podendo oscilar entre 24 e 35 dias.
B
Menstruação: 
Em geral dura de 3 a 5 dias. 
Se sua menstruação durar mais que 5 cinco dias por meses consecutivos, procure seu médico.
C
Auto-Exame: 
Período ideal para examinar as mamas, que é de 6 a 10 dias após o 1º dia da menstruação.
D
Período Pleno: 
Aumenta a libido (desejo sexual), elevando a capacidade de concentração, atenção e memória. Existe uma melhora da auto-estima, facilitando a tomada de decisões e favorecendo os relacionamentos.
E
Ovulação: 
Processo de liberação, por um dos ovários, de um óvulo. Ocorre mais ou menos no meio do ciclo menstrual, em um ciclo de de 28 dias ela pode ocorrer no 14º dia.
F
Período Fértil:
É o período do 10º dia até o 20º dia do primeiro dia de menstruação, que engloba o Período Pleno e Ovulação. Neste período pode ocorrer a fecundação (quando o espermatozóide se encontra com o óvulo iniciando a gravidez).
+
TPM - Tensão Pré Menstrual:
É muito comum entre as mulheres no período de uma semana (ou mais) antes da menstruação.
Os sintomas variam de mulher para mulher (algumas nem tem), os mais comum são: depressão, sentimento de desesperança, pensamentos auto-depreciativos, ansiedade, tensão, nervosismo, fraqueza afetiva, tristeza repentina, choro fácil, sentimento de rejeição, irritabilidade persistente, etc.
Alimentação leve e saudável, muito líquido, exercícios e caminhadas, ajudam passar por este período.
http://www.cancerdemama.com.br/mulher/tabela.htm

  • Método do muco cervical ou de Billings: O fundamento racional desse método é o conhecimento de que o muco cervical sofre modificações físico-químicas relacionadas ao tipo de estímulo hormonal a que está sujeito.
http://www.cenplafam.com/portal/mob/

  • Método da curva térmica: A temperatura basal é aquela medida após, no mínimo, 6 hora de sono. Medida diária proporciona a elaboração de uma curva pelas suas variações. Quando a mulher ovula, após a extrusão do óvulo do folículo, forma-se o corpo amarelo que secreta, além do estrógeno, a progesterona. Esta tem, entre outras propriedades, a de elevar a temperatura corporal, em alguns décimos de grau. Chama-se efeito termogênico da progesterona, que pode ser usado para identificar o dia da ovulação. Este será o imediatamente anterior à decalagem, para cima, observada na curva de temperatura basal.
Fonte: http://www.vestibulandoweb.com.br/biologia/reproducao-ciclo-menstrual-metodos-contraceptivos-1.JPG

  • Método sintotérmico: Consiste na utilização de múltiplos marcadores do período fértil
- Para identificar o início do período fértil: 1- fazer cálculo do calendário 2- analisar o muco; 
- Para identificar o fim do período fértil: 1- observar variações do muco 2- identificar a decalagem da temperatura basal.
http://image.slidesharecdn.com/mtodoscontraceptivos-141104043008-conversion-gate01/95/mtodos-contraceptivos64bim-8-638.jpg?cb=1415075659


RELAÇÕES SEM QUE HAJA DEPOSIÇÃO VAGINAL DE ESPERMA  

Consiste na utilização de práticas sexuais diversas do coito vaginal com ejaculação intra-vaginal. A prática mais conhecida e difundida, já referida no antigo testamento, é o coito interrompido. O homem, ao pressentir a iminência da ejaculação, retira o pênis da vagina e ejacula fora desta, preferentemente longe dos genitais femininos. Pressupõe um grande autocontrole masculino e compreensão da mulher, que poderá desenvolver sentimento de frustração por isso. Há, contudo, casais bem ajustados que conseguem desenvolver a anticoncepção por meio desse método e serem felizes. 


Os métodos comportamentais são poucos seguros. Se o casal não tiver comprometimento e responsabilidade, acarretará em uma gravidez indesejada. Vale ressaltar que esses métodos não previnem doenças sexualmente transmissíveis (devendo,  para isso, utilizar o preservativo).



FONTE
  • http://www.sbrh.org.br/sbrh_novo/guidelines/guideline_pdf/guildeline_contracepcao.pdf
  • http://www.cancerdemama.com.br/mulher/tabela.htm
  • http://image.slidesharecdn.com/mtodoscontraceptivos-141104043008-conversion-gate01/95/mtodos-contraceptivos64bim-8-638.jpg?cb=1415075659
  • http://www.vestibulandoweb.com.br/biologia/reproducao-ciclo-menstrual-metodos-contraceptivos-1.JPG
  • http://seuguiadesaude.com.br/wp-content/uploads/2015/09/metodos-contraceptivos.jpg


Rape Drugs ou Boa Noite Cinderela

Resultado de imagem para boa noite cinderela“Rape Drugs” é o termo usado para designar certo número de drogas que tem como característica comum, o fato de deixarem indefesas as pessoas que as utilizam. São geralmente inodoras, incolores e sem sabor, facilmente adicionadas a uma bebida, sem o conhecimento da vítima. Há pelo menos três tipos de rape drugs : GHB, Flunitrazepan e Quetamina. Têm sido utilizadas também para ajudar na prática de outros crimes, como roubo. 
O Termo “Boa Noite Cinderela” tem origem no uso dessas drogas para dopar vítimas em potencial de assalto ou abuso. Essas drogas também são bastante difundidas entre jovens frequentadores de festas “raves”. 

As principais substâncias encontradas no Brasil são: 
• Benzodiazepínicos: flunitrazepam (Rohypnol®). 
• GHB ou ecstasy líquido. 
• Quetamina: special K, kit kat 

1. Flunitrazepam 
Produto do grupo dos benzodiazepínicos fluorados, o flunitrazepan, conhecido no comércio sob o nome Rohypnol®. Sua comercialização está autorizada em muitos países, inclusive europeus, como regulador dos distúrbios do sono, mas é proibido na América do Norte. Ele é usado como “rape drug”

Toxicocinética 
  • Após a administração oral, puro ou misturado em bebidas sua absorção é quase total. Ele tem um início de ação rápido, em 30 min, com pico plasmático em 2 horas. Só 10% a 15% são metabolizados durante sua primeira passagem pelo fígado, resultando numa biodisponibilidade de 85%, mas o produto é quase totalmente transformado antes de sua excreção (2% eliminado pela urina sob forma intacta). 
  • Os principais metabólitos ativos são 7-amino-flunitrazepam e o N-dimetil-flunitrazepam e ambos são eliminados pelos rins após glicuroconjugação. 
  • A meia-vida de eliminação do metabólito ativo N-dimetil-flunitrazepam é de 23 a 33 horas. 
  • Da dose administrada por via endovenosa, 50% são eliminados entre 16 e 35 h. 
  • Potencialização pelo álcool e outros depressores do sistema nervoso central. 

Quadro clínico e toxidade 
  • Seu mecanismo de ação se deve à sua alta capacidade de fixar-se em sítios específicos do sistema nervoso central (receptor GABA - benzodiazepínico), facilitando e potencializando o efeito inibitório mediado pelo ácido gama-aminobutírico (GABA). Sua afinidade guarda estreita relação com sua potência neurodepressora. 
  • A dose terapêutica para adultos é de 0,5 a 1 mg; e, em casos excepcionais, pode ser elevada a 2 mg. Em idosos, administra-se 0,5 mg e, em circunstâncias especiais, a dose pode ser elevada para 1 mg. 
  • Há relato de óbito em adulto, com uma ingesta de 28 mg. 
  • A dose tóxica estimada em crianças é de 0,015 a 0,030mg/kg. 
  • Em doses elevadas, o flunitrazepam causa amnésia anterógrada severa (perda da memória recente secundária ao efeito da droga), desorientação, confusão, perda de consciência, hipotensão, perda do controle muscular, depressão respiratória e, mais raramente, coma e morte. 
Diagnóstico 
  • Ele se baseia na anamnese detalhada e no exame físico. 
  • O diagnóstico laboratorial se faz por busca de benzodiazepínico em cromatografia em camada delgada, que constitui um teste rápido. 

Tratamento 
  • Como acontece com muitos produtos tóxicos, o tratamento é sintomático e requer medidas de suporte. 
  • Caso raro, os benzodiazepínicos têm um antídoto específico que é o flumazenil (Lanexat®), comercializado em ampolas de 5 mL com 0,5 mg (0,1 mg/mL) de produto ativo. 
  • As doses são, para crianças - 0,01 mg/kg, a cada 30 segundos, até haver recuperação da consciência ou até atingir um total de 1 mg e, para adultos, 0,3 mg, a cada 30 segundos, com um máximo de 5 mg. 
  • A dose de manutençãoé de 0,2 a 1 mg/h em infusão contínua. 

2. Quetamina 
  • A quetamina é um derivado da fenciclidina (PCP), criada em 1962 para ser usada como anestésico dissociativo para uso humano (cirurgias rápidas) e, principalmente, veterinário. Começou a ter funções recreativas nos anos 70 devido a seus efeitos alucinógenos. Atualmente está integrada no contexto de festas rave e como “rape drug”. Ela é encontrada sob a forma de pó branco, líquido ou tablete, podendo ser consumida por via oral, inalada ou venosa. 
Sinonímia: Hidrocloridrato de Quetamina: Special K, Vitamina K, Kit Kat, Super cid, Ketalar®, Ketaset®.

Mecanismo de ação 
  • Antagonista não competitivo do receptor glutamatergico N-Metil-D-Aspartato (NMDA).
  • Induz anestesia sem depressão respiratória. 
  • Inibe recaptação de noradrenalina, dopamina, serotonina. 
  • Atua nos receptores colinérgicos do SNC (bloqueio neuro-muscular) e nos receptores opióides (Analgesia).
Farmacocinética 
  • Início de ação: EV- de 30 a 40 segundos, IM - de 3 a 8 minutos, inalada – de 5 a 15 minutos e oral – de 5 a 30 minutos.
  • Duração da ação: Os efeitos primários da quetamina duram aproximadamente entre 30 a 45 minutos quando injetada, 45 a 60 minutos quando inalada, e entre 1 e 2 horas quando ingerida oralmente.
  • A metabolização se dá por via citocromo P-450 gerando metabólitos ativos.
  • A excreção se dá por via renal como metabólitos conjugados.
  • Meia-vida de 2 h, efeitos agudos por +/- 3h. 
Quadro clínico e toxidade 
  • Dose anestésica: 2 a 10 mg/kg.
  • As doses recreacionais variam de 30 a 300 mg. A dosagem para a quetamina inalada varia amplamente de 15 a 200 mg. Quando administrada IM, a dosagem varia geralmente entre 25 e125 mg. O uso oral normalmente demanda maior quantidade, entre 75 a 300 mg.
  • A dose letal mínima não está bem estabelecida. Há relatos de óbitos com doses de 900 a 1000 mg. 
  • Baixas doses à Dissociação: alucinações, ilusões, desrealização, despersonalização, desaceleração do tempo, estado onírico, percepções extracorporais, atenção, aprendizagem e memória ficam prejudicados. 
  • Doses maiores: vômitos, distúrbios da fala, amnésia, taquicardia, hipertensão, midríase, agitação, delirium, intensa dissociação (K-hole, K-Land), experiências “near-death”, hipotermia, Distúrbios visuais e flash-backs. 
  • Em casos mais graves, depressão respiratória, apnéia, convulsões, rabdomiólise. 
Diagnóstico 
  • Anamnese e exame físico
  • Toxicológico: CCD positivo para PCP (Fenciclidina). 
Tratamento 
  • Medidas de descontaminação G.I. quando indicado.
  • Tratamento sintomático e suporte ventilatório se necessários. 

EXTRAÍDO DE: 
  • http://ltc-ead.nutes.ufrj.br/toxicologia/mVIII.assa.htm

Antídotos e Antagonistas

Os antídotos e antagonistas específicos são substâncias químicas que, por diferentes formas e por mecanismos antagônicos, reduzem ou revertem os efeitos nocivos dos agentes tóxicos.
Quanto ao tipo de ação que desempenham, podem ser classificados em antídotos e antagonistas que:

TIPO DE AÇÃO

ANTÍDOTOS/ANTAGONISTAS
Impedem a formação de metabólitos tóxicos 

  • N-Acetilcisteína nas intoxicações por paracetamol 
  • Etanol ou fomepizol nas intoxicações por metanol e etilenoglicol
Ligam-se ao agente tóxico formando complexos menos tóxicos e de fácil excreção renal (quelação) 

  • deferoxamina para ferro; 
  • D-Penicilamina para o cobre; e 
  • EDTA cálcico para o chumbo;
Adsorvem o agente tóxico impedindo sua absorção

  • carvão ativado para a drogas adsorvíveis; 
  • terra de Füller para o herbicida paraquate; 
  • amido para o iodo;
Exercem ação competitiva sobre o sítio alvo

  • naloxona nas intoxicações por opióides; 
  • flumazenil nas intoxicações por benzodiazepínicos; 
  • atropina e acetilcolina nas intoxicações por anticolinesterásicos; 
  • propranolol nas intoxicações por beta-adrenérgicos (salbutamol, terbutalina);
  • oxigênio nas intoxicações por monóxido de carbono;
Atuam corrigindo distúrbios funcionais ou dano celular produzido pelo agente tóxico 

  • pralidoxima na recuperação da inibição da enzima acetilcolinesterase inibida por organofosforados; 
  • biperideno para a correção dos distúrbios extrapiramidais induzidos por drogas como metoclopramida e fenotiazínicos; 
  • gluconato de cálcio para correção da hipocalcemia produzida por fluoretos;
  • dantrolene no controle da hipertermia maligna;
Atuam por mecanismos imunológicos 

  • soros antipeçonhentos usados nos acidentes ofídicos, aracnídicos, escorpiônicos e por Lonomia
  • fragmentos Fab antidigoxina.

Essas substâncias têm importante função no tratamento das intoxicações. Possuem a ação mais específica, mais eficaz e, muitas vezes, mais rápida dentre todas as substâncias ou métodos com utilidade terapêutica em Toxicologia Clínica. Podem reduzir significativamente a morbidade e a mortalidade em certas intoxicações, mas, não são disponíveis para a maioria dos agentes tóxicos e, segundo estimativas, são utilizados em apenas 1% dos casos.

As indicações para o uso de antídotos e antagonistas devem seguir os seguintes critérios:
  • Especificidade de ação frente ao agente tóxico;
  • Condições clínicas que justifiquem o seu uso (intoxicações graves ou com prognóstico de severidade);
  • Concentrações sanguíneas do toxicante em níveis potencialmente tóxicos ou letais (por determinação analítica ou por estimativa através da dose ingerida);
  • Os benefícios terapêuticos superem os riscos, uma vez que os antídotos também possuem toxicidade intrínseca;
  • Ausência de contraindicações.

Os antídotos e antagonistas podem ser agrupados em duas categorias:

Grupo I - Antídotos e antagonistas indicados precocemente


Algumas intoxicações exigem o emprego imediato de determinados agentes específicos e, alguns deles, possuem papel preponderante na fase de reanimação do paciente, sendo denominados de antídotos ou antagonistas reanimadores. Essas substâncias, juntamente com outros medicamentos habituais (adrenalina, bicarbonato, lidocaína, glicose, etc), devem compor as caixas de primeiros socorros utilizadas em emergências médicas. A seguir são descritos alguns exemplos:

• Atropina – inibe a ação da acetilcolina por competição nos receptores muscarínicos. Sua administração está indicada nas intoxicações por anticolinesterásicos (agrotóxicos organofosforados e carbamatos) e diante de manifestações muscarínicas: miose, turvação visual, sudorese, hipersecreção brônquica, bradicardia (ou taquicardia), hiperperistaltismo e, eventualmente, diarréia. Esta sintomatologia, em geral, precede os sinais de comprometimento muscular (paresias, paralisias, fasciculações) e, nos casos graves, estupor e coma. As doses recomendadas são 1-4 mg/dose, EV, em adultos e, 0,01-0,05 mg/Kg/dose, EV, em crianças. Pode-se repetir a cada 15-30 minutos até que o paciente apresente sinais de atropinização: ressecamento de secreções e de mucosas e aumento da freqüência cardíaca (superior a 120 bpm). Alcançados esses parâmetros, deve-se ajustar a dose para manutenção desses efeitos. Seu uso deve ser suspenso gradualmente, sendo restituído se reaparecerem os sinais colinérgicos muscarínicos.
A atropina também está indicada em casos de bloqueio de condução nas intoxicações por digitálicos, betabloqueadores e antagonistas de cálcio. O parâmetro clínico para sua indicação é freqüência cardíaca inferior a 40 bpm. devendo ser administrada com cautela em pacientes idosos ou portadores de cardiopatia isquêmica e arritmias prévias.

• Flumazenil – trata-se de um inibidor competitivo altamente específico dos receptores dos benzodiazepínicos no SNC e, portanto, capaz de reverter o coma induzido por esses compostos. Como já mencionado, é útil não apenas na etapa de diagnóstico (por sua especificidade de ação), mas também como substância reanimadora. A administração rotineira a pacientes comatosos, com suspeita de intoxicação benzodiazepínica, pode precipitar convulsões e piorar a evolução clínica de pacientes intoxicados. Seu emprego é formalmente contra-indicado em pacientes em uso crônico de benzodiazepínicos ou que apresentam convulsões (mesmo febris) ou mioclonias e naqueles em que há confirmação ou suspeita de coingestão de outras drogas que possuem baixo limiar para convulsão (antidepressivos tricíclicos, lítio, cocaína, isoniazida, inibidores da MAO, etc.). Nesses casos, recomenda-se a realização de eletrocardiograma antes da administração de flumazenil para verificar possíveis anormalidades usualmente encontradas nas intoxicações por antidepressivos tricíclicos, como taquicardia sinusal e prolongamento do intervalo QRS. A dose para adultos, por via EV, é de 0,2-0,3mg, durante 30 segundos e, repetindo-se a cada minuto, até se obter o nível de consciência desejado, até um total de 3 mg. Em crianças, recomenda-se o uso de 0,01mg/Kg, repetindo-se minuto a minuto, até dose máxima de 1mg. O flumazenil tem curta duração de ação, variando de 20 a 40 minutos.

• Naloxona – é um antagonista de ação competitiva nos receptores opiódes (mu, kappa e delta) no SNC e, portanto, reverte a parada respiratória e o coma induzido por heroína, codeína, morfina e outros opiáceos sintéticos (meperidina, metadona, paregórico, difenoxilato, fentanil, propoxifeno, etc.). Este antagonista não previne o desenvolvimento de edema pulmonar não cardiogênico que pode ocorrer nessas intoxicações. Assim como o flumazenil, tem dupla utilidade: diagnóstica e terapia reanimadora. Sua ação é rápida e pode ser fundamental no diagnóstico diferencial do coma, evitando exames desnecessários (punção lombar, tomografia de crânio) ou mesmo procedimentos invasivos (intubação endotraqueal). Apesar de seu efeito específico e altamente eficaz, nem sempre deverá substituir as medidas de reanimação (intubação, ventilação, oxigênio) em casos de parada respiratória. Para crianças, a dose inicial recomendada, por via EV, é de 0,01mg/Kg e, crianças maiores, utiliza-se uma dose mínima de 2 mg, podendo ser repetida após 3 minutos, até o máximo de 10mg. Em adultos, emprega-se 0,4 a 2mg e, se necessário, repete-se em intervalos de 2-3 minutos, até a dose total de 10mg. Se após o uso dessa dosagem, não houver resposta, o diagnóstico de intoxicações por opióide deve ser revisto. No Brasil, não se justifica a administração rotineira de naloxone a todo paciente comatoso, a menos que exista história ou evidência clínica de intoxicação opiácea.

• Oxigênio – a oxigenioterapia é de uso habitual e inespecífico nas intoxicações que cursam com hipoxemia devido à hipoventilação (agentes depressores do SNC) ou por outras causas (broncoaspiração, edema pulmonar, etc.). Além dessa ação inespecífica, o oxigênio age como um antagonista na intoxicação por monóxido de carbono (CO). A ligação do CO à hemoglobina forma carboxihemoglobina e diminui a proporção de oxihemoglobina originando hipóxia celular (sem hipoxemia) por déficit de transporte de oxigênio às células. Nesses casos, o oxigênio competirá com o CO pela ligação à hemoglobina e deve ser administrado na máxima concentração possível. A precocidade na aplicação da oxigenioterapia (removendo o paciente da fonte de exposição) é de extrema importância para se evitar lesões por anóxia. O oxigênio também é empregado em outras intoxicações que provocam hipóxia tecidual (metemoglobinemias, cianeto e gás sulfídrico).

• Nitrito de amila, nitrito de sódio 3% e tiossulfato de sódio 25% - essas três substâncias são utilizadas nas intoxicações por cianeto e compõem o “Kit cianeto”. Assim que for confirmada a intoxicação por cianeto e tomadas as medidas iniciais e de descontaminação, inicia-se imediatamente a administração dos antídotos específicos, na seguinte ordem: 1º nitrito de amila (por inalação), 2º nitrito de sódio (por via EV) e 3º tiossulfato de sódio (EV). Os nitritos oxidam a hemoglobina formando metemoglobina que se liga ao cianeto livre. Essas substâncias também aumentam a destoxificação endotelial do cianeto por produção de vasodilatação. As doses recomendadas são:
1º- Nitrito de amila: é uma substância muito volátil e deve ter suas ampolas quebradas de forma a possibilitar a inalação pelo paciente enquanto o acesso venoso e as outras drogas são providenciadas. Produz um nível de metemoglobina de 5%.
2º- Nitrito de Sódio 3%: em adultos devem ser administrados 300 mg (10mL da solução) EV em 3-5 minutos. Em crianças, a dose deve ser adaptada segundo a concentração de hemoglobina. A administração EV de uma única dose produz um nível de metemoglobina de 20-30%. A oxidação da hemoglobina para metemoglobina ocorre em 30 minutos. Se não houver resposta, pode ser administrada metade da dose inicial.
3º- Tiosulfato de Sódio 25%: é um doador de enxofre que promove a conversão do cianeto em tiocianato (menos tóxico) pela ação da enzima sulfurtransferase (rodanase). Pode ser administrado sozinho ou em combinação com nitritos. Em adultos são administrados 50ml da solução EV também de forma lenta; para crianças a dose é de 1,65ml/kg da mesma solução, também EV e de forma lenta.
A administração de vasopressores pode ser necessária uma vez que os nitritos podem causar hipotensão por vasodilatação.

• Fomepizol (4-metilpirazol)- é um potente inibidor da desidrogenase alcoólica, a primeira enzima responsável pela biotransformação do etanol e de outros álcoois. Este medicamento previne a formação de metabólitos altamente tóxicos, formaldeído e ácido fórmico nas intoxicações por metanol, e glicoaldeído e os ácidos glicólico e oxálico, nas intoxicações por etilenoglicol. Este procedimento prolonga os tempos de meia vida desses álcoois, sendo indicada hemodiálise. O tratamento tradicional dessas intoxicações consistia na administração de altas doses de etanol para se obter concentração sérica em torno de 100mg/dL (níveis de embriaguez). Como o etanol também é dialisável, há necessidade de aumentar a dose para manter os níveis de inibição emzimática. Embora mais dispendioso, o uso de fomepizol deve substituir o uso do etanol, particularmente, nos casos que envolvem crianças pequenas, em pacientes que ingeriram dissulfiram ou portadores de pancreatite e, também, quando não se dispõe de suporte laboratorial para uma rápida determinação dos níveis sangüíneos do etanol (para monitoramento do tratamento). Além disso, o etanol possui maior risco de efeitos adversos, como hipoglicemia. Para o fomepizol, a dose de ataque é de 15 mg/Kg, seguida de 4 doses de 10 mg/Kg a cada 12 horas e, depois, 15 mg/Kg a cada 12 horas , sempre por via EV, em infusão de 30 minutos, até que os níveis séricos de metanol e etilinoglicol estejam abaixo de 20mg/dL.

Grupo II - Antídotos e antagonistas indicados após avaliação


Embora a precocidade no uso seja fator condicionante de eficácia, a utilização de antídotos e antagonistas específicos não deve ser a primeira medida adotada diante de um paciente intoxicado. Muitas vezes, os possíveis benefícios podem ser menores que o risco da intoxicação. Portanto, a necessidade do seu emprego deve ser considerada através da avaliação adequada da ingestão de doses tóxicas ou através da interpretação do nível sérico do toxicante.


A seguir são detalhados alguns exemplos:

 N-Acetilcisteína (NAC) - é um agente mucolítico que tem sido usado com sucesso para prevenir hepatotoxicidade nas intoxicações por paracetamol. Este composto pode substituir o glutation hepático (como doador de grupos sulfidrilas -SH), ligando-se rapidamente ao metabólito intermediário e altamente eletrofílico, a N-Acetil-p-Benzoquinona-Imina, ou aumentado sua redução a paracetamol. Apresenta maior eficácia quando administrado dentro de 8-10 horas após a ingestão. Entretanto, são propostos outros mecanismos para diminuir a extensão do dano hepático como, por exemplo, modificação na produção de citocinas, seqüestro de radicais livres ou de oxigênio, mesmo quando administrado após 24 horas. Assim, o papel da NAC como um precursor de glutation e antioxidante tem sido a base de investigação para seu uso nas intoxicações causadas por agentes que se ligam a grupos sulfidrilas ou que apresentam mecanismo de toxicidade associado à produção de radicais livres ou estresse oxidativo. A necessidade do emprego deste antídoto deve ser considerada nos casos de ingestão de 140-150mg/Kg de paracetamol ou, se a concentração sérica, obtida após 4-24 horas após a ingestão, estiver em níveis que apresentem risco de lesão hepática, de acordo com o nomograma de Rumack-Matthew. Pode ser usado empiricamente, se a quantidade ingerida for desconhecida ou se a concentração sérica não for disponível.
• Azul de metileno – é indicado no tratamento das metemoglobinemias tóxicas, principalmente, nas intoxicações por nitritos, anilinas e derivados, compostos fenólicos (naftalina) e sulfonas (dapsona), entre outros. O azul de metileno é reduzido, pela enzima metemoglobina redutase e NADPH, a azul de leucometileno e este, por sua vez, reduz a metemoglobina a hemoglobina. A enzima G6PD (glicose -6-fosfato desidrogenase) é essencial para a geração de NADPH e, portanto, essencial para o funcionamento do azul de metileno como antídoto. Seu uso está indicado em pacientes com sintomas de hipóxia celular (dispnéia, confusão mental ou dor torácica) ou quando os níveis de metemoglobinemia excedem 30%. O efeito deste antídoto é relativamente breve e, em casos de intoxicação por substâncias que possuem meias-vida de eliminação prolongadas (ex.: a meia-vida da dapsona em dose terapêutica é de 30 horas e, em overdose chega a 77 horas), é freqüente a recorrência de metemoglobinemia, sendo eventualmente necessária a aplicação de doses adicionais do antídoto.
• Deferoxamina – é um agente quelante específico para o ferro. Liga-se ao ferro livre e compete pelo ferro da ferritina e hemossiderina. Não afeta o ferro localizado na transferrina, hemoglobina e citocromos, O complexo ferro-deferoxamina formado é hidrossolúvel e excretado pelos rins tornando a urina de cor vinho rosé. Reações in vitrodemonstraram que 100mg de deferoxamina é capaz de quelar 8,5mg de ferro elementar. Seu uso é indicado para níveis séricos de ferro superiores a 450mcg/dL ou na presença de sinais clínicos de importantes (acidose metabólica, choque, gastroenterite grave ou evidências de drágeas radiopacas no trato gastrintestinal).
• Pralidoxima (Contrathion®) – trata-se de um antídoto que reverte a inibição da enzima acetilcolinesterase reativando a enzima fosforilada e protegendo-a de inibição posterior. Sua ação é mais evidente sobre os efeitos nicotínicos revertendo as fasciculações e fraqueza de músculos esqueléticos. Sobre os efeitos muscarínicos tem menor eficácia do que os agentes antimuscarínicos (atropina e glicopirrolato) com os quais este antídoto é invariavelmente administrado. Está indicado apenas nas intoxicações por organofosforados (embora existam resultados clínicos positivos para inseticidas carbamatos que possuem atividade nicotínica). Deve ser empregado nos casos classificados como moderados ou graves que já apresentam sinais nicotínicos ou depressão do SNC.
• Octreotida – é um polipeptídio sintético análogo à somatostatina que suprime a liberação pancreática de insulina através de ligação ao receptor de somatostatina, com bloqueio do canal de cálcio. É, portanto, uma substância útil no manejo de intoxicações causadas por fármacos que induzem a secreção endógena de insulina como as sulfoniluréias (as mais utilizadas são gliburida, glipizida e clorpropamida) e outros hipoglicemiantes orais e também na intoxicação hipoglicêmica causada por quinino. A indicação de octeotrida deve ser considerada quando não há resposta ao uso de glicose (após a infusão de 1g/Kg) ou à ingestão de alimentos calóricos. Por ser um polipeptídio, é disponível apenas para administração parenteral (subcutânea ou intravenosa).
• Vitamina K (fitomenadiona) – é um co-fator essencial para a síntese hepática dos fatores de coagulação II, VII, IX e X. Em doses adequadas, a vitamina K reverte os efeitos inibitórios dost derivados cumarínicos e indandiônicos na síntese desses fatores. Somente a síntese de novos fatores é afetada e, assim, os efeitos anticoagulantes são retardados até que os fatores circulantes sejam degradados. Em geral, não se observam efeitos até 2-3 dias devido à meia-vida prolongada dos fatores IX e X (24-60 horas). Sua administração só é indicada quando houver prolongamento do tempo de protrombina (TP) e/ou sangramento ativo. Não é indicada para tratamento empírico nas ingestões de anticoagulantes, pois a maioria dos casos não requer tratamento.


Observações importantes:
1- a farmacocinética do agente tóxico e do antídoto ou antagonista deve ser considerada porque pode haver recorrência da síndrome tóxica se o antídoto for eliminado mais rapidamente que o toxicante, particularmente, nos casos em que o mecanismo de interação ocorre por competição no sítio-alvo ou por inibição da conversão em metabólitos tóxicos. Portanto, em certas situações pode ser necessária a aplicação de várias doses do antídoto ou antagonista ou administrá-lo por infusão contínua.
2- apesar de serem essenciais no tratamento de certos agentes tóxicos, o seu uso não exclui a necessidade de terapia de suporte continuada e, em alguns casos, eliminação extracorpórea.



EXTRAÍDO DE:
  • Toxicologia aplicada - http://ltc.nutes.ufrj.br/toxicologia/mIV.adm.htm