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Rape Drugs ou Boa Noite Cinderela

Resultado de imagem para boa noite cinderela“Rape Drugs” é o termo usado para designar certo número de drogas que tem como característica comum, o fato de deixarem indefesas as pessoas que as utilizam. São geralmente inodoras, incolores e sem sabor, facilmente adicionadas a uma bebida, sem o conhecimento da vítima. Há pelo menos três tipos de rape drugs : GHB, Flunitrazepan e Quetamina. Têm sido utilizadas também para ajudar na prática de outros crimes, como roubo. 
O Termo “Boa Noite Cinderela” tem origem no uso dessas drogas para dopar vítimas em potencial de assalto ou abuso. Essas drogas também são bastante difundidas entre jovens frequentadores de festas “raves”. 

As principais substâncias encontradas no Brasil são: 
• Benzodiazepínicos: flunitrazepam (Rohypnol®). 
• GHB ou ecstasy líquido. 
• Quetamina: special K, kit kat 

1. Flunitrazepam 
Produto do grupo dos benzodiazepínicos fluorados, o flunitrazepan, conhecido no comércio sob o nome Rohypnol®. Sua comercialização está autorizada em muitos países, inclusive europeus, como regulador dos distúrbios do sono, mas é proibido na América do Norte. Ele é usado como “rape drug”

Toxicocinética 
  • Após a administração oral, puro ou misturado em bebidas sua absorção é quase total. Ele tem um início de ação rápido, em 30 min, com pico plasmático em 2 horas. Só 10% a 15% são metabolizados durante sua primeira passagem pelo fígado, resultando numa biodisponibilidade de 85%, mas o produto é quase totalmente transformado antes de sua excreção (2% eliminado pela urina sob forma intacta). 
  • Os principais metabólitos ativos são 7-amino-flunitrazepam e o N-dimetil-flunitrazepam e ambos são eliminados pelos rins após glicuroconjugação. 
  • A meia-vida de eliminação do metabólito ativo N-dimetil-flunitrazepam é de 23 a 33 horas. 
  • Da dose administrada por via endovenosa, 50% são eliminados entre 16 e 35 h. 
  • Potencialização pelo álcool e outros depressores do sistema nervoso central. 

Quadro clínico e toxidade 
  • Seu mecanismo de ação se deve à sua alta capacidade de fixar-se em sítios específicos do sistema nervoso central (receptor GABA - benzodiazepínico), facilitando e potencializando o efeito inibitório mediado pelo ácido gama-aminobutírico (GABA). Sua afinidade guarda estreita relação com sua potência neurodepressora. 
  • A dose terapêutica para adultos é de 0,5 a 1 mg; e, em casos excepcionais, pode ser elevada a 2 mg. Em idosos, administra-se 0,5 mg e, em circunstâncias especiais, a dose pode ser elevada para 1 mg. 
  • Há relato de óbito em adulto, com uma ingesta de 28 mg. 
  • A dose tóxica estimada em crianças é de 0,015 a 0,030mg/kg. 
  • Em doses elevadas, o flunitrazepam causa amnésia anterógrada severa (perda da memória recente secundária ao efeito da droga), desorientação, confusão, perda de consciência, hipotensão, perda do controle muscular, depressão respiratória e, mais raramente, coma e morte. 
Diagnóstico 
  • Ele se baseia na anamnese detalhada e no exame físico. 
  • O diagnóstico laboratorial se faz por busca de benzodiazepínico em cromatografia em camada delgada, que constitui um teste rápido. 

Tratamento 
  • Como acontece com muitos produtos tóxicos, o tratamento é sintomático e requer medidas de suporte. 
  • Caso raro, os benzodiazepínicos têm um antídoto específico que é o flumazenil (Lanexat®), comercializado em ampolas de 5 mL com 0,5 mg (0,1 mg/mL) de produto ativo. 
  • As doses são, para crianças - 0,01 mg/kg, a cada 30 segundos, até haver recuperação da consciência ou até atingir um total de 1 mg e, para adultos, 0,3 mg, a cada 30 segundos, com um máximo de 5 mg. 
  • A dose de manutençãoé de 0,2 a 1 mg/h em infusão contínua. 

2. Quetamina 
  • A quetamina é um derivado da fenciclidina (PCP), criada em 1962 para ser usada como anestésico dissociativo para uso humano (cirurgias rápidas) e, principalmente, veterinário. Começou a ter funções recreativas nos anos 70 devido a seus efeitos alucinógenos. Atualmente está integrada no contexto de festas rave e como “rape drug”. Ela é encontrada sob a forma de pó branco, líquido ou tablete, podendo ser consumida por via oral, inalada ou venosa. 
Sinonímia: Hidrocloridrato de Quetamina: Special K, Vitamina K, Kit Kat, Super cid, Ketalar®, Ketaset®.

Mecanismo de ação 
  • Antagonista não competitivo do receptor glutamatergico N-Metil-D-Aspartato (NMDA).
  • Induz anestesia sem depressão respiratória. 
  • Inibe recaptação de noradrenalina, dopamina, serotonina. 
  • Atua nos receptores colinérgicos do SNC (bloqueio neuro-muscular) e nos receptores opióides (Analgesia).
Farmacocinética 
  • Início de ação: EV- de 30 a 40 segundos, IM - de 3 a 8 minutos, inalada – de 5 a 15 minutos e oral – de 5 a 30 minutos.
  • Duração da ação: Os efeitos primários da quetamina duram aproximadamente entre 30 a 45 minutos quando injetada, 45 a 60 minutos quando inalada, e entre 1 e 2 horas quando ingerida oralmente.
  • A metabolização se dá por via citocromo P-450 gerando metabólitos ativos.
  • A excreção se dá por via renal como metabólitos conjugados.
  • Meia-vida de 2 h, efeitos agudos por +/- 3h. 
Quadro clínico e toxidade 
  • Dose anestésica: 2 a 10 mg/kg.
  • As doses recreacionais variam de 30 a 300 mg. A dosagem para a quetamina inalada varia amplamente de 15 a 200 mg. Quando administrada IM, a dosagem varia geralmente entre 25 e125 mg. O uso oral normalmente demanda maior quantidade, entre 75 a 300 mg.
  • A dose letal mínima não está bem estabelecida. Há relatos de óbitos com doses de 900 a 1000 mg. 
  • Baixas doses à Dissociação: alucinações, ilusões, desrealização, despersonalização, desaceleração do tempo, estado onírico, percepções extracorporais, atenção, aprendizagem e memória ficam prejudicados. 
  • Doses maiores: vômitos, distúrbios da fala, amnésia, taquicardia, hipertensão, midríase, agitação, delirium, intensa dissociação (K-hole, K-Land), experiências “near-death”, hipotermia, Distúrbios visuais e flash-backs. 
  • Em casos mais graves, depressão respiratória, apnéia, convulsões, rabdomiólise. 
Diagnóstico 
  • Anamnese e exame físico
  • Toxicológico: CCD positivo para PCP (Fenciclidina). 
Tratamento 
  • Medidas de descontaminação G.I. quando indicado.
  • Tratamento sintomático e suporte ventilatório se necessários. 

EXTRAÍDO DE: 
  • http://ltc-ead.nutes.ufrj.br/toxicologia/mVIII.assa.htm

Antídotos e Antagonistas

Os antídotos e antagonistas específicos são substâncias químicas que, por diferentes formas e por mecanismos antagônicos, reduzem ou revertem os efeitos nocivos dos agentes tóxicos.
Quanto ao tipo de ação que desempenham, podem ser classificados em antídotos e antagonistas que:

TIPO DE AÇÃO

ANTÍDOTOS/ANTAGONISTAS
Impedem a formação de metabólitos tóxicos 

  • N-Acetilcisteína nas intoxicações por paracetamol 
  • Etanol ou fomepizol nas intoxicações por metanol e etilenoglicol
Ligam-se ao agente tóxico formando complexos menos tóxicos e de fácil excreção renal (quelação) 

  • deferoxamina para ferro; 
  • D-Penicilamina para o cobre; e 
  • EDTA cálcico para o chumbo;
Adsorvem o agente tóxico impedindo sua absorção

  • carvão ativado para a drogas adsorvíveis; 
  • terra de Füller para o herbicida paraquate; 
  • amido para o iodo;
Exercem ação competitiva sobre o sítio alvo

  • naloxona nas intoxicações por opióides; 
  • flumazenil nas intoxicações por benzodiazepínicos; 
  • atropina e acetilcolina nas intoxicações por anticolinesterásicos; 
  • propranolol nas intoxicações por beta-adrenérgicos (salbutamol, terbutalina);
  • oxigênio nas intoxicações por monóxido de carbono;
Atuam corrigindo distúrbios funcionais ou dano celular produzido pelo agente tóxico 

  • pralidoxima na recuperação da inibição da enzima acetilcolinesterase inibida por organofosforados; 
  • biperideno para a correção dos distúrbios extrapiramidais induzidos por drogas como metoclopramida e fenotiazínicos; 
  • gluconato de cálcio para correção da hipocalcemia produzida por fluoretos;
  • dantrolene no controle da hipertermia maligna;
Atuam por mecanismos imunológicos 

  • soros antipeçonhentos usados nos acidentes ofídicos, aracnídicos, escorpiônicos e por Lonomia
  • fragmentos Fab antidigoxina.

Essas substâncias têm importante função no tratamento das intoxicações. Possuem a ação mais específica, mais eficaz e, muitas vezes, mais rápida dentre todas as substâncias ou métodos com utilidade terapêutica em Toxicologia Clínica. Podem reduzir significativamente a morbidade e a mortalidade em certas intoxicações, mas, não são disponíveis para a maioria dos agentes tóxicos e, segundo estimativas, são utilizados em apenas 1% dos casos.

As indicações para o uso de antídotos e antagonistas devem seguir os seguintes critérios:
  • Especificidade de ação frente ao agente tóxico;
  • Condições clínicas que justifiquem o seu uso (intoxicações graves ou com prognóstico de severidade);
  • Concentrações sanguíneas do toxicante em níveis potencialmente tóxicos ou letais (por determinação analítica ou por estimativa através da dose ingerida);
  • Os benefícios terapêuticos superem os riscos, uma vez que os antídotos também possuem toxicidade intrínseca;
  • Ausência de contraindicações.

Os antídotos e antagonistas podem ser agrupados em duas categorias:

Grupo I - Antídotos e antagonistas indicados precocemente


Algumas intoxicações exigem o emprego imediato de determinados agentes específicos e, alguns deles, possuem papel preponderante na fase de reanimação do paciente, sendo denominados de antídotos ou antagonistas reanimadores. Essas substâncias, juntamente com outros medicamentos habituais (adrenalina, bicarbonato, lidocaína, glicose, etc), devem compor as caixas de primeiros socorros utilizadas em emergências médicas. A seguir são descritos alguns exemplos:

• Atropina – inibe a ação da acetilcolina por competição nos receptores muscarínicos. Sua administração está indicada nas intoxicações por anticolinesterásicos (agrotóxicos organofosforados e carbamatos) e diante de manifestações muscarínicas: miose, turvação visual, sudorese, hipersecreção brônquica, bradicardia (ou taquicardia), hiperperistaltismo e, eventualmente, diarréia. Esta sintomatologia, em geral, precede os sinais de comprometimento muscular (paresias, paralisias, fasciculações) e, nos casos graves, estupor e coma. As doses recomendadas são 1-4 mg/dose, EV, em adultos e, 0,01-0,05 mg/Kg/dose, EV, em crianças. Pode-se repetir a cada 15-30 minutos até que o paciente apresente sinais de atropinização: ressecamento de secreções e de mucosas e aumento da freqüência cardíaca (superior a 120 bpm). Alcançados esses parâmetros, deve-se ajustar a dose para manutenção desses efeitos. Seu uso deve ser suspenso gradualmente, sendo restituído se reaparecerem os sinais colinérgicos muscarínicos.
A atropina também está indicada em casos de bloqueio de condução nas intoxicações por digitálicos, betabloqueadores e antagonistas de cálcio. O parâmetro clínico para sua indicação é freqüência cardíaca inferior a 40 bpm. devendo ser administrada com cautela em pacientes idosos ou portadores de cardiopatia isquêmica e arritmias prévias.

• Flumazenil – trata-se de um inibidor competitivo altamente específico dos receptores dos benzodiazepínicos no SNC e, portanto, capaz de reverter o coma induzido por esses compostos. Como já mencionado, é útil não apenas na etapa de diagnóstico (por sua especificidade de ação), mas também como substância reanimadora. A administração rotineira a pacientes comatosos, com suspeita de intoxicação benzodiazepínica, pode precipitar convulsões e piorar a evolução clínica de pacientes intoxicados. Seu emprego é formalmente contra-indicado em pacientes em uso crônico de benzodiazepínicos ou que apresentam convulsões (mesmo febris) ou mioclonias e naqueles em que há confirmação ou suspeita de coingestão de outras drogas que possuem baixo limiar para convulsão (antidepressivos tricíclicos, lítio, cocaína, isoniazida, inibidores da MAO, etc.). Nesses casos, recomenda-se a realização de eletrocardiograma antes da administração de flumazenil para verificar possíveis anormalidades usualmente encontradas nas intoxicações por antidepressivos tricíclicos, como taquicardia sinusal e prolongamento do intervalo QRS. A dose para adultos, por via EV, é de 0,2-0,3mg, durante 30 segundos e, repetindo-se a cada minuto, até se obter o nível de consciência desejado, até um total de 3 mg. Em crianças, recomenda-se o uso de 0,01mg/Kg, repetindo-se minuto a minuto, até dose máxima de 1mg. O flumazenil tem curta duração de ação, variando de 20 a 40 minutos.

• Naloxona – é um antagonista de ação competitiva nos receptores opiódes (mu, kappa e delta) no SNC e, portanto, reverte a parada respiratória e o coma induzido por heroína, codeína, morfina e outros opiáceos sintéticos (meperidina, metadona, paregórico, difenoxilato, fentanil, propoxifeno, etc.). Este antagonista não previne o desenvolvimento de edema pulmonar não cardiogênico que pode ocorrer nessas intoxicações. Assim como o flumazenil, tem dupla utilidade: diagnóstica e terapia reanimadora. Sua ação é rápida e pode ser fundamental no diagnóstico diferencial do coma, evitando exames desnecessários (punção lombar, tomografia de crânio) ou mesmo procedimentos invasivos (intubação endotraqueal). Apesar de seu efeito específico e altamente eficaz, nem sempre deverá substituir as medidas de reanimação (intubação, ventilação, oxigênio) em casos de parada respiratória. Para crianças, a dose inicial recomendada, por via EV, é de 0,01mg/Kg e, crianças maiores, utiliza-se uma dose mínima de 2 mg, podendo ser repetida após 3 minutos, até o máximo de 10mg. Em adultos, emprega-se 0,4 a 2mg e, se necessário, repete-se em intervalos de 2-3 minutos, até a dose total de 10mg. Se após o uso dessa dosagem, não houver resposta, o diagnóstico de intoxicações por opióide deve ser revisto. No Brasil, não se justifica a administração rotineira de naloxone a todo paciente comatoso, a menos que exista história ou evidência clínica de intoxicação opiácea.

• Oxigênio – a oxigenioterapia é de uso habitual e inespecífico nas intoxicações que cursam com hipoxemia devido à hipoventilação (agentes depressores do SNC) ou por outras causas (broncoaspiração, edema pulmonar, etc.). Além dessa ação inespecífica, o oxigênio age como um antagonista na intoxicação por monóxido de carbono (CO). A ligação do CO à hemoglobina forma carboxihemoglobina e diminui a proporção de oxihemoglobina originando hipóxia celular (sem hipoxemia) por déficit de transporte de oxigênio às células. Nesses casos, o oxigênio competirá com o CO pela ligação à hemoglobina e deve ser administrado na máxima concentração possível. A precocidade na aplicação da oxigenioterapia (removendo o paciente da fonte de exposição) é de extrema importância para se evitar lesões por anóxia. O oxigênio também é empregado em outras intoxicações que provocam hipóxia tecidual (metemoglobinemias, cianeto e gás sulfídrico).

• Nitrito de amila, nitrito de sódio 3% e tiossulfato de sódio 25% - essas três substâncias são utilizadas nas intoxicações por cianeto e compõem o “Kit cianeto”. Assim que for confirmada a intoxicação por cianeto e tomadas as medidas iniciais e de descontaminação, inicia-se imediatamente a administração dos antídotos específicos, na seguinte ordem: 1º nitrito de amila (por inalação), 2º nitrito de sódio (por via EV) e 3º tiossulfato de sódio (EV). Os nitritos oxidam a hemoglobina formando metemoglobina que se liga ao cianeto livre. Essas substâncias também aumentam a destoxificação endotelial do cianeto por produção de vasodilatação. As doses recomendadas são:
1º- Nitrito de amila: é uma substância muito volátil e deve ter suas ampolas quebradas de forma a possibilitar a inalação pelo paciente enquanto o acesso venoso e as outras drogas são providenciadas. Produz um nível de metemoglobina de 5%.
2º- Nitrito de Sódio 3%: em adultos devem ser administrados 300 mg (10mL da solução) EV em 3-5 minutos. Em crianças, a dose deve ser adaptada segundo a concentração de hemoglobina. A administração EV de uma única dose produz um nível de metemoglobina de 20-30%. A oxidação da hemoglobina para metemoglobina ocorre em 30 minutos. Se não houver resposta, pode ser administrada metade da dose inicial.
3º- Tiosulfato de Sódio 25%: é um doador de enxofre que promove a conversão do cianeto em tiocianato (menos tóxico) pela ação da enzima sulfurtransferase (rodanase). Pode ser administrado sozinho ou em combinação com nitritos. Em adultos são administrados 50ml da solução EV também de forma lenta; para crianças a dose é de 1,65ml/kg da mesma solução, também EV e de forma lenta.
A administração de vasopressores pode ser necessária uma vez que os nitritos podem causar hipotensão por vasodilatação.

• Fomepizol (4-metilpirazol)- é um potente inibidor da desidrogenase alcoólica, a primeira enzima responsável pela biotransformação do etanol e de outros álcoois. Este medicamento previne a formação de metabólitos altamente tóxicos, formaldeído e ácido fórmico nas intoxicações por metanol, e glicoaldeído e os ácidos glicólico e oxálico, nas intoxicações por etilenoglicol. Este procedimento prolonga os tempos de meia vida desses álcoois, sendo indicada hemodiálise. O tratamento tradicional dessas intoxicações consistia na administração de altas doses de etanol para se obter concentração sérica em torno de 100mg/dL (níveis de embriaguez). Como o etanol também é dialisável, há necessidade de aumentar a dose para manter os níveis de inibição emzimática. Embora mais dispendioso, o uso de fomepizol deve substituir o uso do etanol, particularmente, nos casos que envolvem crianças pequenas, em pacientes que ingeriram dissulfiram ou portadores de pancreatite e, também, quando não se dispõe de suporte laboratorial para uma rápida determinação dos níveis sangüíneos do etanol (para monitoramento do tratamento). Além disso, o etanol possui maior risco de efeitos adversos, como hipoglicemia. Para o fomepizol, a dose de ataque é de 15 mg/Kg, seguida de 4 doses de 10 mg/Kg a cada 12 horas e, depois, 15 mg/Kg a cada 12 horas , sempre por via EV, em infusão de 30 minutos, até que os níveis séricos de metanol e etilinoglicol estejam abaixo de 20mg/dL.

Grupo II - Antídotos e antagonistas indicados após avaliação


Embora a precocidade no uso seja fator condicionante de eficácia, a utilização de antídotos e antagonistas específicos não deve ser a primeira medida adotada diante de um paciente intoxicado. Muitas vezes, os possíveis benefícios podem ser menores que o risco da intoxicação. Portanto, a necessidade do seu emprego deve ser considerada através da avaliação adequada da ingestão de doses tóxicas ou através da interpretação do nível sérico do toxicante.


A seguir são detalhados alguns exemplos:

 N-Acetilcisteína (NAC) - é um agente mucolítico que tem sido usado com sucesso para prevenir hepatotoxicidade nas intoxicações por paracetamol. Este composto pode substituir o glutation hepático (como doador de grupos sulfidrilas -SH), ligando-se rapidamente ao metabólito intermediário e altamente eletrofílico, a N-Acetil-p-Benzoquinona-Imina, ou aumentado sua redução a paracetamol. Apresenta maior eficácia quando administrado dentro de 8-10 horas após a ingestão. Entretanto, são propostos outros mecanismos para diminuir a extensão do dano hepático como, por exemplo, modificação na produção de citocinas, seqüestro de radicais livres ou de oxigênio, mesmo quando administrado após 24 horas. Assim, o papel da NAC como um precursor de glutation e antioxidante tem sido a base de investigação para seu uso nas intoxicações causadas por agentes que se ligam a grupos sulfidrilas ou que apresentam mecanismo de toxicidade associado à produção de radicais livres ou estresse oxidativo. A necessidade do emprego deste antídoto deve ser considerada nos casos de ingestão de 140-150mg/Kg de paracetamol ou, se a concentração sérica, obtida após 4-24 horas após a ingestão, estiver em níveis que apresentem risco de lesão hepática, de acordo com o nomograma de Rumack-Matthew. Pode ser usado empiricamente, se a quantidade ingerida for desconhecida ou se a concentração sérica não for disponível.
• Azul de metileno – é indicado no tratamento das metemoglobinemias tóxicas, principalmente, nas intoxicações por nitritos, anilinas e derivados, compostos fenólicos (naftalina) e sulfonas (dapsona), entre outros. O azul de metileno é reduzido, pela enzima metemoglobina redutase e NADPH, a azul de leucometileno e este, por sua vez, reduz a metemoglobina a hemoglobina. A enzima G6PD (glicose -6-fosfato desidrogenase) é essencial para a geração de NADPH e, portanto, essencial para o funcionamento do azul de metileno como antídoto. Seu uso está indicado em pacientes com sintomas de hipóxia celular (dispnéia, confusão mental ou dor torácica) ou quando os níveis de metemoglobinemia excedem 30%. O efeito deste antídoto é relativamente breve e, em casos de intoxicação por substâncias que possuem meias-vida de eliminação prolongadas (ex.: a meia-vida da dapsona em dose terapêutica é de 30 horas e, em overdose chega a 77 horas), é freqüente a recorrência de metemoglobinemia, sendo eventualmente necessária a aplicação de doses adicionais do antídoto.
• Deferoxamina – é um agente quelante específico para o ferro. Liga-se ao ferro livre e compete pelo ferro da ferritina e hemossiderina. Não afeta o ferro localizado na transferrina, hemoglobina e citocromos, O complexo ferro-deferoxamina formado é hidrossolúvel e excretado pelos rins tornando a urina de cor vinho rosé. Reações in vitrodemonstraram que 100mg de deferoxamina é capaz de quelar 8,5mg de ferro elementar. Seu uso é indicado para níveis séricos de ferro superiores a 450mcg/dL ou na presença de sinais clínicos de importantes (acidose metabólica, choque, gastroenterite grave ou evidências de drágeas radiopacas no trato gastrintestinal).
• Pralidoxima (Contrathion®) – trata-se de um antídoto que reverte a inibição da enzima acetilcolinesterase reativando a enzima fosforilada e protegendo-a de inibição posterior. Sua ação é mais evidente sobre os efeitos nicotínicos revertendo as fasciculações e fraqueza de músculos esqueléticos. Sobre os efeitos muscarínicos tem menor eficácia do que os agentes antimuscarínicos (atropina e glicopirrolato) com os quais este antídoto é invariavelmente administrado. Está indicado apenas nas intoxicações por organofosforados (embora existam resultados clínicos positivos para inseticidas carbamatos que possuem atividade nicotínica). Deve ser empregado nos casos classificados como moderados ou graves que já apresentam sinais nicotínicos ou depressão do SNC.
• Octreotida – é um polipeptídio sintético análogo à somatostatina que suprime a liberação pancreática de insulina através de ligação ao receptor de somatostatina, com bloqueio do canal de cálcio. É, portanto, uma substância útil no manejo de intoxicações causadas por fármacos que induzem a secreção endógena de insulina como as sulfoniluréias (as mais utilizadas são gliburida, glipizida e clorpropamida) e outros hipoglicemiantes orais e também na intoxicação hipoglicêmica causada por quinino. A indicação de octeotrida deve ser considerada quando não há resposta ao uso de glicose (após a infusão de 1g/Kg) ou à ingestão de alimentos calóricos. Por ser um polipeptídio, é disponível apenas para administração parenteral (subcutânea ou intravenosa).
• Vitamina K (fitomenadiona) – é um co-fator essencial para a síntese hepática dos fatores de coagulação II, VII, IX e X. Em doses adequadas, a vitamina K reverte os efeitos inibitórios dost derivados cumarínicos e indandiônicos na síntese desses fatores. Somente a síntese de novos fatores é afetada e, assim, os efeitos anticoagulantes são retardados até que os fatores circulantes sejam degradados. Em geral, não se observam efeitos até 2-3 dias devido à meia-vida prolongada dos fatores IX e X (24-60 horas). Sua administração só é indicada quando houver prolongamento do tempo de protrombina (TP) e/ou sangramento ativo. Não é indicada para tratamento empírico nas ingestões de anticoagulantes, pois a maioria dos casos não requer tratamento.


Observações importantes:
1- a farmacocinética do agente tóxico e do antídoto ou antagonista deve ser considerada porque pode haver recorrência da síndrome tóxica se o antídoto for eliminado mais rapidamente que o toxicante, particularmente, nos casos em que o mecanismo de interação ocorre por competição no sítio-alvo ou por inibição da conversão em metabólitos tóxicos. Portanto, em certas situações pode ser necessária a aplicação de várias doses do antídoto ou antagonista ou administrá-lo por infusão contínua.
2- apesar de serem essenciais no tratamento de certos agentes tóxicos, o seu uso não exclui a necessidade de terapia de suporte continuada e, em alguns casos, eliminação extracorpórea.



EXTRAÍDO DE:
  • Toxicologia aplicada - http://ltc.nutes.ufrj.br/toxicologia/mIV.adm.htm 


Lista de substâncias e métodos proibidos - Antidopagem

É chamado de Doping, o uso de qualquer droga ou medicamento que possa aumentar o desempenho dos atletas durante uma competição. O uso de medicamentos por alguns atletas, além de trazerem riscos a saúde, é antiético, pois nesse caso, não há igualdade de condições entre os atletas.

Existe uma lista contendo todas as substâncias e métodos proibidos. Essa lista é um Padrão Internacional obrigatório que é parte do Programa Mundial Antidopagem. A Lista é atualizada anualmente após um extenso processo de consulta mediado pela AMA. Os critérios de inclusão ou exclusão são três:

  • O potencial ou efetivo ganho de desempenho esportivo;
  • O real ou potencial risco à saúde do Atleta; e,
  • As que violem o espírito do esporte com definição no próprio código.

A Lista de substâncias e métodos proibidos está distribuída da seguinte maneira:
  • Substâncias e métodos proibidos em todos os momentos (dentro e fora de competição) em conformidade com o artigo 4.2.2 do código mundial antidopagem, todas as substâncias proibidas são consideradas como “substâncias especificadas” exceto as substâncias nas classes s1, s2, s4.4, s4.5, s6.a, e métodos proibidos m1, m2 e m3
  • Substâncias e métodos proibidos em competição as seguintes categorias são proibidas em competição, para além das incluídas nas categorias s0 a s5 e m1 a m3, descritas anteriormente:
  • Substâncias proibidas em alguns esportes em particular.
E dividida para fins processuais de sanção-base em ESPECIFICADAS, com potencial de redução de sanção pela ingestão inadvertida não intencional ou NÃO ESPECIFICADAS. Vide Código.
As substâncias ESPECIFICADAS não são necessariamente menos nocivas à saúde ou de menor potencial de violação a ponto de aliviar a responsabilidade objetiva do atleta por tudo o que ingere e é encontrado em seu organismo. (Strict Liability) 

Segue o link do drive:


Dedaleira: um glicosídeo cardíaco


A dedaleira pode ser cultivada como medicinal, por conter digitalina, e também como ornamental. O problema de utilizar a dedaleira em ornamentação é que ela é extremamente cardiotóxica, podendo causar paralisia e até morte súbita.
A digitoxina tem 90 a 100% de absorção gastrointestinal e forma complexos com as proteínas plasmáticas.

DROGAS RICAS EM CARDIOTÔNICOS

Sinonímia Científica: Digitalis purpurea L.
Sinonímia vulgar: Dedaleira, Abeloura, Digital, Digitalina, Erva-albiloura, Erva-dedal
Propriedades: cardiotônica (inotrópico +)
Partes Utilizadas: folhas, flores
Princípio ativo: digitalina, digitoxina e digitonina.
Indicações/Uso: Ornamentação, insuficiência cardíaca, arritmia






Sinonímia Científica: Digitalis lanata
Sinonímia vulgar: Dedaleira, digital lanosa
Propriedades: cardiotônica (inotrópico +)
Partes Utilizadas: folhas, flores
Princípio ativo: digitalina, digitoxina e digitonina.
Indicações/Uso: Ornamentação, insuficiência cardíaca, arritmia

Estrutura química de Digoxina
Digoxina






A digitoxina (lanata e purpúrea) é indicada para diversos eventos cardíacos, tais como:
  • Insuficiência cardíaca congestiva (ICC) sintomática, associada a disfunção sistólica ventricular esquerda;
  • Controlo da frequência ventricular em pacientes com fibrilação ou flutter auricular. Atualmente, é o fármaco menos potente e com início de ação mais lento no tratamento desta patologia;
  • Diminuição do ritmo cardíaco quando a taquicardia é causada por ICC;
  • Prevenção e tratamento de taquicardias supraventriculares paroxísticas – taquicardia auricular paroxística, fibrilação/flutter auricular paroxística.

MECANISMO DE AÇÃO:
Os glicosídeos cardíacos, grupo onde se insere a digitoxina, têm como mecanismo de ação a inibição da bomba Na+/K+ ATPase, o que provoca o aumento de Na+ intracelular, a ativação do trocador Na+/Ca2+ e consequentemente uma elevação do Ca2+ intracelular (e, consequentemente, a ativação do complexo actina/miosina que leva a contração), por troca com o Na+. São glicosídeos que exercem um grande efeito sobre o músculo cardíaco. Tem efeito específico sobre a contração miocárdica e na condução atrioventricular.
Figura 1. Mecanismo de ação da digitoxina.
A sobrecarga de cálcio pode provocar cardiotoxicidade, como a diminuição do potencial de membrana e contrações ventriculares prematuras, entre outros efeitos.
Uma vez que aumenta o Ca2+ celular, a digitoxina tem efeito inotrópico positivo mas ao retardar a condução AV apresenta um efeito cronotrópico negativo. A digoxina é perigosa por ter baixo índice terapêutico.

As partes açúcar e aglicona são fundamentais para a atividade biológica. É possível que a parte açúcar seja responsável pela ligação do glicosídeo ao músculo cardíaco e a porção aglicona exerça o efeito sobre o músculo cardíaco após a ligação. O anel lactona é essencial para a ação farmacológica. 
É empregado na ICC, tendo ação inotrópica + (força de contração). São caracterizados por serem compostos extremamente tóxicos, com índice terapêutico muito tóxico, cuja estrutura química básica foi identificada como sendo composta por açúcar (posição 3), esteroide e anel lactônico (posição 17).
As agliconas dos glicosídeos cardíacos são esteroides cuja cadeia lateral contém um anel lactona insaturado, seja uma γ-lactona de 6 membros (cardenolídeo: α e β insaturado) ou uma δ-lactona de 6 membros (bufadienolídeo: α, β, γ e δ insaturados).

Características fundamentais:
·         Anel lactônico C17B
·         Encadeamento  X=C-C=C
·         C/D cis (mesmo plano)

Características que favorecem:
·         Junção do anel: A/B cis e B/C trans
·         Cadeia osídica C3B

Características que desfavorecem:
·         Junção do anel: A/B trans
·         Esterificação da cadeia osídica


 
INTOXICAÇÃO:
Os principais sinais de intoxicação por Digitalis purpurea podem ser descritos como dor abdominal, tontura, dispnéia, alterações rítmicas cardíacas, náuseas, ataxia, convulsões, hipotensão, choque, colapso e morte.
Como qualquer intoxicação, a intoxicação com digitálicos é uma situação perigosa, tanto mais perigosa quanto mais estiver comprometido o equilíbrio hidreletrolítico. Deve evitar-se o uso de aminas simpaticomiméticas e a administração de cálcio.
O tratamento a ser realizado é o suporte, ou de sintomas.
Primeiramente, deve-se recorrer a uma lavagem gástrica, hidratação com recurso a fluidos via IV, oxigenação e, entre outras coisas, na descontinuação do fármaco. 
Pode-se recorrer a fenitoína, bloqueadores beta, lidocaína, atropina e um anticorpo específico antidigitoxina (Fab). Utiliza-se a fenitoína e os bloqueadores beta no tratamento de extrassístoles e taquicardias, a lidocaína pode ser usada em situações de taquicardia ventricular e a atropina em casos de bloqueios auriculoventriculares.

Fonte:


  • https://sites.google.com/site/toxidigitoxina2012/home
  • http://www.jardineiro.net/plantas/dedaleira-digitalis-purpurea.html
  • http://www.plantamed.com.br/plantaservas/especies/Digitalis_purpurea.htm 

Teste do Bafômetro: dá para escapar?

Em 1954, um médico do Departamento de Polícia de Indiana (Estados Unidos) desenvolveu um aparelho que seria capaz de identificar a concentração de álcool no sangue por meio da análise do ar presente nos pulmões. Em vez de sistemas eletrônicos, os bafômetros do doutor Robert Borkenstein realizavam misturas químicas com várias soluções, sendo que a concentração alcoólica era revelada pela análise da cor do líquido gerado na reação – e não mostrada em um visor eletrônico, como acontece atualmente.
Todos os tipos de bafômetros são baseados em reações químicas.  Os reagentes mais comuns são dicromato de potássio e célula de combustível. A diferença entre estes dois reagentes é que o dicromato muda de cor na presença do álcool enquanto a célula gera uma corrente elétrica.

O passo-a-passo do funcionamento do bafômetro

Você dá um gole e, em poucos segundos, o álcool começa a ser absorvido pelo estômago, cai na corrente sanguínea e passa em forma de vapor para os pulmões. O processo inverso é bem mais longo. 
É necessário 1 litro e meio de ar para fazer a medição, um sopro de cerca de 5 segundos.

1. Com a ajuda de um catalisador, o álcool expirado reage com o oxigênio presente no aparelho.
2. A reação libera ácido acético, íons de hidrogênio e elétrons.
3. Os elétrons passam por um fio condutor, gerando corrente elétrica. Quanto mais álcool, maior a corrente: um chip faz as contas e dá a concentração de álcool no sangue.
4. Ao fim do processo, sobra só água na forma de vapor.


A margem de erro do aparelho é de 0,007 mg/l (para quantidades menores de 0,4 mg/l), ou seja, cerca de 1%, segundo o INMETRO.

Veja quanto tempo, em média, uma dose leva para desaparecer do seu corpo:
  • Um copo de cerveja (350 ml) - 1 hora
  • Uma dose de pinga, tequila ou uísque (50 ml) - 1 h e 15 min
  • Uma dose de vinho (150 ml) - 1 h e 25 min

Veja algumas das principais influências negativas do álcool sobre o motorista:
  • Exige mais tempo de reação para que os motoristas escapem de acidentes;
  • Diminui a capacidade de desviar a atenção para pontos mais relevantes (fixação);
  • Limita a percepção dos motoristas.
Etanol no sangue (gramas/litro)EstágioSintomas
0,1 a 0,5SobriedadeNenhuma influência aparente.
0,3 a 1,2EuforiaPerda de eficiência, diminuição da atenção, julgamento e controle
0,9 a 2,5ExcitaçãoInstabilidade das emoções, incoordenação muscular. Menor inibição. Perda do julgamento crítico
1,8 a 3,0ConfusãoVertigens, desequilíbrio, dificuldade na fala e distúrbios da sensação.
2,7 a 4,0EstuporApatia e inércia geral. Vômitos, incontinência urinária e fezes.
3,5 a 5,0ComaInconsciência, anestesia. Morte
Acima de 5MorteParada respiratória
Dirigir embriagado é uma infração gravíssima. Se ao soprar o bafômetro sua taxa de álcool no sangue der entre 0,1mg/L e 0,3mg/L você terá retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e recolhimento do documento de habilitação, terá seus direitos de dirigir suspensos por um ano e arcará com a multa de R$ 1.915,40. Contudo, se sua taxa de álcool no sangue der entre 0,4mg/L e 6dg/L, além de você perder a carteira, ter seu direito de dirigir suspenso por um ano e pagar a multa, você será preso em flagrante e responderá um processo penal.

Dá pra enganar o bafômetro?

Algumas pessoas acham que o bafômetro é medido pelo hálito e utilizam algumas técnicas para tentar enganar:
  • Tomar azeite: Não funciona.
  • Mascar chiclete: Só engana o parceiro, mas não o bafômetro.
  • Encher a boca de carvão ativado: Como é muito poroso, o carvão absorveria as moléculas voláteis de álcool na boca, antes que ele chegasse ao aparelho. Funciona pouco. Não o suficiente para evitar uma perda de carteira.
  • hiperventilação: Inspirar muito ar e depois expirar tudo, repetidas vezes, com força e velocidade, por 20 segundos, aumentaria a concentração de oxigênio nos pulmões, diminuindo a concentração de álcool na baforada. 
Reduz em quase 25% a concentração momentânea do álcool nos pulmões. Mas não se engane: essa variação dura pouco e só salva quem bebeu um copinho de cerveja. Se for mais que isso, a multa e a apreensão vêm do mesmo jeito.
  • Absorvente com Vodca: Não é suficiente, além de perigoso.
Alguns jovens tem utilizado essa e outras técnicas para fugir do teste do bafômetro. Os riscos para quem consome álcool (ânus e vagina) são exatamente os mesmos dos métodos convencionais. O que conta é a quantidade de álcool ingerida, porque independente de onde for, o corpo vai absorver do mesmo jeito. O grande problema é o uso abusivo do álcool, independente da via.
No entanto, além do comportamento extremamente invasivo ao corpo, o ânus, por exemplo, tem mais terminações nervosas e mucosas mais expostas, o que causa uma absorção mais rápida e compromete a percepção da quantidade ingerida.

O único jeito de enganar o bafômetro é a seguinte forma:


FONTE

  • http://super.abril.com.br/tecnologia/como-funciona-bafometro-447645.shtml
  • http://www.tecmundo.com.br/infografico/23251-como-funciona-o-bafometro-infografico-.htm
  • http://pt.wikipedia.org/wiki/Baf%C3%B4metro
  • http://advogadoembrasilia.wordpress.com/2013/01/22/fui-pego-no-bafometro-e-agora/
  • http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/05/jovens-consomem-alcool-pelo-anus.html
  • http://www.cnt.org.br/Imagens%20CNT/teste_bafometro.jpg
  • http://xpock.com.br/wp-content/uploads/2011/07/cerveja.jpg

Toxina Botulínica

A Toxina Botulínica ( Clostridium botulinum ) é uma exotoxina bacterianas, ao lado da toxina tetânica e da diftérica. É um dos venenos mais potentes. O tratamento com a antitoxina só é eficaz se realizado precocemente. Ocasiona paralisia dos músculos respiratórios, podendo levar a morte. A dose letal para adultos é de 0,000003 mg (3 x 10-6).



http://www.lookfordiagnosis.com/mesh_info.php?term=Clostridium+Botulinum&lang=3

As toxinas botulínicas são produzidas pela bactéria anaeróbia esporulada Clostridium botulinum. São bastonetes Gram-positivas e formam Neurotoxinas termossensíveis ou termolábeis.

MECANISMO DE AÇÃO

A toxina liga-se à membrana pré-sináptica colinérgica e cliva proteínas envolvidas na exocitose da acetilcolina.

A toxina botulínica (TB) provoca paralisação muscular inibindo a acetilcolina na junção neuromuscular (JNM) e provocando denervação química.

O mecanismo de inibição da liberação de acetilcolina segue um processo de três etapas:
  • A etapa inicial é a ligação da toxina a receptores específicos localizados no neurônio pré-sináptico da JNM. Embora a toxina seja mais específica para os receptores terminais da unidade motora, a ligação ocorre também nos gânglios colinérgicos autônomos, mas a um grau muito menor. Como resultado, apenas grandes exposições à TB estão associadas com efeitos simpáticos. A TB é normalmente incapaz de cruzar a barreira hematoencefálica e geralmente não exerce nenhum efeito no sistema nervoso central. O tempo “in vivo” necessário para a ligação da toxina a esses receptores é desconhecido, mas tem sido estimado em pelo menos 30 minutos. 
  • A segunda etapa envolve a internalização da toxina ligada no citosol nervoso por meio da endocitose mediada pelo receptor dependente de energia. 
  • Contudo, é no citoplasma no neurônio-alvo que ocorre a terceira etapa do envenenamento, a inibição da liberação de acetilcolina. Esse é um processo enzimático que requer o zinco como um co-fator. A TB é uma metaloendoprotease de zinco altamente conservada que inativa (por meio de clivagem enzimática) componentes específicos do mecanismo neuroexocitótico.


http://www.actafisiatrica.org.br/imagebank/images/v16n1a05-fig08b.jpg


SEROTIPOS

Oito serotipos distintos de toxina botulínica foram isolados. Sete serotipos (neurotoxinas) foram purificados e classificados de A a G. A toxina do tipo A é reconhecida como a mais potente. Os serotipos B e F também estão sendo estudados e explorados para fins terapêuticos. 
  • Tipos A, B, E, F e G causam doença em humanos;
  • Tipo C alfa e beta: causam botulismo em aves, gado e outros animais;
  • Tipo D: associado com intoxicações por ingestão de forragens pelo gado.

Todas as toxinas botulínicas são termolábeis e podem ser inativadas por ebulição.

A Toxina botulínica A (TBA) é uma mistura de 880 K Dalton de proteínas não tóxicas e a neurotoxina toxina botulínica. A neurotoxina toxina botulínica consiste em duas subunidades: uma cadeia pesada de 100 K Dalton e uma cadeia leve de 50 K Dalton. A seguir, os complexos resultantes se dimerizam para formar o composto. Esse dímero inibe a liberação das vesículas de Ach dos neurônios pré-sinápticos nas terminações nervosas colinérgicas sem destruí-las, produzindo um músculo funcionalmente denervado. O início dos sintomas, caracterizado por enfraquecimento do músculo estriado, começa tipicamente dois a três dias após a aplicação local de uma solução diluída. A DL50 para uma pessoa de 70 kg é estimada entre 2500 e 3000 unidades (aproximadamente 40 U/kg). 

Utilização:
  • Tratamento da Hiperidrose;
  • Blefarospasmos e outros espasmos locais;
  • Distúrbios espásticos generalizados;
  • Distonias;
  • Hipersudorese;
  • Estrabismo;
  • Cefaleia tensional;
  • Redução das linhas de expressão.

Doenças causadas pela bactéria:
  • Botulismo;
  • Blefarospasmo: Piscar excessivo; espasmo tônico ou clônico do músculo oculi orbicularis;
  • Gangrena Gasosa: invasão de músculos sadios por bactérias adjacentes a músculo ou tecido mole traumatizados;
  • Enterocolite Pseudomembranosa: Inflamação aguda da mucosa intestinal;
  • Infecção dos Ferimentos: A invasão do local de trauma por microrganismos patogênicos;
  • Infecções por Clostridium: As infecções por bactérias do gênero clostridium.

O BOTULISMO


É uma doença causada por potentes neurotoxinas proteicas produzidas por clostridium botulinum que interferem com a liberação pré-sináptica de acetilcolina na junção neuromuscular. Entre as características clínicas estão dor abdominal, vômitos, PARALISIA aguda (incluindo paralisia respiratória), visão embaçada e diplopia. (Tradução livre do original: Adams et al., Principles of Neurology, 6th ed, p1208)

Subtipos:
  • botulismo alimentar; 
  • botulismo por ferimentos; 
  • botulismo intestinal;
  • Outras formas: Uso terapêutico ou estético, bioterrorismo, Manipulação de material contaminado, em laboratório.

Sintomas:
  • Paralisia motora progressiva;
  • ressecamento da boca;
  • turvação da visão;
  • dificuldade de deglutição;
  • paralisia respiratória.


FONTE

  • http://www.uff.br/farmacobiomed/colinergicos.pdf
  • http://www.ordemfarmaceuticos.pt/xFiles/scContentDeployer_pt/docs/Doc6253.pdf
  • http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?id_materia=1693&fase=imprime
  • http://www.saude.rs.gov.br/upload/20120403161628agente_seminario_botulismo.pdf
  • http://www.lookfordiagnosis.com/mesh_info.php?term=Botulismo&lang=3
  • http://www.icb.ufrj.br/media/BMF320_noturno/SNA%20colinergico.pdf
  • http://www.denisesteiner.com.br/publicacoes/toxina_botulinica_cosmetics.htm