Pomada de Própolis (extemporânea)

Pomada são preparações semi-sólidas destinadas à aplicação sobre a pele ou membranas mucosas, podendo conter substâncias medicamentosas ou não. Pomadas que não contém fármacos são utilizadas por seus efeitos físicos como protetoras, emolientes ou lubrificantes. As bases podem ser utilizadas por seus efeitos físicos ou como veículo para pomadas medicamentosas.


Aula prática da disciplina de Farmacotécnica Magistral 2

COMPOSIÇÃO

Tintura de Própolis
2%
Lanolina
30%
Vaselina
q.s.p. 100g


- Tintura de Própolis
A composição da própolis inclui 55% de resinas e bálsamos, 30% de cera, 10% de pólen e metabólitos secundários, incluindo flavonoides, ácidos fenólicos, além de minerais. É uma resina utilizada na limpeza da colmeia. Possui propriedades antimicrobianas e antiviróticas, devido a substâncias como galangina, ácido cafeico e ácido ferúlico.

Ação do Própolis:
  • Antimicrobiana (Meresta e Meresta,1985) 
  • Antiinflamatória (Dodrowolski, 1991) 
  • Cicatrizante (Tsakoff, 1978) 
  • Imunomoduladora (Matsuno, 1997) 
  • Antioxidante (Rajan, 2001) 
  • Antitumoral dentre outras (Ghisalberti, 1979) 
  • Antiviral imunomoduladora (R. Veronez e cols., 1988)

- Lanolina, USP
Obtida da lã de ovelha (derivado do latim: lana= lã e oleum = óleo.), é uma substância gordurosa purificada limpa, desodorizada e descolorida, que contém um máximo de 0,25% de água. É uma base de absorção, que são utilizadas como emolientes, embora não ofereçam o mesmo grau de oclusão das hidrofóbicas. 

- Vaselina branca (White petrolatum), USP
É uma mistura purificada de hidrocarbonetos semi-sólidos derivados de petróleo, total ou parcialmente descolorida. É considerada esteticamente mais aceitável por farmacêuticos e pacientes. É uma base hidrofóbica (ou de hidrocarbonetos). Quando aplicadas sobre a pele, causam efeito emoliente, protegem contra a perda de umidade e são efetivas como agentes oclusivos.


MATERIAIS

  • Almofariz (gral e pistilo)
  • Balança Analítica
  • Bastão de vidro
  • Becker
  • Espátula
  • Gral e pistilo
  • Papel laminado
  • Pipeta
  • Placa de aquecimento 


PROCEDIMENTO

  • Pese 30g de lanolina;



  • Pese 70g de vaselina;

  • Verta a lanolina e a vaselina no Becker, misturando-os;

  • Aqueça em banho-maria, misture até completa homogeneização, formando a pomada; simples;

  • Tare o gral e pistilo: coloque o gral e pistilo na balança e anote o peso (629,08g);
  • Pegue 2ml de tintura de própolis com o auxílio da pipeta;
  • Coloque q.s de pomada simples no gral e goteje a tintura de própolis sobre a pomada, homogeneizando-os;



  • Na balança, após tarar, coloque o gral e complete com pomada simples até 729,08g (peso do gral e pistilo vazio + pomada de própolis pronta).



FONTE

  • Formas farmacêuticas e sistema de liberação de fármacos. Loyd V. Allen Jr et al. 8ª ed. - Porto Alegre: Artmed, 2007
  • http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-695X2008000300020&script=sci_arttext
  • http://www.sabaoeglicerina.com.br/extrato-glicolico-de-propolis-p582
  • http://pt.wikipedia.org/wiki/Apiterapia
  • http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/catef/propolis.htm

Creme de Ureia 10%

Aula Prática de Farmacotécnica Magistral 2

O creme de Ureia é uma Emulsão O/A. Uma emulsão é uma forma farmacêutica semi-sólida ou líquidas em que a fase dispersa é composta de pequenos glóbulos de líquidos que se encontram distribuídos em um veículo, no qual é imiscível.

A Ureia é um composto orgânico cristalino, incolor, de fórmula (NH2)2CO, com um ponto de fusão de 132,7 °C. É um dos componentes do Fator Natural de Hidratação do manto hidrolipídico da pele, aumentando a capacidade de retenção de água na barreira epidérmica.

I - Formulação


Fase Aquosa
Fase Oleosa
Fase Oleosa
BHT
0,05%
Lanette N
15%
Óleo mineral 
5%
Nipazol 
0,05%

Fase Aquosa
Ureia
10%
Nipagin 
0,1%
EDTA 
0,2%
Glicerina 
0,5%
Água destilada q.s.p.
100g


II - Materiais

  • Almofariz 
  • Balança Analítica 
  • Bastão de vidro 
  • Batedeira 
  • Bécher 
  • Espátula 
  • Pipeta 
  • Placa de aquecimento 
  • Proveta 
  • Vidro de relógio 
  • Termômetro

III - Procedimento

Método à quente:

  • Pesa-se todos os componentes da fase aquosa, individualmente, e coloque no Bécher 1;
  • Pesa-se todos os componentes da fase oleosa, individualmente, e coloque no Bécher 2 (Exceto a Ureia);
  • Aquecer os componentes da fase aquosa (Bécher 1) e fase oleosa (Bécher 2) separadamente (seria importante colocar juntos os dois bécher na mesma placa de aquecimento para evitar que um esfrie e tenha que aquecer de novo); 
Fase Aquosa
Fase Oleosa












  • O Bécher só pode ser retirado do aquecimento em 2 casos: 

- dissolução dos componentes
- aquecimento acima de 80°C 
  • Triture a Ureia e solubilize-a na fase aquosa já aquecida;











  • Verter a fase A (aquosa) na fase B (oleosa), agitando sempre com o auxílio do bastão de vidro até chegar a temperatura ambiente (25°C);

  • Coloque a mistura na batedeira até homogeneizar.



IV - Armazenamento

O produto deve ser mantido em temperatura ambiente (15ºC – 30ºC).

VI - Fonte

Intoxicação por Curare

Curare é um termo genérico usado para descrever vários venenos utilizados nas pontas das flechas dos índios da América do Sul. Vem da palavra urari, que significa veneno. É conhecido também com os nomes de curari, ourari, woorari, worali.
Seus principais representantes são plantas dos gêneros Strychnos toxifera e Chondrodendron tomentosum. Vários alcaloides encontrados no curare, tais como a curarina, a tubocurarina e a protocurarina, fazem dele um veneno muito forte.

Strychnos toxifera, planta de onde se extrai o curare.
Ilustração do livro Plantas Medicinais de Köhler, de 1887.

Chondrodendron tomentosum   -
Chondrodendron tomentosum


Pesquisadores como Von Humboldt (1805), Claude Bernard (1850), West (1932), King (1935), contribuíram para o conhecimento e aplicação científica do curare, pois o mistério do de como era preparado o curare apenas os curandeiros e feiticeiros das tribos conheciam. O Curare é uma mistura de várias espécies de plantas que ocorrem na Amazônia. Estas plantas são fervidas, todas juntas, durante três dias, resultando num xarope ou numa massa. São usados cerca de 40 tipos de curare na Amazônia e há a necessidade, às vezes, da substituição de algumas das plantas, pois nem todas crescem no mesmo local. 

Alexander Von Humboldt foi o primeiro Europeu a testemunhar e descrever como os ingredientes eram preparados. Mas o curare começaria a ser utilizado como um anestésico apenas em 1942, poucos anos depois que seu ingrediente ativo, o d-tubocurarine, foi isolado.


Mecanismo de Ação

O curare é um Bloqueador neuromuscular não despolarizante (BNND). É um antagonista competitivo que se liga ao receptor nicotínico da Ach na placa terminal e, desse modo, bloqueiam competitivamente a ligação da Ach, impedindo a abertura dos canais de sódio (ionotrópico).

A caça com curare

Os índios que vivem às margens dos rios Amazonas e Orinoco utilizam o curare para envenenar as pontas das flechas para caçar animais selvagens. O curare causa paralisia dos músculos esqueléticos e a vítima morre por asfixia.

A vítima envenenada continua acordada e consciente do que está acontecendo, sentindo a paralisia progressiva, mas não pode fazer nada para chamar ou fazer algum gesto. Se a respiração artificial for realizada, a vítima vai se recuperar e não têm efeitos nocivos.

Então, porque os índios não morriam quando consumiam a carne envenenada nos animais?

Os fármacos bloqueadores musculares de amônio quaternário são pouco absorvidos do trato gastrintestinal, fato bem conhecido dos índios sul-americanos, que comiam impunemente a carne da caça morta com setas envenenadas por curare. A absorção por aplicação intramuscular é adequada e na administração por intravenosa o início é rápido.

Sintomas

Apneia prolongada, colapso cardiovascular, anafilaxia (raramente), Broncoespasmos, hipotensão, secreções brônquicas e salivares excessivas devido a liberação de histamina.

Tratamento da intoxicação

  • AntichE (Neostigmina ou Edrofônio): aumenta a Ach
  • Aminas simpatomiméticas (Adrenalina): aumenta a PA.
  • Antimuscarínico (Atropina ou Glicopirrolato): bloqueia o efeito muscarínico
  • Anti-histamínicos: bloqueia a liberação de histamina, que é uma ação direta do relaxante muscular nos mastócitos, e não uma reação anafilática mediada por IgE.

Uso Terapêutico 

Um dos exemplos de uso terapêutico é o medicamento Tubocurarina, utilizado como adjuvante da anestesia cirúrgica para produzir relaxamento dos músculos esqueléticos, principalmente na parede abdominal, e facilitar as manipulações cirúrgicas.

Fonte

  • As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gilman. 12ª Ed. – Porto Alegre: AMGH, 2012.
  • Barbosa, Luiz Cláudio de A. Introdução à Química Orgânica. 2ª Ed. - São Paulo: PEARSON, 2011.
  • http://www.blueplanetbiomes.org/curare.htm
  • http://www.botgard.ucla.edu/html/botanytextbooks/economicbotany/Curare/
  • http://pharm1.pharmazie.uni-greifswald.de/allgemei/koehler/koeh-267.jpg
  • http://www.ntbg.org/plants/plant_details.php?plantid=2749
  • http://www.jardimdeflores.com.br/ecologia/a35curare.htm

Prática de Xarope de Própolis

Aula prática da disciplina Farmacotécnica Magistral 1
Sacarose 85% p/v
Tintura de própolis 2% v/v
Água destilada q.s.p. 200 mL
 
Xaropes são preparações aquosas concentradas de açúcar ou um substituto, com ou sem adição de fármacos ou flavorizantes. Os xaropes são um meio agradável de administrar, na forma líquida, um fármaco de sabor desagradável.
A função da sacarose no xarope é promover a estabilidade microbiana, com a concentração próxima à saturação máxima; sabor mais doce e mais viscoso; aporte calórico. Os conservantes são utilizados quando a concentração do xarope for menor que 85% ou a necessidade de armazenamento por períodos prolongados.              

MATERIAIS

  • Água destilada
  • Balança semi-analítica
  • Bastão de vidro
  • Bécher
  • Espátula
  • Erlenmeyer
  • Funil
  • Garra metálica
  • Gral e pistilo
  • Papel de Filtro
  • Pisset
  • Placa de aquecimento
  • Proveta
  • Sacarose
  • Suporte universal
  • Termômetro
  • Tintura de própolis 2% v/v
  • Vidro de relógio

MÉTODO

O xarope pode ser preparado à quente ou à frio. Utilizaremos o método à quente.
Método à quente: É um método rápido, para componentes que são termorresistentes e não-voláteis. Os componentes termolábeis e voláteis são adicionados após a dissolução. A desvantagem desse método é a formação do açúcar invertido e o produto final apresentando coloração.
 

ORIENTAÇÕES PARA O PREPARO

  • Pesar a sacarose na balança
85g _____100ml
Xg _____ 200ml
X = 170g/200ml


 
A densidade do xarope é de 1,313g/ml isso quer dizer que 200ml de xarope corresponde a 262,6g de mistura final.
 
Cálculo:
262,6g de mistura final – 170,0g de sacarose = 92,6g de água destilada.         
92,6g = 92,6ml, pois a água ao nível do mar tem 1g/ml.
92,6ml - 4ml de própolis = 88,6ml de água.

  • Triturar a sacarose, colocando aos poucos no gral e pistilo.


  • Medir a água na proveta. 
  • Colocar um pouco de água (cerca de 50 ml) no Bécher e aquecer na placa.
  • Dissolva, aos poucos, a sacarose com agitação constante com o auxílio do bastão de vidro, até solubilizar tudo.
A temperatura não deve ultrapassar 80 ºC. Se passar, poderá formar açúcar invertido. Verifique a temperatura com o termômetro.

  • Adicionar tintura de própolis 2%v/v (4ml).

                              
  • Esfriar, completar o volume com água, homogeneizar e filtrar.


EMBALAGEM E ARMAZENAMENTO

Em recipientes de vidro âmbar, vedados com batoque e tampa, com a capacidade adequada ao volume acondicionado; ao abrigo da luz e à temperatura ambiente.

 

FONTE

 


Aula Prática de Cápsulas Duras

Aula prática da Disciplina Farmacotécnica Magistral I

As cápsulas são formas farmacêuticas nas quais as substâncias ativas e/ou inertes são encerradas em um pequeno invólucro de gelatina. Esses invólucros podem ser duros ou moles, dependendo da sua composição. 

Cápsulas duras

Na manipulação, as cápsulas de gelatina dura permitem ampla flexibilidade de prescrição pelo médico e o farmacêutico pode manipular cápsulas de um ou mais agentes terapêuticos, com dose prescrita individualizada para o paciente. 
Os invólucros das cápsulas duras são constituídos de gelatina, água e adjuvantes (como corantes, opacificantes e conservantes). 
A gelatina é obtida pela hidrólise parcial do colágeno da pele, tecido conjuntivo branco e ossos de animais. Comercialmente, ela é disponível na forma de pó fino, pó grosso, tiras, flocos ou folhas. 
As cápsulas de gelatina dura são inaceitáveis para líquidos aquosos, já que a gelatina é amolecida pela água, ocorrendo deformidade na cápsula e vazamento do conteúdo.

Tamanho e volume de cápsulas:

Preparo de 120 cápsulas de Paracetamol 100mg 

Composição: 
Cada cápsula gelatinosa dura contém:
Paracetamol .........................100mg
Excipiente q.s.p.............01 cápsula
(Amido) 

Características farmacológicas: O mecanismo de ação da analgesia se deve a inibição da síntese de prostaglandinas e sua ação antipirética se faz através de sua ação no centro hipotalâmico que regula a temperatura. Sua metabolização é hepática, onde é conjugado com gluconato e sulfato. Sua excreção é feita através da urina, sob a forma de metabólitos conjugados e cerca de menos de 10% sob a forma de droga inalterada. Os efeitos hepatotóxicos do paracetamol são devidos a um metabolito alquilado menor (a imina N-acetil-p-benzoquinona) e não ao próprio paracetamol ou alguns dos seus metabolitos principais.

Paracetamol - N-(4-hidroxifenil)etanamida

Ação esperada do medicamento: É indicado em adultos para o alívio temporário de dores leves a moderadas associadas a gripes e resfriados comuns, dor de cabeça, dor de dente, dor nas costas, dores leves associadas a artrites, cólicas menstruais e para a redução da febre.

MATERIAIS UTILIZADOS

  • Amido
  • Paracetamol
  • Balança analítica
  • Cápsula de gelatina dura tamanho 00
  • Encapsulador
  • Espátulas
  • Gral e pistilo
  • Proveta
  • Tamisador
  • Vidro de relógio

 

PROCEDIMENTO

1º. Pesou-se 1g de cada pó, individualmente e separadamente, no interior da proveta e bateu até o pó diminuir o volume ao máximo. Anotou-se o volume aparente.

2º. Calculou-se a quantidade de cada pó que será pesado.
  • Paracetamol: 
1,150g____1,7ml
0,100g____Xml                   X= 0,148ml em cada cápsula  
  • Cada cápsula 00 pode acondicionar 0,95ml. Então: 
0,95ml (cápsula) – 0,148ml (paracetamol) = 0,80ml (que será preenchido com amido) 
  • Amido
1,150g____1,5ml
Xg_______0,80ml                          X= 0,61g em cada cápsula 
3º. Para fazer 120 cápsulas foi necessário pesar: 
  • Paracetamol
0,100g____1cápsula
Xg_____120cápsulas                     X= 12g de paracetamol 
  • Amido
0,61g ____1cápsula
Xg____120cápsulas                      X= 73,29g



4º. Trituraram-se, no grau e pistilo, os pós homogeneizando por Progressão geométrica;  
5º. Colocou-se a mistura triturada no tamisador com a finalidade de reduzir o tamanho de partícula e produzir pós com tamanhos desejados; 
6º. Colocou-se a parte inferior das cápsulas no encapsulador; 

7º. Retirou-se a mistura de pós do tamisador, colocando-as, com o auxílio da espátula, no encapsulador, até todas as cápsulas serem preenchidas; 

8º. Encaixaram-se as tampas sobre os corpos das cápsulas cheias; o corpo da cápsula foi levemente apertado para distribuir o pó na parte da tampa e dar uma aparência cheia.

ARMAZENAMENTO
A gelatina é estável na presença de ar quando seca, mas é sujeita à decomposição microbiana na presença de umidade. De modo geral, as cápsulas de gelatina dura contêm de 13 a 16% de umidade. 
  • Ambientes muito úmido: absorvem a umidade adicional e podem se tornar distorcidas e perder a forma rígida. 
  • Ambientes extremamente seco: parte da umidade presente nas cápsulas é perdida e elas podem se tornar frágeis e quebradiças quando manipuladas. 
  • Ambiente adequado: mantê-las em um meio livre de umidade excessiva ou muito seco. 
Muitas cápsulas são acondicionadas com um pequeno pacote dessecante para protegê-las da umidade atmosférica. Os mais utilizados são o gel de sílica, o carvão ativado e a argila. 



BIBLIOGRAFIA
  • Formas farmacêuticas e sistema de liberação de fármacos. Loyd V. Allen Jr et al. 8ª ed. - Porto Alegre: Artmed, 2007.