TIPOS DE RECEITA (PRESCRIÇÃO)

O Farmacêutico deve ter o conhecimento sobre os tipos de receitas que recebe no estabelecimento de saúde (prescritas por médicos, dentistas, veterinários), para a dispensação adequada dos medicamentos.

LEI Nº 13.732, DE 8 DE NOVEMBRO DE 2018.
Parágrafo único. O receituário de medicamentos terá validade em todo o território nacional, independentemente da unidade da Federação em que tenha sido emitido, inclusive o de medicamentos sujeitos ao controle sanitário especial, nos termos disciplinados em regulamento.” (NR)

Os Antimicrobianos (RDC 20/11) precisam ser prescritos em receituário em duas vias (sem modelo específico), de cor branca, para tratamento de 30 dias, válida por 10 dias. 
Aplica-se aos antimicrobianos sujeitos à venda sob prescrição com retenção de receita. Em situações de tratamento prolongado, a receita poderá ser utilizada para aquisições posteriores dentro de um período de 90 dias a contar da data de sua emissão.


TIPOS DE RECEITA

O receituário é o papel e é utilizada para prescrição de medicamentos.
receita é a prescrição escrita de medicamento, contendo orientação de uso para o paciente, efetuada por profissional legalmente habilitado;
Porém o que vemos comumente é a utilização das duas terminologias com o mesmo significado. 
Receituário simples: é utilizada para prescrição de medicamentos anódinos e de medicamento de tarja vermelha, com os dizeres venda sob prescrição médica, e segue as regras descritas na Lei 5.991/1973.
Notificações de receita: é o documento que é acompanhado de receita e autoriza a dispensação de medicamentos a base de substâncias constantes das listas “A1” e “A2” (Entorpecentes), “A3”, “B1” e “B2” (Psicotrópicos) “C2” (Retinóicas para uso sistêmico) “C3” (Imunossupressoras). A Notificação de receita deverá estar preenchida de forma legível, sendo a quantidade em algarismos arábicos por extenso, sem emenda ou rasura. A Notificação de receita será retida pela farmácia ou drogaria e a receita devolvida ao paciente devidamente carimbada, como comprovante do aviamento ou da dispensação.

  • Receita Amarela ou Receita A – A Notificação de Receita A é um impresso, na cor amarela, para a prescrição dos medicamentos das listas A1 e A2 (entorpecentes) e A3 (psicotrópicos). Poderá conter somente um produto farmacêutico. Será válida por 30 (trinta) dias, a contar da data de sua emissão, em todo o território nacional. As notificações de Receita “A”, quando para aquisição em outra unidade federativa, precisarão que sejam acompanhadas de receita médica com justificativa de uso. E as farmácias, por sua vez, ficarão obrigadas a apresenta-las, dentro do prazo de 72 (setenta e duas) horas, à Autoridade Sanitária local, para averiguação e visto. 


  • Receita Azul ou Receita B – Notificação de Receita B é um impresso, padronizado, na cor azul, utilizado na prescrição de medicamentos que contenham substâncias psicotrópicas – listas B1 e B2 e suas atualizações constantes na Portaria 344/98. Terá validade por 30 (trinta) dias, a partir de sua emissão, e com validade apenas na unidade federativa que concedeu a numeração. Poderá conter 5(cinco) ampolas. Para as demais formas farmacêuticas, o tratamento será correspondente a 60(sessenta) dias. 



  • Receituário de Controle Especial – é utilizada para a prescrição de medicamentos à base de substancias constantes das listas “C1” (outras substâncias sujeitas a controle especial), “C2”(retinoicas para uso tópico) e “C5”(anabolizantes).O formulário é válido em todo o território nacional, devendo ser preenchido em 2(duas) vias. Terá validade de 30 (trinta) dias a partir da data de emissão. A prescrição poderá conter, em cada receita, três substancias da lista “C1” e de suas atualizações. A quantidade prescrita de cada substância da lista “C1”, “C5” e suas atualizações é de 5 (cinco) ampolas, e, para as outras formas farmacêuticas, a quantidade refere-se a 60 (sessenta) dias de tratamento Em caso de emergência, poderá ser aviada ou dispensada a receita de medicamentos à base de substâncias constantes das listas “C” (outras sujeitas a controle especial) deste Regulamento e de suas atualizações, em papel não privativo do profissional ou da instituição, contendo obrigatoriamente o diagnóstico ou a CID, a justificativa do caráter emergencial do atendimento, data, inscrição no Conselho Regional e assinatura devidamente identificada.

O Formulário da Receita de Controle Especial, válido em todo território nacional deverá ser preenchido em 2 (duas) vias, manuscrito, datilografado ou informatizado, apresentando obrigatoriamente, em destaque, em cada uma das vias os dizeres: 1ª VIA - “Retenção da farmácia ou drogaria” e 2ª VIA - “Orientação do paciente a farmácia ou drogaria somente poderá aviar ou dispensar a receita, quando todos os itens estiverem devidamente preenchidos”.

É permitido que o prescritor substitua o Receituário de Controle Especial por uma receita comum para os medicamentos da lista C1, desde que sejam preenchidos todos os campos obrigatórios e cumpridos os mesmos requisitos para que ocorra a dispensação.

  • Notificação de Receita Especial de Retinoides – lista C2 (Retinoides de uso sistêmicos), com validade por um período de 30 (trinta) dias e somente dentro da unidade federativa que concedeu a numeração. Poderá conter 05 (cinco) ampolas. Para as demais formas farmacêuticas, a quantidade para o tratamento corresponderá, no máximo, a 30 (trinta) dias, a partir da sua emissão. 


  • Notificação de Receita Especial para Talidomida – lista C3 (Imunossupressoras). Tratamento para 30 (trinta) dias; validade de 15 (quinze) dias. 

  • Substâncias anti-retrovirais – Antiga lista C4. Formulário próprio, estabelecido pelo programa de DST/AIDS. (Receita branca)
  • Receita Renovável – é um modelo criado para comodidade dos utentes, sendo particularmente útil aos doentes crônicos. Intenciona-se, com ela, evitar que o paciente tenha que se deslocar com frequência aos centros de saúde e hospitais para obtenção exclusiva de receitas. Deve ser utilizada de acordo com requisitos. Preenchimento de Receita sob Notificação – os receituários devem ser seguidos exatamente conforme descrito nos Artigos 36 e 55 da Portaria SVS/MS nº 344/1998 e seus anexos: anexo IX (modelo de talonário oficial “A”, para as listas “A1”, “A2” e “A3”), anexo X (modelo de talonário – “B”, para as listas “B1” e “B2”), anexo XI (modelo de talonário – “B” uso veterinário para as listas “B1” e “B2”), anexo XII (modelo para os retinoides de uso sistêmico, lista “C2”), anexo XIII modelo para a Talidomida, lista”C3") e anexo XVII (modelo de Receita de Controle Especial para as listas C1 e C5). A Notificação de Receita deverá estar preenchida de forma legível, com a quantidade em algarismos arábicos escritos por extenso, sem emenda ou rasura. Deve conter somente uma substância e ficará retida pela farmácia ou drogaria no momento da compra do medicamento. 

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FONTE

  • https://www.passeidireto.com/arquivo/93747452/receitas-receituarios-e-notificacoes-como-dispensar
  • http://www.portalmedico.org.br/REGIONAL/crmpb/manualPrescricao.pdf
  • http://www.ccs.saude.gov.br/visa/publicacoes/arquivos/Medicamentos_controlados_prof.pdf
  • http://portal.crfsp.org.br/documentos/crf/Manual-de-orientacao-ao-farmaceutico-dispensacao_versao-WEB.pdf
  • http://videbula.far.br/medicamentos-controlados/

Harry Potter e a Herbologia - Curiosidades

A saga de Harry Potter tem, entre os nomes de personagens, de feitiços e de seres, inúmeras referências às mitologias, fatos reais e imaginários. Dentre as referências diversas, observam-se algumas sugestivas de plantas medicinais. 

Um dos exemplos mais interessantes é a Mandrágora (Mandragora officinarum) presente no livro Harry Potter e a Câmara Secreta (segundo da série), em que esta planta é tida como “reconstituinte muito forte (...) usada para trazer de volta as pessoas que foram transformadas ou foram enfeitiçadas no seu estado natural”, utilizada para acordar aqueles que tinham visto o temível basilisco. Mas cuidado, “o grito da mandrágora é fatal para quem o ouve”. De fato, a planta, envolta em variadas lendas, foi usada por muito tempo como alucinógena, analgésica e narcótica, sendo que nos dias de hoje é utilizada apenas em homeopatia para tendências à depressão com apatia ou irritação, hipersensibilidade a ruídos e falta de memória, entre outras indicações. 
Mandragora officinarum

Harry e a Mandrágora


é biologicamente benéfica, pois alerta que há algo errado, levando o indivíduo à procura por tratamento. Geralmente ela é o sintoma que auxilia no diagnóstico da doença que a causa, que, por sua vez, receberá o tratamento
Outro exemplo, um pouco mais sutil, é o primeiro nome da enfermeira da Escola de Hogwarts, Madame Pomfrey: Papoula. A papoula (Papaver somniferum) é utilizada por suas propriedades medicinais há mais de 5 mil anos, com referencias de uso pelos sumérios, mesopotâmicos, assírios e babilônicos. Dela se extrai o ópio, potente narcótico do qual provem a morfina.





FONTE:
  • PLANFAVI - SISTEMA DE FARMACOVIGILÂNCIA EM PLANTAS MEDICINAIS, Boletim nº 16, outubro a dezembro/2010. Disponível em: http://200.144.91.102/sitenovo/download.aspx?cd=140

Maria da Penha - A farmacêutica e a lei

Maria da Penha formou-se em Farmácia e Bioquímica em 1966, na primeira turma da Universidade Federal do Ceará. Na época em que cursava pós-graduação na Universidade de São Paulo (USP) conheceu o homem que, tempos depois, se tornaria seu marido (professor universitário Marco Antonio Herredia Viveros) e pai de suas três filhas. Ao conhecê-lo, Maria da Penha nunca poderia imaginar no que ele se transformaria.

A Lei 11.340 de 07 de Agosto de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, ganhou este nome em homenagem à Maria da Penha Maia Fernandes, que por vinte anos lutou para ver seu agressor preso. 

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Uma mulher quando escolhe um homem, ela quer que seja para sempre”, declarou em um dos seus vários depoimentos. Simpático e solícito no início do casamento, Marco Viveros começou a mudar depois do nascimento da segunda filha que, segundo relatos de Maria da Penha, coincidiu com o término do processo de naturalização (Viveros era colombiano) e o seu êxito profissional. No segundo ano de matrimônio, ao conseguir a naturalização, o colombiano mostrou sua verdadeira face: um homem agressivo e violento. 

Como era uma profissional capacitada, com mestrado em ciências farmacêutica e independência financeira, Maria da Penha pediu separação. Ele, claro, não quis. Na verdade, planejava um outro fim para a relação. Foi a partir daí que as agressões se iniciaram e culminaram com um tiro em uma noite de maio de 1983. A versão dada pelo então marido é que assaltantes teriam sido os autores do disparo. Depois de quatro meses passados em hospitais e diversas cirurgias, Maria da Penha voltou para casa e sofreu mais uma tentativa de homicídio: o marido tentou eletrocutá-la durante o banho. Neste período, as investigações apontaram que Marco Viveros foi de fato autor do tiro que a deixou em uma cadeira de rodas.

Sob a proteção de uma ordem judicial, Maria da Penha conseguiu sair de casa, sem que isso significasse abandono do lar ou perda da guarda de suas filhas. E, apesar das limitações físicas, iniciou a sua batalha pela condenação do agressor.
Apesar da investigação ter começado em junho do mesmo ano, a denúncia só foi apresentada ao Ministério Público Estadual em setembro do ano seguinte e o primeiro julgamento só aconteceu 8 anos após os crimes. Em 1991, os advogados de Viveros conseguiram anular o julgamento. Já em 1996, Viveros foi julgado culpado e condenado há dez anos de reclusão mas conseguiu recorrer. 

Mesmo após 15 anos de luta e pressões internacionais, a justiça brasileira ainda não havia dado decisão ao caso, nem justificativa para a demora. Com a ajuda de ONGs, Maria da Penha conseguiu enviar o caso para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA), que, pela primeira vez, acatou uma denúncia de violência doméstica. Viveiro só foi preso em 2002, para cumprir apenas dois anos de prisão. 

O processo da OEA também condenou o Brasil por negligência e omissão em relação à violência doméstica. Uma das punições foi a recomendações para que fosse criada uma legislação adequada a esse tipo de violência. E esta foi a sementinha para a criação da lei. Um conjunto de entidades então reuniu-se para definir um anti-projeto de lei definindo formas de violência doméstica e familiar contra as mulheres e estabelecendo mecanismos para prevenir e reduzir este tipo de violência, como também prestar assistência às vítimas. 

Em setembro de 2006 a lei 11.340/06 finalmente entra em vigor, fazendo com que a violência contra a mulher deixe de ser tratada com um crime de menos potencial ofensivo. A lei também acaba com as penas pagas em cestas básicas ou multas, além de englobar, além da violência física e sexual, também a violência psicológica, a violência patrimonial e o assédio moral.

“A principal finalidade da lei não é punir os homens. É prevenir e proteger as mulheres da violência doméstica e fazer com que esta mulher tenha uma vida livre de violência”.
O caso de Maria da Penha foi incluído pela ONU Mulheres entre os dez que foram capazes de mudar a vida das mulheres no mundo.
O grande problema é que muitos dos casos nem chegam à virar denúncia. A vítima não formaliza a queixa ou desiste do processo no meio do caminho. Outras, simplesmente se calam. E, como dizia o líder negro norte-americano Martin Luther King – frase que, aliás, Maria da Penha, gosta de usa para sintetizar sua luta: “O que me preocupa não é o grito dos violentos, mas o silêncio dos bons”.


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FONTE:
  • http://www.observe.ufba.br/lei_mariadapenha
  • http://consultorelder.jusbrasil.com.br/artigos/233157251/quem-e-maria-da-penha-maia-fernandes
  • http://v1.sigajandira.com.br/2010/07/23/a-historia-da-farmaceutica-cearense-maria-da-penha-simbolo-da-luta-contra-a-violencia/

Extração de alcalóides

A biossíntese dos alcaloides inclui, pelo menos, um aminoácido. São também incorporadas outras unidades provenientes de piruvato, malonato ou mevalonato como taninos, terpenos e outros. Por isso é considerada uma Via do tipo alternada e não se classifica. Com precursores de origem Biosintética (ácidos aminados = aminoácidos) tão distinta é fácil entender a complexidade e diversidade estrutural que se encontra nestes metabolitos, sendo hoje conhecidos mais de 5000 alcaloides.
Os alcaloides constituem um grupo heterogêneo de substâncias nitrogenadas, geralmente de origem vegetal, de caráter básico e que apresentam acentuada ação farmacológica em animais.


Aula prática da disciplina Farmacognosia

Droga analisada: Boldo

SC: Peumus boldus molina
SV: boldo do chile, boldo verdadeiro
PU: folhas
PA: alcaloides isoquinoléico
Ação/Uso: perturbações digestivas, disfunções hepatobiliar



Boldina



A droga apresenta odor aromático característico, canforáceo e levemente acre, que se acentua com o esmagamento. Sabor amargo e um tanto acre. As folhas de boldo são uma droga com larga aplicação em problemas relacionados com estômago e fígado. Suas folhas contêm vários princípios ativos:

  • Óleo volátil, cujos principais constituintes são o cineol e o ascaridol.
  • Taninos.
  • Flavonóis.
  • Alcaloides, o principal sendo a boldina.

A parte da planta a ser analisada é preferencialmente seca e pulverizada. É feita uma extração, que pode ser com água em presença de ácido, ou com álcool em presença de hidróxido de amônio. O extrato é purificado e os alcaloides são finalmente solubilizados em éter ou clorofórmio. O solvente é evaporado e gotas de ácido clorídrico 1% são usadas para solubilizar os alcaloides.

MATERIAIS
  • Almofariz
  • Boldo
  • Solventes: HCl 10%, NH3 10% e CHCl3
  • Bécher
  • Banho-maria
  • Funil de separação
  • Funil
  • Tubo de ensaio
  • Fita reativa
  • Algodão
  • Papel
  • Água destilada

 Método extrativo: Ácido/Base
FASE
SOLVENTES
Estacionária - aquosa
Solução de HCl 10%
Solução de NH3 10%
Móvel - orgânica
Clorofórmio - CHCl3

ETAPAS
  1. Fazer a sondagem das folhas de boldo
  2. Triturar as bolhas de boldo no almofariz
  3. Acrescentar água destilada até cobrir e homogeneizar
  4. Filtrar essa solução diretamente no tubo de ensaio
  5. Acrescentar a solução de HCl 10% no tubo com a solução filtrada
  6. Aquecer o tubo em banho-maria por 10min 
  7. Descartar o sobrenadante
  8. Acrescentar, no precipitado, a solução de amônia 10% até pH de, no mínimo, 8,0 (verificar com a fita reativa)
  9. Colocar no funil de separação
  10. Acrescentar o clorofórmio em partes iguais
  11. Agitar lentamente e observar as fases:
  • Orgânica: fase mais densa ficará embaixo
  • Aquosa: fase menos densa e ficará em cima
  • A boldina ficará na fase orgânica, onde tem mais afinidade
6 - Banho-maria
8 - Colocando a Amônia 
9 - Colocando no funil de separação

 

8 - Verificando o pH com a fita reativa



    10 - Colocando o clorofórmio


    Beladona e o voo das bruxas

    A Atropa belladonna (beladona) é a principal fonte de extração de atropina (hiosciamina) e escopolamina (hioscina). São utilizadas as folhas e as flores para obtenção dos alcalóides tropânicos, que são derivados da ornitina e contém em suas moléculas o anel tropânico formado a partir do anel pirrolidínico com acetoacetato. São encontrados principalmente nas plantas das famílias Solanaceae e Erythroxylaceae.
    Os alcalóides extraídos da belladona possuem atividade anticolinérgica, ou seja, são antagonistas dos receptores da acetilcolina.

    A Atropina foi isolada pela primeira vez em 1831 da espécie Atropa belladona pelo químico alemão Mein, entretanto a espécie já era conhecida por suas propriedades terapêuticas entre os romanos, egípcios e gregos.

    O nome dado ao gênero Atropa vem de Atropos, uma das três parcas da mitologia grega, a inflexível, aquela a quem cabia cortar a corda ou o fio da vida. As outras duas eram Cloto, a tecelã, que tecia o fio da vida de todos os homens, do nascimento à morte e Laquesis, a partilhadora, que determinava o tamanho do fio, estabelecendo a qualidade de vida que cabia a cada um, inclusive a de seu pai Zeus. Estas três divindades eram responsáveis pelo destino das pessoas. O nome Atropa faz jus aos efeitos letais da ingestão de quantidades moderadas desta planta.

    A denominação belladona (belas mulheres) origina-se da prática comum entre as mulheres italianas da Idade Média que pingavam nos olhos o sumo espremido das bagas pretas da planta para provocar a dilatação das pupilas. Ter pupilas dilatadas e brilhosas era sinônimo de beleza, daí o nome. Na mitologia grega, as mênades "com seus olhos de fogo" se entregavam aos adoradores do deus Dionísio (Baco na mitologia Romana), nas orgias, para depois despedaçá-los e comê-los. É provável que ao vinho dos bacanais fosse adicionado sumo de beladona.

    O VOO DAS BRUXAS

    As bruxas e os charlatões na Europa, usavam a belladona, e outros alcalóides tropânicos como a escopolamina e a hiosciamina, para profecias, adivinhações e envenenamentos. Preparavam um unguento que, supostamente, as faziam voar. Este unguento, conhecido como "fórmula de voo", era passado em certas partes do corpo, principalmente nas mais peludas, e esfregado sobre o cabo de uma vassoura, que era colocada entre as pernas pelas "bruxas" como se fosse um instrumento de voo. Em contato com a mucosa vaginal e anal o unguento era absorvido mais rapidamente pelo organismo. 



    INTOXICAÇÃO POR ATROPINA

    A atropina é extremamente tóxicas e o seu consumo pode causar:
    • Inibição das secreções salivares, lacrimais, bronquiais e das glândulas sudoríparas. 
    • Garganta extremamente seca e, mesmo em doses reduzidas, causa secura da boca e da pele.
    • Dilatação da pupila
    • Paralisação do olho durante o relaxamento do músculo ciliar .
    • Relaxamento do músculo liso dos brônquios (broncodilatação), vesícula biliar e bexiga.
    • Obstipação e retenção urinária.
    • Afeta o SNC, causando irritação moderada, em doses baixas. 
    • Em doses elevadas, causa agitação, alucinações (efeitos psicoativos), taquicardia, visão turva e desorientação.
    • Perda de equilíbrio
    • Delírios e Sensação de voar
    • Sensação de sufocar
    • Rubor facial
    • Voz arrastada
    • Amnésia durante a intoxicação
    • Profundo sono
    Seu uso é contra-indicado em:
    • Taquicardia
    • Fibrilação atrial
    • Glaucoma
    • Constipação
    • Hiperplasia prostática
    Em caso de Superdosagem:
    • Lavagem gástrica
    • Administração de suspensão de carvão ativo
    • Para reverter os sintomas antimuscarínicos severos administrar fisiostigmina (anticolinesterásicos) lentamente por via intravenosa não ultrapassando 1 mg por minuto. 
    • Respiração artificial com oxigênio, se for necessária para a depressão respiratória
    • Hidratação adequada
    • Tratamento sintomático

    Referências

    • http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-40422009000900047&script=sci_arttext 
    • http://38.media.tumblr.com/tumblr_mbp3ozEpXY1qbb4hwo1_500.gif 
    • http://guiadoestudante.abril.com.br/imagem/quimica_funcoesorganicas_questao5_atropina_simulado9.gif
    • http://resumosonline.com/2015/02/alcaloides-tropanicos/
    • http://pt.wikipedia.org/wiki/Atropina
    • http://www.shoppingdocampo.com.br/sulfato-de-atropina-a-1-ucb-10ml-p539

    Extração e Caracterização de Taninos

    Aula Prática de Farmacognosia
    TANINOS
    Taninos são substâncias complexas presentes em inúmeros vegetais, os quais têm a propriedade de se combinar e precipitar proteínas de pele de animal, evitando sua putrefação e, consequentemente, transformando-a em couro. São substâncias detectadas qualitativamente por testes químicos ou quantitativamente pela sua capacidade de se ligarem ao pó de pele. A ligação entre taninos e proteínas ocorre, provavelmente, através de pontes de hidrogênio entre os grupos fenólicos dos taninos e determinados sítios das proteínas, emprestando uma duradoura estabilidade a estas substâncias. Essa definição exclui substâncias fenólicas simples, de baixo peso molecular (compreendido entre 500 e 3000 Dalton), frequentemente presentes com os taninos, como os ácidos clorogênico, gálico e outros que, por também precipitarem gelatina, são conhecidos como pseudotaninos. 
    Precursor dos taninos hidrolisáveis
    Classicamente, segundo a estrutura química, os taninos são classificados em dois grupos:
    • Hidrolisáveis: Os taninos hidrolisáveis consistem de esteres de ácidos gálicos e ácidos elágicos glicosilados, formados a partir do chiquimato, onde os grupos hidroxila do açúcar são esterificados com os ácidos fenólicos. São chamados de hidrolisáveis, uma vez que suas ligações esteres são passíveis de sofrerem hidrólise por ácidos ou enzimas. Em solução desenvolvem coloração azul com cloreto férrico, assim como o ácido gálico. 
    • Condensados: Os taninos condensados incluem todos os outros taninos verdadeiros. Suas moléculas são mais resistentes à fragmentação e estão relacionadas com os pigmentos flavonoides. Sob tratamento com ácidos ou enzimas esses compostos tendem a se polimerizar em substâncias vermelhas insolúveis, chamadas de flobafenos. Essas substâncias são responsáveis pela coloração vermelha de diversas cascas de plantas. Em solução, desenvolvem coloração verde com cloreto férrico, assim como o catecol.
     
    Os taninos são adstringentes e hemostáticos e, portanto, suas aplicações terapêuticas estão relacionadas com essas propriedades. São empregados principalmente na indústria de curtume e têm também aplicação na indústria de tintas. São usados em laboratórios para detecção de proteínas e alcaloides e empregados como antídotos em casos de envenenamento por plantas alcaloídicas.
    Os taninos têm sido alvo de diversos estudos, sendo que a maioria vem abordando interações ecológicas entre vegetais e herbívoros, visto que se têm sugerido que os teores de taninos podem diminuir a taxa de predação por se tornarem impalatáveis, afastando seus predadores naturais. 

    Pesquisas sobre atividade biológica dos taninos evidenciaram importante ação contra determinados microrganismos, como agentes carcinogênicos e causadores de toxicidade hepática. Estes últimos efeitos, sem dúvida, dependem da dose e do tipo de tanino ingerido. Um exemplo é a ingestão de chá verde e de dietas ricas em frutas que contêm taninos, onde tem sido associada com atividade anticarcinogênica. Além disso, podem agir como anti-inflamatórios e cicatrizantes, e até como inibidores da transcriptase reversa em HIV.

    ANÁLISE QUALITATIVA DE TANINOS

    Goiabeira: folhas de Psidium guajava L., Myrtaceae




    Materiais

    • Folhas de goiabeira (Colhida do pé de goiabeira da Faculdade em um dia chuvoso)
    • Cloreto férrico
    • Água
    • MeOH
    • Balança
    • Almofariz (gral e pistilo)
    • Funil
    • Algodão
    • Bequer
    • Provetas
    • Tubo de ensaio
    • Suporte universal

    Procedimento

    • Preparar uma solução de MeOH 10% 20 ml: 18 ml de água + 2 ml de MeOH 10%: 
    • Fazer a mondagem das folhas de goiaba
    • Pesar 3g de folhas na balança
    • Triturar as folhas no gral com o auxílio do pistilo
    • Acrescentar, no gral, a solução feita e misturar
    • Filtrar 
    • Colocar 5 ml da solução filtrada em 2 tubos
    • Acrescentar 5 gotas do reagente cloreto férrico em cada tubo
    • Observar o resultado
      

    Resultados


    • Coloração azul com precipitado: reação positiva para taninos hidrolisados
    • Coloração azul sem precipitado: reação negativa para taninos hidrolizados
    • Coloração verde sem precipitado: reação positiva para taninos condensados
    • Coloração verde com precipitado: reação negativa para taninos condensados

    O resultado da análise foi: Coloração verde com precipitado e azul com precipitado.
    Obs.: A aleloquímica e a alelopatia interfere no resultado final.


    FONTE:

    • http://www.sbfgnosia.org.br/Ensino/taninos.html
    • http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-40422005000500029&script=sci_arttext

    Dedaleira: um glicosídeo cardíaco


    A dedaleira pode ser cultivada como medicinal, por conter digitalina, e também como ornamental. O problema de utilizar a dedaleira em ornamentação é que ela é extremamente cardiotóxica, podendo causar paralisia e até morte súbita.
    A digitoxina tem 90 a 100% de absorção gastrointestinal e forma complexos com as proteínas plasmáticas.

    DROGAS RICAS EM CARDIOTÔNICOS

    Sinonímia Científica: Digitalis purpurea L.
    Sinonímia vulgar: Dedaleira, Abeloura, Digital, Digitalina, Erva-albiloura, Erva-dedal
    Propriedades: cardiotônica (inotrópico +)
    Partes Utilizadas: folhas, flores
    Princípio ativo: digitalina, digitoxina e digitonina.
    Indicações/Uso: Ornamentação, insuficiência cardíaca, arritmia






    Sinonímia Científica: Digitalis lanata
    Sinonímia vulgar: Dedaleira, digital lanosa
    Propriedades: cardiotônica (inotrópico +)
    Partes Utilizadas: folhas, flores
    Princípio ativo: digitalina, digitoxina e digitonina.
    Indicações/Uso: Ornamentação, insuficiência cardíaca, arritmia

    Estrutura química de Digoxina
    Digoxina






    A digitoxina (lanata e purpúrea) é indicada para diversos eventos cardíacos, tais como:
    • Insuficiência cardíaca congestiva (ICC) sintomática, associada a disfunção sistólica ventricular esquerda;
    • Controlo da frequência ventricular em pacientes com fibrilação ou flutter auricular. Atualmente, é o fármaco menos potente e com início de ação mais lento no tratamento desta patologia;
    • Diminuição do ritmo cardíaco quando a taquicardia é causada por ICC;
    • Prevenção e tratamento de taquicardias supraventriculares paroxísticas – taquicardia auricular paroxística, fibrilação/flutter auricular paroxística.

    MECANISMO DE AÇÃO:
    Os glicosídeos cardíacos, grupo onde se insere a digitoxina, têm como mecanismo de ação a inibição da bomba Na+/K+ ATPase, o que provoca o aumento de Na+ intracelular, a ativação do trocador Na+/Ca2+ e consequentemente uma elevação do Ca2+ intracelular (e, consequentemente, a ativação do complexo actina/miosina que leva a contração), por troca com o Na+. São glicosídeos que exercem um grande efeito sobre o músculo cardíaco. Tem efeito específico sobre a contração miocárdica e na condução atrioventricular.
    Figura 1. Mecanismo de ação da digitoxina.
    A sobrecarga de cálcio pode provocar cardiotoxicidade, como a diminuição do potencial de membrana e contrações ventriculares prematuras, entre outros efeitos.
    Uma vez que aumenta o Ca2+ celular, a digitoxina tem efeito inotrópico positivo mas ao retardar a condução AV apresenta um efeito cronotrópico negativo. A digoxina é perigosa por ter baixo índice terapêutico.

    As partes açúcar e aglicona são fundamentais para a atividade biológica. É possível que a parte açúcar seja responsável pela ligação do glicosídeo ao músculo cardíaco e a porção aglicona exerça o efeito sobre o músculo cardíaco após a ligação. O anel lactona é essencial para a ação farmacológica. 
    É empregado na ICC, tendo ação inotrópica + (força de contração). São caracterizados por serem compostos extremamente tóxicos, com índice terapêutico muito tóxico, cuja estrutura química básica foi identificada como sendo composta por açúcar (posição 3), esteroide e anel lactônico (posição 17).
    As agliconas dos glicosídeos cardíacos são esteroides cuja cadeia lateral contém um anel lactona insaturado, seja uma γ-lactona de 6 membros (cardenolídeo: α e β insaturado) ou uma δ-lactona de 6 membros (bufadienolídeo: α, β, γ e δ insaturados).

    Características fundamentais:
    ·         Anel lactônico C17B
    ·         Encadeamento  X=C-C=C
    ·         C/D cis (mesmo plano)

    Características que favorecem:
    ·         Junção do anel: A/B cis e B/C trans
    ·         Cadeia osídica C3B

    Características que desfavorecem:
    ·         Junção do anel: A/B trans
    ·         Esterificação da cadeia osídica


     
    INTOXICAÇÃO:
    Os principais sinais de intoxicação por Digitalis purpurea podem ser descritos como dor abdominal, tontura, dispnéia, alterações rítmicas cardíacas, náuseas, ataxia, convulsões, hipotensão, choque, colapso e morte.
    Como qualquer intoxicação, a intoxicação com digitálicos é uma situação perigosa, tanto mais perigosa quanto mais estiver comprometido o equilíbrio hidreletrolítico. Deve evitar-se o uso de aminas simpaticomiméticas e a administração de cálcio.
    O tratamento a ser realizado é o suporte, ou de sintomas.
    Primeiramente, deve-se recorrer a uma lavagem gástrica, hidratação com recurso a fluidos via IV, oxigenação e, entre outras coisas, na descontinuação do fármaco. 
    Pode-se recorrer a fenitoína, bloqueadores beta, lidocaína, atropina e um anticorpo específico antidigitoxina (Fab). Utiliza-se a fenitoína e os bloqueadores beta no tratamento de extrassístoles e taquicardias, a lidocaína pode ser usada em situações de taquicardia ventricular e a atropina em casos de bloqueios auriculoventriculares.

    Fonte:


    • https://sites.google.com/site/toxidigitoxina2012/home
    • http://www.jardineiro.net/plantas/dedaleira-digitalis-purpurea.html
    • http://www.plantamed.com.br/plantaservas/especies/Digitalis_purpurea.htm