Aula Prática de Urinálise (EAS)

Aula prática da disciplina Práticas em Análises Clínicas 2

A urinálise é um teste laboratorial simples, não invasivo e de baixo custo que avalia o funcionamento do trato urinário.
A urinálise (Elementos Anormais do Sedimento - EAS, Exame de urina ou urina tipo I) está dividida em três partes: exame físico, exame químico e avaliação do sedimento urinário.

Material:

  • Centrífuga
  • Lâmina
  • Luva
  • Microscópio
  • Pote de EAS com urina
  • Tira reagente
  • Tubo de ensaio

Coleta:

  • A urina deverá ser a primeira da manhã.
  • A higienização deverá ser realizada com sabão neutro, suavemente (a fricção excessiva pode provocar excesso de descamação).
  • Secar o local com papel ou toalha macia.
  • Desprezar o primeiro jato (para rinsar o canal uretral, retirando células mortas, bactérias ou fibras das peças íntimas)
  • Colher do jato médio 30 a 50 ml de urina em frasco próprio (oferecido pelo laboratório ou adquirido em farmácia), limpo e seco, de boca larga
  • O material coletado deverá ser analisado em até 2hs, se mantido em temperatura ambiente ou em 24hs, se mantido sob refrigeração (2-8ºC). Ao levar para o laboratório, coloque o pote de urina no saco e o saco dentro de um saco com gelo, isso evita que o gelo derreta e contamine a urina.
Para coleta de urina em mulheres, recomenda-se abstinência sexual de pelo menos 24 horas e em mulheres menstruadas (em caso de urgência) usar tampão vaginal depois da lavagem, para não contaminar a urina com sangue. O ideal seria coletar a urina de 3 a 5 dias após o término do sangramento menstrual. 
Crianças muito jovens e neonatos recomenda-se utilizar coletor auto-aderente hipoalergênico. Após 30 minutos retirar o coletor, mesmo sem a emissão de urina.

Elementos Anormais

Exame físico
A análise macroscópica da urina deve ser realizada antes de ser processada. 

  • Cor: Cor X presença de patologias. Bom índice de concentração urinária e hidratação. Valor referência: Amarelo citrino. Variação: amarelo claro a âmbar.
  • Aspecto/ Turbidez: Pode ser influenciada pela concentração urinária. Leucócitos, eritrócitos, cristais, bactérias, muco, lipídeos e materiais contaminantes podem aumentar a turbidez da amostra. Transparente/Límpido, Semi-turvo, Turvo/Opaco e Leitoso.
  • Volume: 30-50ml.

Exame Químico
Realizado macroscopicamente com o auxílio da tira reagente que são quadrados de papeis absorventes impregnados por substâncias químicas e presos em tiras de plástico.
  • Homogenize bem a urina não centrifugada
  • Submerja completamente todas as áreas da fita 10x
  • Retire a fita imediatamente de dentro do recipiente
  • Elimine o excesso de urina em papel absorvente
  • Aguarde o tempo recomendado para a reação
  • Faça a leitura.

Fonte: Patricia Dias

Tira reagente

A reação é enzimática de ponto final. Se não for realizada no tempo correto, altera o resultado.

  • Esterases de leucócitos:ƒ Avaliação de processos infecciosos e inflamatórios do trato urinário (ITU). Pode ocorrer com ou sem bacteriuria.ƒ Valores de referência: negativo.ƒ Quando positivo: + a +++ ou traços, pequena, moderada ou grande quantidade
  • Nitrito:ƒ Avaliação de processos infecciosos do trato urinário (ITU).ƒ Valores de referência: negativo.
  • Urobilinogênio: Avaliação de distúrbios hepáticos e hemolíticos.ƒ Valores de referência: <1mg/dL. ƒ Quando positivo: mg/dL.
  • Proteínas: Proteinúria: Indicador de doença renal. Valores de referência: Negativo . Quando positivo: + a ++++ ou mg/dL.
  • pH: Detecção de possíveis distúrbios eletrolíticos sistêmicos de origem metabólica ou respiratória. Valores de referência: 5,5 a 6,5
  • Sangue: Detecção e avaliação das hematúrias.ƒ Valores de referência: negativo. Quando positivo: + a ++++ ou mg/dL. Traços, pequena, moderada ou grande quantidade.
  • Densidade: ƒAvaliação da capacidade renal de reabsorção e concentração. Valores de referência: 1015 a 1025.
  • Cetonas: ƒ Avaliação de Diabetes Mellitus (cetoacidose), jejum prolongado. Valores de referência: negativo. Quando positivo: Traços, pequena, moderada e grande quantidade.
  • Bilirrubina:ƒ Indicação precoce de hepatopatias. Valores de referência: negativo. Quando positivo: + a +++ ou pequena, moderada ou grande quantidade.
  • Glicose: Avaliação de Diabetes Mellitus, e distúrbios de reabsorção tubular. Valores de referência: Negativo. ƒ Quando positivo: + a ++++ ou mg/dL.


Obs.:
  • Por ética, se for encontrado esperma na urina da mulher, não colocar no laudo.
  • Ao encontrar esperma na urina de menina menor de 14 anos, é compulsório a denúncia à polícia (estupro de vulnerável)

Avaliação do sedimento urinário - Sedimentoscopia

A terceira etapa da urinálise consiste na avaliação microscópica do sedimento urinário. Os resultados do sedimento urinário devem ser interpretados juntamente com o conhecimento do método de coleta, exame químico e exame físico.
  • Centrifugue por 10min a 3.000rpm
  • Despreza o sobrenadante
  • Com o auxílio da pipeta, colete o sedimento e prepare a lâmina
  • faça a leitura no microscópio com objetiva de 10x e de 40x.
Objetiva de 10x:
  • Filamentos de muco: Ausentes, Raras, algumas e numerosas
  • Células epiteliais: Ausentes, Raras, algumas e numerosas
Objetiva de 40x:
  • Leucócitos: 1-3 P/C
  • Hemácias: 1-5 P/C
  • Cilindros: 0-2 P/C
  • Bactérias: Ausentes, Raras, algumas, numerosas

Laudo referente a aula prática:



Fonte

  • http://www.sbpc.org.br/upload/congressos/2_Exame_fisico-quimico.pdf
  • http://www.ufrgs.br/lacvet/restrito/pdf/magnus_urinalise.pdf
  • http://www.hc.ufg.br/up/138/o/Preparo_para_Exames_Secao_Uranalise.pdf

Método de coloração de GRAM

A coloração de Gram é um método de coloração de bactérias desenvolvido pelo médico dinamarquês Hans Christian Joachim Gram (1853 - 1838), em 1884, e que consiste no tratamento sucessivo de um esfregaço bacteriano, fixado pelo calor, com os reagentes cristal violeta, lugol, etanol-acetona e fucsina básica. Essa técnica permite a separação de amostras bacterianas em Gram-positivas e Gram-negativas e a determinação da morfologia e do tamanho das amostras analisadas. (Veja mais)


Objetivos

a- Aprender a preparar esfregaço de bactérias;
b- Realizar a técnica de Coloração de Gram;
c- Aprender o fundamento do método de coloração de Gram;
d- Comparar a estrutura da parede celular das bactérias Gram-positivas e Gram-negativas;
e- Permitir a observação da morfologia bacteriana e fornecer informações a respeito do comportamento do seu material celular diante dos corantes de Gram.

Interpretação

O mecanismo da coloração de Gram se refere à composição da parede celular, sendo que as Gram-positivas possuem uma espessa camada de peptideoglicano e ácido teicóico, e as Gram-negativas, uma fina camada de peptideoglicano, sobre a qual se encontra uma camada composta por lipoproteínas, fosfolipídeos, proteínas e lipopolissacarídeos. Durante o processo de coloração, o tratamento com álcool-acetona extrai os lipídeos, daí resultando uma porosidade ou permeabilidade aumentada da parede celular das bactérias Gram-negativas.
Assim, o complexo cristal violeta-iodo (CVI) pode ser retirado e as bactérias Gram-negativas são descoradas. A parede celular das bactérias gram-positivas, em virtude de sua composição diferente, torna-se desidratada durante o tratamento com álcool-acetona, a porosidade diminui, a permeabilidade é reduzida e o complexo CVI não pode ser extraído.
Outra explicação baseia-se também em diferenças de permeabilidade entre os dois grupos de bactérias. Nas Gram-positivas, o complexo CVI é retido na parede após tratamento pelo álcool-acetona, o que causa, provavelmente, uma diminuição do diâmetro dos poros da camada de glicopeptídeo ou peptideoglicano da parede celular. A parede das bactérias Gram-negativas permanece com porosidade suficientemente grande, mesmo depois do tratamento com álcool acetona, possibilitando a extração do complexo CV-l.

Procedimentos:

a- Preparar esfregaços a partir de culturas puras de Escherichia coli, Staphylococcus aureus e Serratia marcescens.
b- Corar os esfregaços pelo método de coloração de Gram.
c- Observar ao microscópio óptico, sob imersão e identificar a morfologia deste microrganismos e sua reação frente ao método de Gram.

Preparo do esfregaço:

a- Pegar uma lâmina limpa no recipiente, secar e flambar rapidamente na chama do bico de Bunsen;
b- Identificar o lado da lâmina onde será feito o esfregaço; 
c- Flambar a alça bacteriológica deixá-la esfriar e colocar na lâmina uma gota de solução salina fisiológica;
d- Flambar a agulha bacteriológica, deixar esfriar próximo a chama, abrir a placa com a cultura teste e tocar a colônia escolhida para retirada da amostra, 
e- Esfregar o material com movimentos de rotação da alça bacteriológica, para se obter um esfregaço de forma oval, bem fino e uniforme;
f- Deixar secar nas proximidades da chama;
g- Fixar o esfregaço passando a lâmina (lado oposto ao esfregaço) 5 vezes na chama do bico de Bunsen (rapidamente).

Método de Coloração de Gram:

  • Cobrir toda a lâmina com solução cristal violeta (corante roxo), aguardar um minuto;
  • Lavar rapidamente em água destilada;
  • Cobrir a lâmina com solução de Iugol (mordente) por um minuto;
  • Lavar em água destilada;
  • Inclinar a lâmina e gotejar álcool-acetona ou álcool absoluto (cerca de 15 segundos). Lavar a lâmina rapidamente em água corrente;
  • Cobrir com fucsina de gram e aguardar 30 segundos;
  • Lavar a lâmina em água destilada e secar (sem esfregar);
  • Colocar uma gota de óleo de cedro sobre a lâmina e observar em objetiva de imersão (IOOX).

RESULTADO: 

  • bactérias Gram-positivas: roxo
  • bactérias Gram-negativas: rosa/vermelho

Observações:

O descoramento para mais ou para menos é resultante da incorreta diferenciação pelo álcool-acetona.
A idade da cultura bacteriana tem Importância fundamental na coloração de Gram. Em culturas envelhecidas, células. Gram-positivas freqüentemente se tomam Gram-negativas.
Se houver um questionamento acerca da Gram-positividade ou da Gram-negatividade da cultura, uma coloração de Gram paralela é aconselhável. Para isto, deve-se usar culturas bacterianas conhecidas como Gram-positivas, tal como Staphylococcus aureus e Gram-negativas, tal como Escherichia coli, como controles.
  

Resumo

Soluções em ordem de aplicação
Reação do aspecto das bactérias  Gram-positivas
Reação do aspecto das bactérias  Gram-negativas
Cristal violetaCoradas em violetaCoradas em violeta
Solução de IugolFormação do complexo CV-I no interior da célula, que permanece violetaFormação do complexo CV-I no interior da célula, que permanece violeta
Álcool-acetona
Desidratação da parede
celular, diminuição da
porosidade e da
permeabilidade; o
complexo CV-I não pode sair da célula, que   permanece violeta
Extração dos lipídeos da parede celular, aumento da porosidade; o complexo CV-I é removido da célula
Fucsina ou safranina
  A célula não é afetada, permanece violeta
A célula adquire o corante, tornando-se vermelha
           

Bibliografia

  • Material retirado de: http://www.uff.br/bacteriologia/aulaspraticas/coloracaodegram.htm 07/08/2014 às 19:15hs. 
  • http://www.icb.ufmg.br/mic/index.php?secao=material&material=19 

O Farmacêutico

Farmacêutico
Sois aquele
Que com colírios alivias os olhos
Dando soluções as doenças
Comprimindo a cura
Drageando e mascarando sabores
Encapsulando a fé
E emulsionando, tu uniste impossivelmente a água e o óleo.

Farmacêutico
Sois aquele
Que do sangue
Conseguistes dosar o normal
Contando uma a uma
Células do início da vida
E de excrementos
Que todos rejeitam
Tu descobristes utilidades
Para o diagnóstico

Farmacêutico
Vives no mundo obscuro
No mundo da pesquisa
Dedicando-se ao descobrimento de substâncias
Que a humanidade desconhece
Mas tu sabes o prazer da descoberta
E a vitória de um desafio.

Farmacêutico
Sois aquele que estais ao lado do leito hospitalar
Como um contra regra da saúde
Obstinado a providenciar o medicamento
Sem o intuito de que, algum dia uma voz caminhe a ti, e diga:
Obrigado, o medicamento que tu adquiristes foi de grande valia.

Farmacêutico
Entre posologias
E contra indicações
Continuas enfrentando todas reações adversas
Pois o efeito colateral
É causado por aqueles que não valorizam
Que tu sempre buscas o benefício
Assumindo todos os riscos.

(Sérgio Luis Gomes da Silva - Farmacêutico)

Ao Cavaleiro do Medicamento

Sua missão é em favor dos outros e livre de qualquer desprezo

Suas paixões terão a frente o compromisso e o dever social
A reputação adquirida deverá sempre fazer jus aos méritos recebidos
Suas doutrinas e ousadia mudarão paradigmas
Livros e candelabro serão seus companheiros na eterna jornada que tem a enfrentar

Veja cavaleiro, o brilhantismo de suas descobertas trarão esperança a quem dela necessita
Seu coração esbanjará nobreza e suas mãos empunharão o mágico poder da cura
Sinta cavaleiro, as magnitudes de seus atos fascinarão o mundo da ciência
O laboratório se transformará na nave erudita do conhecimento, quando sua meta for aniquilar a doença

Ouça cavaleiro, o clamor daqueles que necessitam de sua assistência
Doenças, pragas e pestes envolvem o mundo e suas funções estão postas em prova
A Farmácia é seu solene castelo imperial, e dela será sempre seu guardião



Trabalho e serenidade estarão presentes no seu pergaminho de formulações, pois este será seu mapa de orientação
Várias vezes, sobrepujará em suas cabeças o véu da incerteza, mentalidades infrutíferas tentarão abalar seus conceitos, indiferença e ausência de reconhecimento farás tu mesmo duvidar de suas reais dimensões



Neste momento, a meditação e seu propósito de vida trará de volta a radiante luz da inspiração
E as expectativas herdarão novos motivos para acreditar
Caminhos novos serão traçados e cavalgarás por nações, religiões, culturas e raças e em todas elas levará seu legado, legítimo e verdadeiro



Liberta-te das correntes do comodismo e assuma seu papel, ó farmacêutico !
Pois tu és o cavaleiro do medicamento
Faça da educação sua espada
Da honra seu escudo
E da ética, sua eterna armadura!

(Ricardo Ferreira Nantes - Farmacêutico bioquímico)