Contagem de Reticulócitos

Aula prática de Hematologia


A contagem de reticulócitos é o método mais simples para estudo da função eritropoética.
Os reticulócitos são eritrócitos jovens, recém-liberados pela medula óssea e que ainda contém o RNA ribossômico.
Não é fundamental que o exame de reticulócitos seja realizado durante a hemorragia, somente depois de 3 a 4 dias (período de produção da eritropoiese nesses casos), o reticulócito só é lançado no sangue periférico depois do 3º dia, tal exame após esse período, é importante para verificar se houve resposta da medula óssea na eritropoiese.
A função do exame de reticulócitos, é verificar a atividade da medula óssea em relação à eritropoiese (funcionamento da medula na produção de eritrócitos). 
O valor de referencia dos reticulócitos é de 0,5% a 1,5%, no sangue periférico. 
A coloração é realizada com azul de cresil brilhante, também conhecida como supravital. Esse corante evidencia as organelas.

Materiais e Reagentes:

  • Lâmina de vidro;
  • Lâminas distensoras;
  • Corante Azul de cresil brilhante;
  • Tubos de ensaio;
  • Banho-maria à 37°C;
  • Microscópio óptico;
  • Óleo de Imersão.


Procedimento:
  • Colocar o sangue no tubo de hemólise na proporção de 1:1, ou seja, partes iguais de corante e sangue (colhido por punção venosa com anticoagulante) em tubos de ensaio (gotas)
  • Homogeneizar e colocar em banho-maria á 37°C por 10 minutos.
  • Retirar do banho-maria. Agitar e retirar uma gota para fazer uma lâmina (para leitura na objetiva).
  • Secar e examinar ao microscópio sob imersão.
  • Contar 10 campos, anotando o número de reticulócitos encontrados.
  • Expressar o resultado em percentagem e número absoluto. (O material contado é o que são as bolinhas azuis que contém tipo uma estrela dentro da hemácia).
  • Opcionalmente pode-se fazer coloração de fundo por Giemsa.
OBS: Referência varia de 0,5 a 1,5 % do total do número de hemácias.


Cálculos:          Reticulócitos em 10 campos
                    ------------------------------------------- = % de reticulócitos
                                               10
                                            

                                ou


         % de reticulócitos x Hm/ml
         ------------------------------------------- = reticulócitos/ml de sangue
                               100

Interpretação
O resultado é expresso em percentual e em número absoluto em relação a população de eritrócitos. Sua contagem serve para avaliar de forma efetiva a produção de eritrócitos, sendo útil no controle terapêutico, no diagnóstico diferencial e na classificação das anemias.

Valores normais:

  • No adulto.............................0,5 a 1,5% ou 25.000 a 75.000/mm3 sangue
Obs.: estes valores aparecem discretamente aumentados na gravidez.
  • Recém-nascidos possuem maior numero de reticulócitos. O exame também é solicitado em casos de hemorragia e anemias hemolíticas (quando as hemácias são destruídas em grande quantidade).


Contagem de reticulócitos corrigida
Um paciente com um determinado grau de anemia deve ter a sua contagem de reticulócitos corrigida para que se determine o número de reticulócitos de acordo com o grau de anemia, o que muitas vezes mostra que uma contagem de reticulócitos normal pode estar tendo uma representatividade baixa para o paciente.

Veja a técnica e um exemplo:
Porcentagem de reticulócitos x hct do paciente
                                  Hct normal
Sabendo que um hematócrito considerado normal tem valor igual a 45% que representa a porcentagem da parte sólida do sangue e supondo que na contagem convencional a porcentagem de reticulócitos deste paciente tenha dado 1,2% e seu hematócrito 29:
Índice de reticulócitos = 1,2 x 29 = 0,77
                                               45
O que parecia uma contagem normal igual a 1,2% de reticulócitos passou a ser uma contagem abaixo do normal.

Causas de reticulocitoses
1. Esferocitose
2. Drepanocitose
3. Eritroblastose Fetal
4. Anemia aguda pós-hemorrágica
5. Anemia hemolítica autoimune adquirida
6. Hemoglobinúria Paroxística noturna
7. Resposta terapêutica satisfatória nas anemias carenciais

Causas de reticulopenias
1. Anemia Aplástica
2. Crise aplástica de anemia hemolítica
3. Anemias Megaloblásticas
A Reticulocitose é um bom índice da resposta terapêutica das anemias por carência de fatores hematopoiéticos.
Uma anemia ferropriva responde à administração de ferro com reticulocitose até a sua inteira correção.
Reticulocitose na ausência de perdas sanguíneas ou tratamento de estados carenciais com ferro, folatos ou vitamina B12 é bastante indicativo de hemólise.



Leia também:


FONTE

  • http://www.lookfordiagnosis.com/mesh_info.php?term=Eritropoese&lang=3 
  • http://pt.wikipedia.org/wiki/Hematopoiese 
  • http://pt.wikipedia.org/wiki/Eritr%C3%B3cito
  • http://pt.slideshare.net/andersongalvao2012/resumo-hemato
  • http://hematologiacarlao.blogspot.com.br/2009/03/contagem-de-reticulocitos-e-plaquetas.html
  • http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAw-0AF/contagem-reticulocitos

Teste do Bafômetro: dá para escapar?

Em 1954, um médico do Departamento de Polícia de Indiana (Estados Unidos) desenvolveu um aparelho que seria capaz de identificar a concentração de álcool no sangue por meio da análise do ar presente nos pulmões. Em vez de sistemas eletrônicos, os bafômetros do doutor Robert Borkenstein realizavam misturas químicas com várias soluções, sendo que a concentração alcoólica era revelada pela análise da cor do líquido gerado na reação – e não mostrada em um visor eletrônico, como acontece atualmente.
Todos os tipos de bafômetros são baseados em reações químicas.  Os reagentes mais comuns são dicromato de potássio e célula de combustível. A diferença entre estes dois reagentes é que o dicromato muda de cor na presença do álcool enquanto a célula gera uma corrente elétrica.

O passo-a-passo do funcionamento do bafômetro

Você dá um gole e, em poucos segundos, o álcool começa a ser absorvido pelo estômago, cai na corrente sanguínea e passa em forma de vapor para os pulmões. O processo inverso é bem mais longo. 
É necessário 1 litro e meio de ar para fazer a medição, um sopro de cerca de 5 segundos.

1. Com a ajuda de um catalisador, o álcool expirado reage com o oxigênio presente no aparelho.
2. A reação libera ácido acético, íons de hidrogênio e elétrons.
3. Os elétrons passam por um fio condutor, gerando corrente elétrica. Quanto mais álcool, maior a corrente: um chip faz as contas e dá a concentração de álcool no sangue.
4. Ao fim do processo, sobra só água na forma de vapor.


A margem de erro do aparelho é de 0,007 mg/l (para quantidades menores de 0,4 mg/l), ou seja, cerca de 1%, segundo o INMETRO.

Veja quanto tempo, em média, uma dose leva para desaparecer do seu corpo:
  • Um copo de cerveja (350 ml) - 1 hora
  • Uma dose de pinga, tequila ou uísque (50 ml) - 1 h e 15 min
  • Uma dose de vinho (150 ml) - 1 h e 25 min

Veja algumas das principais influências negativas do álcool sobre o motorista:
  • Exige mais tempo de reação para que os motoristas escapem de acidentes;
  • Diminui a capacidade de desviar a atenção para pontos mais relevantes (fixação);
  • Limita a percepção dos motoristas.
Etanol no sangue (gramas/litro)EstágioSintomas
0,1 a 0,5SobriedadeNenhuma influência aparente.
0,3 a 1,2EuforiaPerda de eficiência, diminuição da atenção, julgamento e controle
0,9 a 2,5ExcitaçãoInstabilidade das emoções, incoordenação muscular. Menor inibição. Perda do julgamento crítico
1,8 a 3,0ConfusãoVertigens, desequilíbrio, dificuldade na fala e distúrbios da sensação.
2,7 a 4,0EstuporApatia e inércia geral. Vômitos, incontinência urinária e fezes.
3,5 a 5,0ComaInconsciência, anestesia. Morte
Acima de 5MorteParada respiratória
Dirigir embriagado é uma infração gravíssima. Se ao soprar o bafômetro sua taxa de álcool no sangue der entre 0,1mg/L e 0,3mg/L você terá retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e recolhimento do documento de habilitação, terá seus direitos de dirigir suspensos por um ano e arcará com a multa de R$ 1.915,40. Contudo, se sua taxa de álcool no sangue der entre 0,4mg/L e 6dg/L, além de você perder a carteira, ter seu direito de dirigir suspenso por um ano e pagar a multa, você será preso em flagrante e responderá um processo penal.

Dá pra enganar o bafômetro?

Algumas pessoas acham que o bafômetro é medido pelo hálito e utilizam algumas técnicas para tentar enganar:
  • Tomar azeite: Não funciona.
  • Mascar chiclete: Só engana o parceiro, mas não o bafômetro.
  • Encher a boca de carvão ativado: Como é muito poroso, o carvão absorveria as moléculas voláteis de álcool na boca, antes que ele chegasse ao aparelho. Funciona pouco. Não o suficiente para evitar uma perda de carteira.
  • hiperventilação: Inspirar muito ar e depois expirar tudo, repetidas vezes, com força e velocidade, por 20 segundos, aumentaria a concentração de oxigênio nos pulmões, diminuindo a concentração de álcool na baforada. 
Reduz em quase 25% a concentração momentânea do álcool nos pulmões. Mas não se engane: essa variação dura pouco e só salva quem bebeu um copinho de cerveja. Se for mais que isso, a multa e a apreensão vêm do mesmo jeito.
  • Absorvente com Vodca: Não é suficiente, além de perigoso.
Alguns jovens tem utilizado essa e outras técnicas para fugir do teste do bafômetro. Os riscos para quem consome álcool (ânus e vagina) são exatamente os mesmos dos métodos convencionais. O que conta é a quantidade de álcool ingerida, porque independente de onde for, o corpo vai absorver do mesmo jeito. O grande problema é o uso abusivo do álcool, independente da via.
No entanto, além do comportamento extremamente invasivo ao corpo, o ânus, por exemplo, tem mais terminações nervosas e mucosas mais expostas, o que causa uma absorção mais rápida e compromete a percepção da quantidade ingerida.

O único jeito de enganar o bafômetro é a seguinte forma:


FONTE

  • http://super.abril.com.br/tecnologia/como-funciona-bafometro-447645.shtml
  • http://www.tecmundo.com.br/infografico/23251-como-funciona-o-bafometro-infografico-.htm
  • http://pt.wikipedia.org/wiki/Baf%C3%B4metro
  • http://advogadoembrasilia.wordpress.com/2013/01/22/fui-pego-no-bafometro-e-agora/
  • http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/05/jovens-consomem-alcool-pelo-anus.html
  • http://www.cnt.org.br/Imagens%20CNT/teste_bafometro.jpg
  • http://xpock.com.br/wp-content/uploads/2011/07/cerveja.jpg

Sabonete Glicerinado

Aula Prática de Cosmetologia

Composição

Base para sabonete glicerinado
150g
Glicerina bidestilada
15g
Extrato vegetal
3ml
Essência
q.s
 
Os sabonetes de glicerina costumam ser muito benéficos à pele por serem bastante hidratantes.
  • Sabonete: Produto mais suave obtido da reação de saponificação de gorduras com álcalis ou elaborado a partir de detergentes sintéticos mais suaves, utilizado como cosmético para limpeza da pele, associado ou não a outros tensoativos. Com detergência mais suave e menor alcalinidade do que o sabão. 
  • Glicerina: ou glicerol, como também é conhecido é o nome comercial do composto de nomenclatura IUPAC propano 1,2,3- triol. A Glicerina é um composto atóxico que pode ser utilizado como matéria prima para a produção de diversos produtos e também no meio da produção como, por exemplo, em cosméticos. É umectante e é utilizado para evitar o ressecamento da pele e do sabonete.
  • Corantes e Essências: Tornam o sabão e o sabonete mais atrativos.
  • Extratos Glicólicos: ou também conhecidos como extratos vegetais, são obtidos por processos de maceração, infusão ou percolação de ervas, flores, raízes, etc., em um solvente hidroalcoólico que pode ser o propilenoglicol (um tipo de álcool que age como hidratante em cosméticos, medicamentos, etc.) ou a glicerina, puros ou misturados. Os extratos glicólicos contém em si todos os princípios ativos de determinada planta, dissolvidos na solução de glicerina ou de álcool, são solúveis em água, géis, produtos de base aquosa, glicerinada e também em bases hidrolipídicas (mistas). São amplamente utilizados em produtos cosméticos, tanto para a pele quanto para os cabelos, em concentrações que variam normalmente de 1% a 10%. NÃO DEVEM SER INGERIDOS, seu uso é exclusivamente cosmético.

MATERIAIS


  • Balança
  • Bandeja de plástico
  • Bastão de vidro
  • Becker
  • Espátula
  • Forma de silicone
  • Pipeta
  • Placa de aquecimento



PROCEDIMENTO


  1. Pese 150g de Base glicerinada;
  2. Corte a base glicerinada (já pesada) em pequenos pedaços e coloque dentro do Becker;
  3. Pese 15g de glicerina e coloque-a dentro do Becker;
  4. Leve o Becker à placa de aquecimento previamente aquecida (+- 120°), deixando fundir lentamente e misturando algumas vezes (cuidado para não aquecer demais e queimar a base);
  5. Adicione 3ml de extrato vegetal e homogenize;
  6. Adicione q.s. de essência e homogenize;
  7. Verta a mistura na forma (ainda quente) e espere secar para desenformar.


  

BIBLIOGRAFIA


  • http://quimicasemsegredos.com/reacao-de-Saponificacao.php
  • http://projetos.unioeste.br/projetos/gerart/apostilas/apostila7.pdf
  • http://papodebeleza.com/tag/extrato-vegetal/
  • http://www.infoescola.com/compostos-quimicos/glicerina/
  • http://www.infopedia.pt/$glicerina;jsessionid=MedIsuW2cYc1vMosaa3Otw__
  • http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAaLsAI/cosmetologia


Toxoplasmose na Gravidez

TOXOPLASMOSE

 

§  Agente etiológico: Protozoário Toxoplasma gondii (T.G.), coccídeo intracelular encontrado nas fezes dos gatos e outros felinos.

§  Hospedeiro definitivo: felinos

§  Hospedeiro intermediário: Homem

§  Período de incubação: 

o   de  10 a  23 dias quando a infecção provém da ingestão de carne mal cozida;

o   de 5 a 20 dias em uma infecção associada a   gatos.

 

CLASSIFICAÇÃO TAXONÔMICA DO PARASITA

§  Reino: Protista

§  Filo: Apicomplexa

§  Classe: Conoidasida

§  Subclasse: Coccidia

§  Ordem: Eucoccidiorida

§  Família Sarcocystidae

§  Gênero: Toxoplasma

§  Espécie: Toxoplasma gondii

 

EPIDEMIOLOGIA 

É cosmopolita, encontrada em grande número de animais domésticos e silvestres, dentre os quais podem ser citados o cão, o gato, o coelho, o porco, o carneiro, o boi, além de ratos, pombos e outras aves domésticas, mas enquanto os animais que se comportam como hospedeiros intermediários de T. gondii  ao serem caçados ou consumidos pelos carnívoros, infectam a um ou poucos predadores, os hospedeiros definitivos (felinos) conseguem, através da contaminação do solo (20 gramas de fezes podem conter 10 a 100 mil oocistos), multiplicar enormemente a dispersão e consequentemente as fontes de infecção. A dispersão desse material pela chuva, pelo vento ou pela fauna coprófaga, pode representar alto potencial de disseminação da toxoplasmose.

 

MORFOLOGIA

§  Oocisto: Se constitui na forma de resisncia de meio exterior, sendo produzido no interior do tecido enteroepitelial de felinos, que não apresentam imunidade  protetora  significativa. Após destruição da barreira tecidual intestinal, alcança a luz intestinal sendo em seguida eliminado com as fezes. Normalmente, se encontram não esporulados na fase inicial de meio exterior, apresentando uma ou duas massas blásticas denominadas esporoblastos (oocisto imaturo). Estas estruturas dão origem a esporocistos,  contendo cada uma quatro esporozoitas,  caracterizando o oocisto maduro que é o estágio infectante.


§  Pseudocisto: É a estrutura formada pela multiplicação no interior de células do organismo, tendo como limitante das mesmas a membrana celular do hospedeiro, as formas produzidas por endogenia são conhecidas como taquizoítas, pela sua rápida multiplicação, sendo a forma de maior atividade do protozoário. É encontrado principalmente na fase aguda da infecção, sendo pouco resistentes ao suco gástrico, porém tem capacidade limitada de transmissão.


§ Cisto: Esta estrutura de resisncia intratecidual, se apresenta com membrana produzida pelo parasita, que paulatinamente ao crescimento, gera aumento do tamanho desta membrana. Em seu interior, trofozoitas crescem lentamente até atingir grande número, que pode chegar a mais de mil, permanecendo a partir daí em fase estacionária. Este crescimento lento fez com que fossem denominados de bradizoitas. Sua produção é iniciada na fase inicial da infecção, porém, em razão da destruição dos taquizoítas em fase onde surge a resistência do hospedeiro, serão as únicas formas encontradas em fase crônica em várias localizações onde se destacam tecido muscular, sistema nervoso, globo ocular e tecido celular subcutâneo.




 CICLO VITAL 


§  Fase Sexuada (Hosp. definitivo)

Esta fase está limitada  aos  felinos não  imunes,  que  são  os  únicos  hospedeiros  em  que  o  T. gondii  completar todo seu complexo ciclo vital, particularmente nas comunidades humanas temos     os gatos. Os demais animais (outros mamíferos e aves) não  podem  manter  senão  as  fases assexuadas do ciclo e, portanto, desempenham o papel do hospedeiro intermediário, transmitindo       a infecção apenas quando sua carne serve para a alimentação de outros animais, inclusive o do homem/, ou quando o fazem por via congênita. Os felinos infectam-se por ingestão de animais parasitados por T. gondii   geralmente roedores, cujos tecidos contêm taquizoítas  ou  bradizoítas  ou  por ingestão de oocistos. Após ingestão de esporozoítas, bradizoítas ou taquizoítas, ocorre penetração no epitélio intestinal do felino, onde sofrerão processo multiplicativo conhecido como esquizogonia, dando origem a vários merozoítas.

 

§   Esquizogonia/esporogonia

A multiplicação por divio do cleo (esqizogonia) -> merozoíto -> esquizonte maduro -> rompimento  da  célula  parasitada  libera  os  merozoítos  que  penetrarão  em novas células epiteliais, se transformando após três ou quatro ciclos em formas sexuadas imaturas masculinas e femininas, conhecidas como gametócitos ou gamontes que, após um processo de maturação,  formarão  os  gametas  masculinos  (microgametas)  e femininos (macrogametas). O macrogameta permanecerá dentro de uma célula epitelial, enquanto que os microgametas móveis sairão de sua célula indo fecundar o macrogameta, formando o ovo ou zigoto, por proceso de esporogonia. Este evoluirá dentro do epitélio, formando uma parede externa dupla, dando origem ao oocisto, depois, na célula epitelial, formarão uma parede externa dupla, dando origem ao oocisto, a célula epitelial, em alguns dias, sofrerá rompimento, liberando o oocisto imaturo. Essa forma, através das fezes, alcançará o meio externo e, após um período de cerca de quatro dias, ficará maduro e apresentando dois esporocistos contendo quatro esporozoítos cada.


 §  Fase exclusivamente Assexuada

Esta parte do ciclo resulta na formação de taquizoítos e bradizoítas, que são as únicas formas encontradas em hospedeiros não felinos. A infecção de hospedeiro intermediário pode gerar duas formas teciduais, os cistos e pseudocistos. Como forma infectante para os hospedeiros intermediários, pode ser encontrada a ingestão de oocistos, cistos, pseudocistos e mais raramente de taquizoítas livres, que nos dois casos iniciais liberam por processo de digestão do hospedeiro os trofozoítas respectivos (esporozoítas, bradizoítas  e taquizoítas) que penetram rapidamente na mucosa digestiva, principalmente em nível intestinal, disseminando-se por via hematogênica e/ou linfática. Este estágio invasivo e proliferativo gera a produção principalmente de pseudocistos, produzindo taquizoítas por processo assexuado intracelular, em interior de vacúolo, conhecido  por endogenia (endodiogenia), em que se formam  dois taquizoítas dentro da célula-mãe. Quando se acumulam 8 a 16 taquizoítas, a célula se rompe e novas células são infectadas, ocorrendo tal processo predominantemente na fase aguda da toxoplasmose, ou na reagudização da infecção. Paralelamente e, em menor escala, são produzidos cistos, contendo cada um milhares de trofozoítas, que devido ao fato de se  multiplicarem  lentamente, culminando com fase latente de crescimento, são denominados bradizoítas. O cisto tecidual contendo os bradizoítas resiste integro por longo tempo e, quando se rompe, libera os parasitas, que em função da imunidade celular protetora do hospedeiro, são destruídos em sua maioria, exceto aqueles que penetram em células, gerando novos cistos e pseudocistos, porém causando ciclo restrito de invasão, que por estimularem o sistema imune, são importantes como elementos de reforço de imunidade para seu hospedeiro, dificultando as reinfecções.

 

MECANISMOS DE INFECÇÃO 

§  Passiva-oral:

o   por ingestão de oocisto contido pricipalmente em veículos como água e alimentos, ou secundariamente por ingestão destes presentes em jardins, caixas de areia, latas de lixo ou disseminados mecanicamente por moscas, baratas;

o   por cisto encontrado em carne crua ou mal cozida;

o   por pseudocistos e/ou taquizoítas contidos em carne mal cozida;

o   através de taquizoítas livres em leite;

§  Congênita ou transplacentária:

o   por passagem de  taquizoítas, existindo  a  possibilidade  em cerca de 40% dos fetos podem se infectar com o T. gondii  durante a gravidez, estando a gestante na fase aguda da doença.

 

 

PATOGENIA E REAÇÕES ORGÂNICAS 

O quadro da doença, no homem, varia consideravelmente, sobretudo em função da idade em que se dê a infecção. O número de pessoas com sorologia positiva é significativo, sendo talvez o protozoário mais difundido entre a população humana e em outros animais. Porém, a patogenia na espécie humana parece estar relacionada principalmente aos seguintes fatores: cepa do parasita, resistência do hospedeiro e o modo pelo qual a mesma se infectou. As infecções na sua maioria são adquiridas a partir do trato digestivo e consequentemente os organismos se disseminam pelos linfáticos e pelo sistema porta, com subsequente invasão de vários órgãos e tecidos. Em infecções maciças os taquizoítas em multiplicação podem produzir áreas de necrose em tecidos vitais como o miocárdio, pulmão, fígado, cérebro. Com a evolução de doença, a imunidade do hospedeiro, principalmente mediada por LT, destrói grande número de taquizoítas, quando os pseudocistos se rompem, restando então os bradizoítas no interior dos cistos, que raramente se rompem caracterizando assim a fase crônica da doença que em geral é assintomático, exceto no período de reativações (rompimento dos cistos) em tecidos mais frágeis, ou em estados de imunodeficiência. No caso de haver sintomas, merecem destaque:

§  Febre;

§  Exantema  máculo-papular  (vermelhidão  pelo  corpo  em  forma  de  pequenas  manchas  e pápulas);

§  Cansaço;

 

 

§  Dores no corpo;

§  Linfadenopatia, ou seja, ínguas espalhadas pelo corpo;

§  Dificuldade para enxergar que pode evoluir para cegueira;

§  Lesões na retina.



FORMA CONGÊNITA

Mulheres com infecção crônica pelo T. Gondii normalmente não possibilitam infecção transplacentária, por condição imunitária tendo dificuldade de lograrem êxito as reinfecções. Quando existe forma aguda materna, pelo alto número de taquizoitas circulantes, existe significativa chance  de transmissão. Apesar da raridade desta forma de infecção, pela condição de imunodeficiência fisiológica fetal, as formas clínicas são potencialmente graves, o que determina um maior aprofundamento no estudo da mesma. A seguir, veja o ciclo de vida do T. gondii até a infecção intrauterina:

 Ilustração do Ciclo do Toxoplasma gondii (Dubey et al., 1998)


O curso da doença parece depender da idade gestacional em que se deu a infecção e da capacidade de resistência materna.


Risco de Transmissão:

§  Primeiro  Trimestre:  15%  apresenta  repercussões  graves  no  concepto,  óbito  fetal  ou neonatal, sequelas importantes.

§  Segundo trimestre: 25% o recém-nascido apresenta manifestões subclínicas;

§  Terceiro Trimestre: 65% com manifestões sub clínicas (branda ou assintomática) e mais raramente um quadro grave de parasitemia.


O risco se aproxima de 100% se a infecção da genitora ocorre no último mês da gestação; parece depender do fluxo sanguíneo placentário, virulência da cepa do T.gondi, susceptibilidade genética e carga parasitária que atinge a placenta.

Entretanto, mais da metade dos filhos de mães que se infectam durante a gravidez nasceram sem apresentar toxoplasmose congênita. Quando ocorre infecção congênita nesta fase gestacional, a doença apresenta-se com curso subagudo ou crônico, e o parasita invade todos os órgãos, mas prevalecem por seu maior potencial de dano as lesões do sistema nervoso e da retina. Normalmente inicia-se com um processo agudo onde são encontradas as seguintes manifestações clínicas: hepatoesplenomegalia, icterícia, linfadenopatia e mais raramente meninge encefalite.

Esse quadro agudo grave poucas vezes é observado, porque ocorre geralmente durante a vida intrauterina e leva a morte fetal ou ao abortamento. As crianças que sobrevivem, em  geral  apresentam graves anomalias e retardo no desenvolvimento físico e mental. A infecção muitas vezes passa para sua fase subaguda ou crônica, regredindo as alterações viscerais e permanecendo as neuroculares. Evidências da doença podem manifestar-se por ocasião do nascimento ou, mais frequentemente, surgem poucos dias depois, ou decorridos semanas ou meses. 

A síndrome mais característica compreende (Tríade de Feldman):

§  Retinocoroidite

§  calcificações cerebrais

§  hidrocéfalo interno ou microcefalia


Lesões oculares caracterizam-se por edema da retina, graus diversos de degeneração e  de  inflamação, envolvendo as áreas necrosadas. A coroíde  apresenta  alterações  vasculares, hemorragias, infiltrados inflamatórios e edema. Outras alterações oculares também podem estar presentes, como microftalmo, nistagono, estrabismo, irite, ou atrofia óptica.

Entre as manifestações neurológicas estão as alterações psicomotoras, convulsões generalizadas, espasticidade, opistótomo, rigidez da nuca, paralisias. Outras manifestações clínicas decorrem de quadros hepáticos, cardíacos e/ou em qualquer outro sistema.

 

TOXOPLASMOSE ADQUIRIDA

A maioria dos casos adquiridos na segunda infância ou na idade adulta é assintomática ou não exibe um quadro clínico definido na fase aguda. As adenopatias parecem ser o sinal clínico mais frequente da infecção em adultos onde encontramos em menor escala outros sinais e sintomas como mal-estar, mialgias-cefaleia, anorexia e febre.

Retinocoroidite pode ser consequência ou a única manifestação de uma toxoplasmose confirmada pelos títulos altos nas provas sorológicas. Provavelmente, ela é a sequela tardia de uma infecção congênita. Também podem ocorrer formas graves nos adultos, geralmente encontradas em imunodeficientes.  Há casos clínicos fulminantes e rapidamente fatais, que apresentam febre, mal- estar, dores musculares e articulares, em seu início. Esses casos acompanham-se de prostração, hepatite, esplenite, miocardite e, por vezes, meningite e encefalomielite.

Na maioria dos casos desenvolve-se um quadro clínico de encefalite aguda, que pode ser fatal em poucos dias. A rápida disseminação parasitária determina quadro sistêmico, onde o sistema nervoso central se destaca por sua maior relevância na coordenação das funções orgânicas. A maioria dos pacientes apresenta febre e cefaleia (Dor de cabeça). A alteração das funções cerebrais manifesta-se por confusão, letargia, convulsões, alucinações ou psicose franca, perda de memória ou do conhecimento ou até ao estado de coma. Podem ser encontrados paralelamente os mais variados sinais e sintomas em outros sistemas orgânicos. 


CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA

 

LABORATÓRIO (exames específicos):

§  Isolamento direto do parasito (não é feito como rotina);

§  Teste de Aglutinação (Immunosorbent Agglutination Assay (ISAGA));

§  ELISA IgM por captura;

§  R.I.F.I. ou ELISA IgG seriada do binômio;

§  IgA sérica;

§  Teste de Avidez IgG;

§  PCR (Reação em Cadeia de Polimerase);

§  Sabin Feldman;

§  Líquor (citologia, bioquímica, avaliação imunológica).

 

As reações mais utilizadas são as que pesquisam Ac parasitários onde se destacam a Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI), a hemaglutinação e a imunoenzimática (ELISA), porém já que grande parte da população humana é soropositiva para este parasita, o simples encontro de Ac anti-Toxoplasma não é sinônimo de infecção aguda, podendo ser consequência de parasitismo crônico ou de passagem de IgG por placenta nos em crianças até o quarto mês de vida. O encontro de IgM, ao contrário, é reflexo de infecção, por este parasita, de no máximo 1 ano de curso:

§  IgG: a resposta aparece com uma a duas semanas, pico com um a dois meses após a infecção e persiste por toda vida;

§  IgM: aparece com duas semanas, pico em um mês e declina para ficar indetectável em seis a nove meses; não atravessa a placenta e pode haver contaminação com sangue materno portanto repetir em poucos dias o IgM, IgE e IgA;

§  IgA: cai rapidamente, em torno de sete meses. Pode ter maior sensibilidade para neonatos que o IgM;

§  IgE: sobe e desce rapidamente em menos de quatro meses.

BIOIMAGEM:

§  Raio-X de ossos do crânio;

§  Ultrassonografia de crânio;

§  Tomografia Computadorizada de crânio;

§  Raio-X de tórax;

§  Ecocardiograma.

 

OUTROS:

§  Estudo anatomopatológico da Placenta;

§  Oftalmoscopia;

§  Audiometria;

§  Hemograma com Perfil hepático e renal.

 

TRATAMENTO

§  O tratamento não é necessário para pessoas saudáveis e que não estejam grávidas;

§  Para mulheres grávidas e pessoas com deficiência do sistema imunológico, o tratamento deve ser feito com pirimetamina, sulfadiaziana e ácido folínico durante quatro semanas;

§  Clindamicina em adição a esses agentes é utilizada para tratamento da toxoplasmose ocular;

§  Espiramicina é usada em gestantes para prevenir a infecção placentária;

§  Em caso de pacientes soropositivos, o tratamento é indispensável, pois a forma disseminada da doença pode envolver retina, pulmões, cérebro, pele, músculos, fígado e coração. Pacientes com Aids requerem tratamento e atenção especial para controlar a progressão da depressão imunológica associada à doença.

 

PROFILAXIA

§  Em função das peculiaridade biológicas discutidas acima, a profilaxia da toxoplasmose é de difícil execução, porém, é viável a promoção de medidas que possibilitam a redução de risco de  transmissão, principalmente utilizadas, nos casos de gestações onde são encontrados soro- negatividade e em estados de imunodeficiência adquirida (SIDA/AIDS). As principais medidas gerais  de controle desta Parasitose são:

§  Exame e acompanhamento sorológico para T. gondii  pré-nupcial;

§  Avaliação sorológica pré-gestacional;

§  Triagem sorológica no primeiro trimestre e mensal nas gestantes susceptíveis;

§  Tratar gestantes infectadas;

§  Triagem neonatal;

§  Investigar recém nascidos de mães soropositivas para HIV;

§  Evitar o consumo de carne crua ou mal cozida de porco, carneiro, boi (aves e ovos sendo de menor significado), com consequente cozimento das mesmas, ou salgagem das mesmas ou tratamento com nitrato;

§  Lavar  mãos  após  manipular  alimentos  crus,  após  manipular  terra,  tanques  de  areia, contato com gatos, cujo pelos podem estar retidos oocistos que amadurecem em poucos dias;

§  Gatos domésticos devem receber alimentos secos, enlatados ou fervidos e deve-se evitar, na  medida  do  possível,  que  cacem  e  comam  carniças;  devendo  regularmente  serem submetidos  a  exames  coproparasitalógicos  para  pesquisa  de  oocistos  de T. gondii,  principalmente os mais jovens;

§  Evitar contato com gatos vadios ou desconhecidos;

§  As fezes dos gatos e o material de forração de seu leito devem ser eliminados diariamente, antes que os oocistos tenham tempo para embrionar; não envolvendo gestantes nestas tarefas;

§  Tanques de areia devem ser cobertos quando fora de uso pelas crianças;

 

BIBLIOGRAFIA

§  http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/25gestacao_alto_risco.pdf

§  http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gestacao_alto_risco.pdf

§  http://drauziovarella.com.br/letras/t/toxoplasmose/ 

§  http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hidrica/Toxoplasma_gondii.htm 

§  http://www.icb.ufmg.br/biq/prodap/2000/toxo/ciclo%20de%20vida.html 

§  http://www.sbp.com.br/pdfs/TOXOPLASMOSE_congenita-LM-SBP16.pdf

§ http://www.sjc.sp.gov.br/media/76972/toxoplasmose%20e%20a%20gesta%C3%A7%C3%A3o.pdf 

§  https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2019/10/20191003_00_olho-toxoplasmose.jpg

§  https://andreiatorres.com/blog/2017/11/17/saiba-como-evitar-a-toxoplasmose