Prescrição Farmacêutica: Plantas Medicinais e Fitoterápicos - Revisão e Atualização

A prescrição farmacêutica no Brasil tem evoluído significativamente nos últimos anos, com importantes marcos regulatórios que legitimam e ampliam esta prática profissional. Esta revisão atualiza as informações sobre o tema, com ênfase na prescrição de plantas medicinais e fitoterápicos.

Fundamentação Legal da Prescrição Farmacêutica

O farmacêutico tem autorização para prescrever, desde que o problema de saúde seja considerado autolimitado, com baixa complicação e curto período de desenvolvimento. Esta atribuição está fundamentada em uma série de resoluções do Conselho Federal de Farmácia (CFF).

Em 21 de julho de 2011, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a Resolução nº 546 do CFF, que dispõe sobre a indicação farmacêutica de plantas medicinais e fitoterápicos isentos de prescrição e seu registro. A partir dessa publicação, ficou explícita a competência do farmacêutico para indicação de plantas medicinais e fitoterápicos.

Em 2013, essa atuação se consolidou com a publicação de duas importantes resoluções:

  • Resolução CFF nª 585/2013, que regulamentou as atribuições clínicas do farmacêutico
  • Resolução CFF nª 586/2013, que regulamentou a prescrição farmacêutica

É importante destacar que a Resolução 586/2013 foi objeto de contestação judicial em novembro de 2024, quando o juiz federal Alaôr Piacini, da 17ª Vara Federal Civil da Justiça no Distrito Federal, suspendeu sua aplicação em resposta a uma ação civil pública ajuizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O CFF anunciou recurso contra esta decisão, argumentando que a Lei nº 3820/1960 estabelece como sua atribuição expedir resoluções que definam as atribuições dos profissionais farmacêuticos.

Em fevereiro de 2025, o CFF aprovou a Resolução nº 5/2025, que representa uma atualização importante no escopo da prescrição farmacêutica, estabelecendo novas regras para a prescrição de medicamentos tarjados mediante Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em Farmácia, conforme aprovado pela Resolução nº 4/2025


Escopo da prescrição farmacêutica de fitoterápicos

A partir das regulamentações vigentes, o farmacêutico pode prescrever diversos produtos de venda livre, inclusive plantas medicinais e fitoterápicos, abrangendo um vasto rol de produtos industrializados, preparações magistrais e até mesmo plantas medicinais frescas ou secas.

Fitoterápicos de Venda Livre

  • O farmacêutico pode prescrever plantas medicinais e fitoterápicos isentos de prescrição médica.
  • Isso inclui produtos industrializados, preparações magistrais e plantas medicinais frescas ou secas.
  • A prescrição deve ser feita com base em conhecimentos técnico-científicos e princípios éticos.

Limites da Prescrição Farmacêutica

  • Fitoterápicos com indicações terapêuticas listadas na RDC nº 138/2003 são isentos de prescrição médica.
  • Fitoterápicos com outras indicações terapêuticas requerem prescrição médica.
  • Produtos Tradicionais Fitoterápicos (PTF) geralmente são isentos de prescrição, pois tratam condições leves que não exigem acompanhamento médico.

Fitoterápicos no SUS

  • O SUS oferece 12 medicamentos fitoterápicos na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename).
  • Exemplos incluem: Espinheira-santa, Guaco, Alcachofra, Aroeira, entre outros. Confira o post completo sobre os Fitoterápicos ofertados no SUS

Regulamentação e Capacitação

  • A prescrição farmacêutica é regulamentada pela Resolução CFF nº 546/2011.
  • O farmacêutico deve ter conhecimentos específicos e habilidades de comunicação para realizar a indicação farmacêutica.
  • A capacitação pode ser obtida através de disciplinas de graduação, pós-graduação ou cursos livres reconhecidos pelo CFF.
A Associação Brasileira de Fitoterapia (Abfit) promove especialização em Fitoterapia na prática clínica para prescritores (Nutricionistas, Médicos, Farmacêuticos, Enfermeiros, Fisioterapeutas, Dentistas), sendo uma opção importante para farmacêuticos que desejam se aprofundar nesta área.

Com a nova Resolução 5/2025 do CFF, torna-se ainda mais relevante a busca por qualificação especializada, já que o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) passou a ser requisito para ampliação do escopo da prescrição farmacêutica.

Importância da Atuação Farmacêutica

  • O farmacêutico desempenha papel crucial na orientação, seleção e prescrição de fitoterápicos.
  • Sua atuação contribui para o uso racional e seguro desses produtos.
  • A prescrição farmacêutica de fitoterápicos pode reduzir a medicalização excessiva e promover tratamentos alternativos.

É fundamental que o farmacêutico conheça os limites de sua atuação, especialmente em relação aos fitoterápicos que requerem prescrição médica, seguindo as normativas da ANVISA e do Conselho Federal de Farmácia (Vide apêndice).


Cuidados na prescrição e uso de plantas medicinais e fitoterápicos

A prescrição farmacêutica de fitoterápicos deve considerar grupos especiais que requerem cuidados específicos:

Crianças menores de 2 anos

  • Necessitam doses diferenciadas
  • Possuem metabolismo hepático imaturo, o que pode afetar o processamento dos compostos

Gestantes e Lactantes

  • Há falta de estudos de segurança para muitos fitoterápicos
  • Existe risco de aborto com certas plantas medicinais
  • A transferência de compostos para o leite materno pode afetar o lactente

Idosos

  • Maior risco de interação entre fármacos convencionais e plantas medicinais
  • Podem apresentar fragilidade cognitiva que afeta a adesão
  • Alterações no metabolismo podem modificar a resposta terapêutica

Pessoas de qualquer idade em condições especiais

  • Em uso de anticoagulantes (muitas plantas têm efeitos sobre a coagulação)
  • Com doença renal (alteração na excreção)
  • Com doença hepática (comprometimento do metabolismo)


Revisado em 20/03/2025

Referências

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Instrução Normativa nº 5, de 11 de dezembro de 2008. Determina a publicação da "Lista de medicamentos fitoterápicos de registro simplificado". Diário Oficial da União, Brasília, DF, 12 dez. 2008.
BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 546, de 21 de julho de 2011. Dispõe sobre a indicação farmacêutica de plantas medicinais e fitoterápicos isentos de prescrição e o seu registro. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 21 jul. 2011.
BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 585, de 29 de agosto de 2013. Regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 25 set. 2013.
BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 586, de 29 de agosto de 2013. Regula a prescrição farmacêutica e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 set. 2013.
BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 5, de 20 de fevereiro de 2025. Atualiza as normas para prescrição farmacêutica e estabelece requisitos para prescrição de medicamentos tarjados. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 25 fev. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. A Fitoterapia no SUS e o Programa de Pesquisas de Plantas Medicinais da Central de Medicamentos. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/fitoterapia_no_sus.pdf. Acesso em: 20 Set. 2015.
BRASIL. Ministério da Saúde. Coordenação Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Relatório de Gestão: 2006/2010. Práticas Integrativas e Complementares no SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2011.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS: PNPIC-SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnpic.pdf. Acesso em 30 ago. 2015.
BRASIL. Ministério da Saúde. Práticas integrativas e complementares: plantas medicinais e fitoterapia na Atenção Básica. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 156 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica; n. 31).
CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO PIAUÍ. Uso de medicamentos fitoterápicos requer cuidados. Disponível em: https://crfpi.org/uso-de-medicamentos-fitoterapicos-requer-cuidados/. Acesso em: 18 mar. 2025.


APÊNDICE

Nome Popular (Nome Científico)

Indicação Principal

Prescrição Médica

Alcachofra (Cynara scolymus L.)

Colerético, colagogo

 

Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra L.)

Expectorante, coadjuvante no tratamento de úlceras gástricas e duodenais

 

Alho (Allium sativum L.)

Coadjuvante no tratamento de hiperlipidemia e hipertensão arterial leve

 

Arnica (Arnica montana L.)

Equimoses, hematomas e contusões

 

Babosa (Aloe vera (L.) Burm. f.)

Cicatrizante (uso tópico para queimaduras de 1º e 2º graus)

 

Boldo (Peumus boldus Molina)

Colagogo, colerético, dispepsias funcionais, distúrbios gastrointestinais espásticos

 

Calêndula (Calendula officinalis L.)

Cicatrizante, anti-inflamatório

 

Camomila (Matricaria recutita L.)

Antiespasmódico intestinal, dispepsias funcionais

 

Cáscara Sagrada (Rhamnus purshiana DC.)

Constipação ocasional

 

Castanha da Índia (Aesculus hippocastanum L.)

Fragilidade capilar, insuficiência venosa

 

Centela (Centella asiatica (L.) Urban)

Insuficiência venosa dos membros inferiores

 

Cimicífuga (Cimicifuga racemosa (L.) Nutt.)

Sintomas do climatério

Confrei (Symphytum officinale L.)

Cicatrizante, equimoses, hematomas e contusões

 

Equinácea (Echinacea purpurea Moench)

Preventivo e coadjuvante na terapia de resfriados e infecções do trato respiratório e urinário

Erva-doce (Pimpinella anisum L.)

Expectorante, antiespasmódico, carminativo, dispepsias funcionais

 

Espinheira-Santa (Maytenus ilicifolia Mart. ex Reiss.)

Dispepsias, coadjuvante no tratamento de gastrite e úlcera gastroduodenal

 

Eucalipto (Eucalyptus globulus Labill.)

Anti-séptico e antibacteriano das vias aéreas superiores, expectorante

 

Gengibre (Zingiber officinale Rosc.)

Profilaxia de náuseas causada por movimento (cinetose) e pós-cirúrgicas

 

Ginkgo (Ginkgo biloba L.)

Vertigens e zumbidos resultantes de distúrbios circulatórios, distúrbios circulatórios periféricos

Ginseng (Panax ginseng C. A. Mey.)

Estado de fadiga física e mental, adaptógeno

 

Guaco (Mikania glomerata Sprengl.)

Expectorante, broncodilatador

 

Guaraná (Paullinia cupana H.B.&K.)

Psicoestimulante/astenia

 

Hamamélis (Hamamelis virginiana L.)

Hemorróidas, equimoses

 

Hipérico (Hypericum perforatum L.)

Estados depressivos leves a moderados

Hortelã-pimenta (Mentha piperita L.)

Carminativo, antiespasmódico intestinal, expectorante

 

Kava-kava (Piper methysticum G. Forst.)

Ansiolítico/ansiedade e insônia

Maracujá (Passiflora incarnata L.)

Ansiolítico leve

 

Melissa (Melissa officinalis L.)

Carminativo, antiespasmódico, ansiolítico leve

 

Polígala (Polygala senega L.)

Bronquite crônica, faringite

 

Sabugueiro (Sambucus nigra L.)

Mucolítico/expectorante, tratamento sintomático de gripe e resfriado

 

Salgueiro branco (Salix alba L.)

Antitérmico, anti-inflamatório, analgésico

 

Saw palmetto (Serenoa repens (Bartram) J.K. Small)

Hiperplasia benigna de próstata e sintomas associados

Sene (Senna alexandrina Mill.)

Laxativo

 

Tanaceto (Tanacetum parthenium Sch. Bip.)

Profilaxia da enxaqueca

Uva-ursi (Arctostaphylos uva-ursi Spreng.)

Infecções do trato urinário

Valeriana (Valeriana officinalis L.)

Sedativo moderado, hipnótico e no tratamento de distúrbios do sono associados à ansiedade

Nota: A marca ✓ na coluna "Prescrição Médica" indica que o fitoterápico é de venda sob prescrição médica.

Março Azul-marinho – Câncer Colorretal

Março é o mês de conscientização ao câncer colorretal, conforme as cores da saúdeO câncer colorretal é o terceiro câncer mais comum no país. A escolha do mês foi devido ao Dia Nacional de Combate ao Câncer de Intestino, dia 27 de março.

O câncer de intestino ou colorretal abrange os tumores que se iniciam na parte do intestino grosso chamada cólon e no reto (final do intestino, imediatamente antes do ânus) e ânus. É tratável e tem possibilidade de cura ao ser detectado precocemente, enquanto não é metástase. Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos.

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Os pólipos são adenomas (lesões benignas), que crescem na parede do cólon e, quando associados a modos de vida não saudáveis e predisposição genética podem, com o passar do tempo, transformar-se em câncer. 


FATORES DE RISCO

  • Idade igual ou acima de 50 anos;
  • Fumar;
  • Consumir bebidas alcoólicas;
  • Ter sobrepeso ou obesidade;
  • Consumir alimentos com alta densidade energética (são aqueles que a cada 100g oferecem 225-275Kcal): ingestão excessiva de carne vermelha (acima de 500 gramas de carne cozida por semana);
  • Consumir carnes (quaisquer tipos, inclusive aves e peixes) preparadas na chapa ou na forma de fritura, grelhado ou churrasco;
  • Consumir de carnes processadas (salsicha, mortadela, linguiça, presunto, bacon, blanquet de peru, peito de peru e salame)
  • Consumir pouca quantidade de frutas, legumes, verduras e cereais integrais;
  • Ser sedentário;
  • Exposição ocupacional à radiação ionizante, como aos raios X e gama, pode aumentar o risco para câncer de cólon (Profissionais do ramo da radiologia devem estar mais atentos);
  • Histórico familiar de câncer de intestino;
  • História pessoal de câncer de intestino, ovário, útero ou mama;
  • Doenças inflamatórias do intestino (retocolite ulcerativa crônica e doença de Crohn);
  • Doenças hereditárias (polipose adenomatosa familiar (FAP) e câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC)).

Os sinais e sintomas mais frequentes são: sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal, dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, perda de peso sem causa aparente, alteração na forma das fezes (fezes muito finas e compridas), massa abdominal. Ao apresentar esses sintomas, procure um médico para melhor avaliação, pois outras doenças, como hemorroidas, verminose, úlcera gástrica, também podem apresentar esses sintomas.



TRATAMENTO

O tratamento é variável e depende da condição clínica do paciente. Pode ser feito cirurgias, radioterapias, tratamento farmacológico (quimioterapia). Os principais fármacos utilizados no tratamento do câncer colorretal são:

  • 5-fluorouracil (5-FU);
  • Capecitabina;
  • Irinotecano;
  • Oxaliplatina;
  • Trifluridina e tipiracil.


PREVENÇÃO

  • Manutenção do peso corporal adequado;
  • Prática de atividade física;
  • Alimentação saudável (alimentos in natura e minimamente processados).
  • Não fumar.

REFERÊNCIAS:

  • https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-intestino
  • http://www.oncoguia.org.br/conteudo/quimioterapia-para-cancer-colorretal/3229/180/

Residência Farmacêutica

A Residência é caracterizada como ensino de pós-graduação lato sensu, focada na educação em serviço e é desenvolvida em regime de dedicação exclusiva, com duração de 24 meses e carga horária de 5.760 horas. 

O Residente do primeiro ano (R1) deverá ter acompanhamento direto do preceptor. No caso do residente do segundo ano (R2) a preceptoria pode ser realizada de forma indireta.


  1. A primeira experiência de Residência Multiprofissional em Saúde (RMS) aconteceu em 1976, na Escola de Saúde Pública do Rio Grande do Sul (ESP/RS), vinculada à Secretaria Estadual de Saúde e desenvolvida no Centro de Saúde Escola Murialdo, na cidade de Porto Alegre. A então nova modalidade de formação em saúde era desenvolvida na atenção básica, chamava-se Residência Integrada em Saúde Coletiva e contemplava a formação integrada de assistentes sociais, enfermeiros, médicos e médicos veterinários;
  2. A residência médica foi instituída pelo decreto n° 80.281 de 05/09/77;
  3. primeiro curso de Residência em Farmácia Hospitalar foi na Faculdade de Farmácia da UFF (Universidade Federal Fluminense) em 1997, em convênio com hospitais da rede pública (Hoje conta com convênio com a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e o Ministério da Saúde);
  4. No dia 30 de junho de 2005, o Congresso Nacional aprovou a Medida Provisória número 238, de dois de fevereiro de 2005, que criou a Residência na área da Saúde, em nível superior, inclusive para farmacêuticos. A Lei, que ganhou o número 11.129/2005, estabelece que o programa de Residência é de responsabilidade conjunta dos ministérios da Educação e da Saúde e é regulamentada pela Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS), do MEC. A Lei abrange todas as profissões do setor, com exceção da médica. Tais programas abrangem: Biomedicina, Ciências Biológicas, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional; 
  5. No dia 1 de março, entrou em vigor o Decreto-Lei n.º 6/2020, que define o regime jurídico para a atribuição do título de especialista nas “carreiras farmacêutica e especial farmacêutica”.

    • O presente decreto-lei define o regime jurídico da residência farmacêutica, tendo em vista a obtenção do título de especialista na correspondente área de exercício profissional. 
    • Para efeitos de aplicação do regime jurídico previsto no presente decreto-lei, consideram-se as seguintes áreas de exercício profissional, a que correspondem formas de exercício adequadas à natureza da atividade desenvolvida: Análises clínicas; Farmácia hospitalar; Genética humana.

Fevereiro Roxo

A Campanha Fevereiro Roxo surgiu na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais, em 2014. E, ainda que não exista um calendário oficial de conscientização, geralmente o trabalho é feito por organizações não governamentais (ONGs). 

Alzheimer, lúpus e fibromialgia são tema da campanha Fevereiro Roxo. A criação da data foi para conscientizar a população sobre essas patologias. Apesar de, aparentemente, não apresentarem pontos semelhantes, ambas têm algo em comum (além de integrarem a Campanha Fevereiro roxo), as três não têm cura conhecida pela medicina até o presente momento.

E por isso visa mostrar que o diagnóstico precoce ajuda a manter a qualidade de vida. O lema da Campanha é “Se não houver cura que, no mínimo, haja conforto”. Ou seja, apesar de se tratarem de doenças incuráveis, não significa que o portador não possa ter qualidade de vida.


Alzheimer

O Alzheimer é uma doença descoberta em 1906. Ela geralmente se manifesta a partir dos 60 anos de idade e provoca perda da memória, da capacidade cognitiva e demência.
Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que se manifesta apresentando deterioração cognitiva e da memória de curto prazo e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais que se agravam ao longo do tempo.
Cerca de 10% das pessoas com mais de 65 anos e 25% com mais de 85 anos podem apresentar algum sintoma dessa enfermidade e são inúmeros os casos que evoluem para demência. Feito o diagnóstico, o tempo médio de sobrevida varia de oito a 10 anos.
A doença de Alzheimer (Alois Alzheimer, neurologista alemão que primeiro descreveu essa patologia) provoca progressiva e inexorável deterioração das funções cerebrais, como perda de memória, da linguagem, da razão e da habilidade de cuidar de si próprio.
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Cérebro normal e cérebro com doença de Alzheimer avançada
  • Estágio I (forma inicial) – alterações na memória, personalidade e habilidades espaciais e visuais;
  • Estágio II (forma moderada) – dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos; agitação e insônia;
  • Estágio III ( forma grave) – resistência à execução de tarefas diárias, incontinência urinária e fecal, dificuldade para comer, deficiência motora progressiva;
  • Estágio IV (terminal) – restrição ao leito, mutismo, dor à deglutição, infecções intercorrentes.
No Sistema Único de Saúde (SUS) é oferecido acompanhamento e tratamento para portadores do Alzheimer, incluindo a entrega de medicamentos. Dessa forma o paciente deve procurar uma unidade básica de saúde (UBS) diante de suspeita da doença ou qualquer anormalidade que tenha relação ao esquecimento. A partir daí, se for o caso, ele será encaminhado ao especialista.
Assim, para prevenir o desenvolvimento da demência é necessário adotar hábitos de vida saudáveis. Tudo isso deve ser feito ao longo da vida. Entre eles, manter o controle de doenças prévias como a hipertensão, diabetes e obesidade. Estimular ações de combate ao sedentarismo, com a prática de atividade física regular. Evitar o tabagismo também é fundamental nestes casos. Ademais, é preciso ainda praticar atividades que estimulem a memória, como leitura e realização de novas tarefas.

Lúpus

O lúpus ocorre quando o próprio sistema imunológico ataca tecidos saudáveis do corpo por engano. 
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES ou apenas lúpus) é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, cujos sintomas podem surgir em diversos órgãos de forma lenta e progressiva (em meses) ou mais rapidamente (em semanas) e variam com fases de atividade e de remissão. O lúpus ocorre quando o próprio sistema imunológico ataca tecidos saudáveis do corpo por engano

São reconhecidos dois tipos principais de lúpus: o cutâneo, que se manifesta apenas com manchas na pele (geralmente avermelhadas ou eritematosas e daí o nome lúpus eritematoso), principalmente nas áreas que ficam expostas à luz solar (rosto, orelhas, colo (“V” do decote) e nos braços) e o sistêmico, no qual um ou mais órgãos internos são acometidos. 

Por ser uma doença do sistema imunológico, que é responsável pela produção de anticorpos e organização dos mecanismos de inflamação em todos os órgãos, quando a pessoa tem LES ela pode ter diferentes tipos sintomas e vários locais do corpo. Alguns sintomas são gerais como a febre, emagrecimento, perda de apetite, fraqueza e desânimo. Outros, específicos de cada órgão como dor nas juntas, manchas na pele, inflamação da pleura, hipertensão e/ou problemas nos rins.

Embora a causa do LES não seja conhecida, sabe-se que fatores genéticos, hormonais e ambientais participam de seu desenvolvimento. Portanto, pessoas que nascem com susceptibilidade genética para desenvolver a doença, em algum momento, após uma interação com fatores ambientais (irradiação solar, infecções virais ou por outros micro-organismos), passam a apresentar alterações imunológicas. A principal delas é o desequilíbrio na produção de anticorpos que reagem com proteínas do próprio organismo e causam inflamação em diversos órgãos como na pele, mucosas, pleura e pulmões, articulações, rins etc.). Dessa forma, entendemos que o tipo de sintoma que a pessoa desenvolve, depende do tipo de autoanticorpo que a pessoa tem e, que como o desenvolvimento de cada anticorpo se relaciona às características genéticas de cada pessoa, cada pessoa com lúpus tende a ter manifestações clínicas (sintomas) específicas e muito pessoais.. Pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e sexo, principalmente, entre 20 e 45 anos. Se não houver tratamento adequado, especialmente, em casos mais graves, o indivíduo afetado pode morrer


Fibromialgia

A fibromialgia (FM) é uma condição que se caracteriza por dor muscular generalizada, crônica (dura mais que três meses), mas que não apresenta evidência de inflamação nos locais de dor. Ela é acompanhada de sintomas típicos, como sono não reparador (sono que não restaura a pessoa) e cansaço. Pode haver também distúrbios do humor como ansiedade e depressão, e muitos pacientes queixam-se de alterações da concentração e de memória.
Uma doença reumatológica que acomete por volta de 3% da população brasileira, em sua maioria mulheres adultas. 
Ainda não entende muito bem como a doença sem tratamento opera dentro do corpo humano. Sabe-se que pode evoluir para a incapacidade física e a limitação funcional, complicações impactantes na qualidade de vida.
O uso de medicamentos, práticas terapêuticas (como fisioterapia e acupuntura) e acompanhamento garantido de médicos das UBSs garante um tratamento adequado e possibilita melhora na qualidade de vida do paciente.


Fontes:


Controle de Estoque na Assistência Farmacêutica: Uma Gestão Estratégica

O controle de estoque é como a espinha dorsal da Assistência Farmacêutica – sem ele, todo o organismo pode colapsar. Mais que uma simples contagem de produtos, representa a garantia de que o medicamento certo estará disponível no momento certo, para o paciente certo.

 

Sinais de alerta na gestão de estoque

  • Reconhecer os sintomas de um controle de estoque debilitado é o primeiro passo para uma intervenção eficaz. Como um bom diagnóstico clínico, identificar estes sinais precocemente pode evitar complicações maiores:
  • Oscilações frequentes entre excessos e faltas de medicamentos
  • Espaço físico subutilizado ou sobrecarregado
  • Monitoramento insuficiente de itens de alto custo
  • Condições inadequadas de armazenamento comprometendo a estabilidade dos produtos
  • Ausência de inventários periódicos para reconciliação
  • Movimentações não registradas criando "fantasmas" no estoque
  • Conferências superficiais na entrada de mercadorias
  • Planejamento baseado em impressões, não em dados
  • Vulnerabilidades que facilitam desvios

 

Metodologias que transformam a gestão

Assim como na farmacoterapia, onde selecionamos o tratamento ideal para cada condição, na gestão de estoque precisamos escolher as metodologias mais adequadas à nossa realidade:

PEPS: A Arte de Renovar sem Desperdiçar. Como um fluxo constante que impede a estagnação, o PEPS garante que nenhum medicamento permaneça tanto tempo que chegue à expiração. Uma dança sincronizada onde quem chega primeiro, sai primeiro.

Just in Time: Precisão e Economia. Em tempos de recursos escassos, manter apenas o necessário é sabedoria. Como uma prescrição personalizada, este método fornece exatamente o que se precisa, quando se precisa.

Curva ABC: Priorização Inteligente. Nem todos os medicamentos exigem o mesmo nível de atenção. A Curva ABC nos ensina a direcionar nosso foco como um farmacêutico clínico que prioriza intervenções em pacientes críticos.

Estoques de Segurança: O Equilíbrio Necessário. Como uma reserva estratégica que nos protege das incertezas, os níveis mínimos e máximos estabelecem limites seguros de operação.

Ciclo PDCA: Evolução Contínua. A assistência farmacêutica está em constante evolução, e assim deve ser nossa gestão. O PDCA incorpora essa dinâmica ao nosso dia a dia, permitindo aprimoramento contínuo.

 

FERRAMENTAS NA PRÁTICA DIÁRIA

As ferramentas disponíveis para o controle de estoque são como os instrumentos em nossa bancada:

Sistemas informatizados oferecem a precisão de um analisador automático, enquanto controles manuais, quando bem executados, podem ser tão confiáveis quanto uma titulação cuidadosa. A escolha depende do contexto, recursos e complexidade da operação.

 

Resultados de uma gestão eficiente

  • Um controle de estoque bem implementado gera frutos que vão além da organização aparente:
  • Otimiza recursos como um planejamento terapêutico bem desenhado
  • Elimina desperdícios, direcionando recursos para onde realmente importam
  • Garante disponibilidade, essencial para a continuidade do cuidado
  • Permite decisões baseadas em dados, não em intuição
  • Protege recursos públicos ou privados, essenciais para a sustentabilidade do serviço

 

Monitoramento contínuo: a chave do sucesso

Assim como monitoramos parâmetros clínicos em nossos pacientes, devemos acompanhar regularmente:

  • Padrões de consumo e suas variações sazonais
  • Níveis de estoque em relação aos parâmetros estabelecidos
  • Demandas não atendidas, que sinalizam necessidades de ajuste
  • Mudanças em protocolos clínicos que possam impactar o consumo

 

Um bom controle de estoque não é destino, mas jornada – um processo de melhoria contínua que se adapta às mudanças do cenário sanitário, às novas tecnologias e às necessidades da população assistida.

Ao dominar essa dimensão da assistência farmacêutica, transcendemos o papel de meros dispensadores para nos tornarmos verdadeiros gestores do cuidado, assegurando que o ciclo assistencial se complete com eficiência e qualidade.


Revisado em 19/03/2025


Referências Bibliográficas

  • BLATT, C. R.; CAMPOS, C. M. T.; BECKER, I. Gestão da Assistência Farmacêutica. Florianópolis: ARES – UNA-SUS, 2022. Disponível em: https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/3524/1/E2_Mod4_Un1_final.pdf. Acesso em: 19 mar. 2025.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Assistência Farmacêutica na Atenção Básica: Instruções Técnicas para sua Organização. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para estruturação de farmácias no âmbito do Sistema Único de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
  • COSTA, S. P. et al. Análise da Curva ABC no controle de estoque da Assistência Farmacêutica. Revista Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde, v. 11, n. 2, p. 0389, 2020.
  • LIMA, R. S. et al. Gestão de estoque e o método Curva ABC: estudo em uma farmácia do Sistema Único de Saúde. Revista Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde, v. 10, n. 4, p. 416, 2019.
  • MARIN, N. et al. Assistência Farmacêutica para Gerentes Municipais. Rio de Janeiro: OPAS/OMS, 2003.
  • RENOVATO, R. Curva ABC, PEPS, ERP: Qual a melhor estratégia para sua empresa? Voit Consultoria, 12 fev. 2025. Disponível em: https://voitconsultoria.com.br/curva-abc-peps-erp-qual-a-melhor-estrategia/. Acesso em: 19 mar. 2025.
  • RODRIGUES, D. A. et al. Análise dos métodos de controle de estoque utilizados nas farmácias hospitalares no Brasil. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 5, p. 28789-28806, 2020.
  • SÃO PAULO. Assistência Farmacêutica Municipal: Diretrizes para Estruturação e Processos de Organização. 2. ed. São Paulo: Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, 2010.

Janeiro Branco

Pelas Cores da saúde (adodada pelo Ministério da Saúde), o Janeiro Branco é uma campanha de conscientização do cuidado com a saúde mental, marcando o primeiro mês do ano. A iniciativa foi criada em 2014, por um grupo de psicólogos de Uberlândia, Minas Gerais. 
De acordo com a Constituição da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicada em 1946, a saúde é “um estado de completo bem-estar físico, mental social, e não apenas a ausência de doença ou de enfermidade”.
O início de um novo ano pode gerar ou aumentar a ansiedade, seja pela frustração de não ter cumprido metas do ano anterior ou pelo anseio por mudanças. O Janeiro Branco alerta para a importância de começar esse novo ciclo de forma mais saudável e tranquila.
O Hospital Santa Mônica ponderou algumas práticas que podem contribuir para melhorar a qualidade de vida e promover a saúde mental:
  • Afaste-se de situações que gerem emoções negativas;
  • Separe um tempo para curtir a vida e aproveitar o que ela oferece de melhor;
  • Valorize a convivência social e viva intensamente os bons momentos em família;
  • Pratique atividade física, tenha uma dieta saudável e cuide da qualidade do sono;
  • Mesmo durante o período de quarentena, não se esqueça de dar atenção aos amigos e aos familiares.
Ter saúde mental é estar bem consigo mesmo e com as outras pessoas, aceitar as exigências da vida, saber lidar com as emoções que fazem parte dela e entender seus limites pessoais, para saber quando é necessário buscar ajuda. A falta de atenção a saúde mental pode influenciar no aparecimento de males físicos e psicológicos, como a depressão, a ansiedade, o transtorno obsessivo-compulsivo, fobias, estresse pós-traumático, ataques de pânico, entre outros.

Cuide-se!