Fiocruz, Butantan e Funed: produzindo a vacina Heptavalente



O Governo de Minas, por meio da Fundação Ezequiel Dias (Funed), assinou dia 18 de janeiro, em Brasília, acordo com Ministério da Saúde para produção da nova vacina, a heptavalente. 
“As vacinas combinadas possuem vários benefícios, entre eles o fato de reunir, em apenas uma injeção, vários componentes imunobiológicos” (ministro da Saúde, Alexandre Padilha).

A pentavalente – difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite B, foi desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, e pelo Instituto Butantan, de São Paulo.

Já a heptavalente será produzida a partir de uma combinação de vacinas já existentes, desenvolvida em conjunto pelos laboratórios Funed, Instituto Butantan e Fiocruz/Bio-manguinhos, num período máximo de cinco anos:
  • A tríplice bacteriana (DTP), contra difteria, tétano e coqueluche, e a HepB, contra hepatite B, são de responsabilidade do Butantan. 
  • A vacina da poliomielite inativada (IPV) e a Hib, contra a influenza tipo B, são da Fiocruz. 
  • Por sua vez, o componente relativo à vacina MenC, contra a meningite C, será produzido e fornecido pela Funed, cuja sede está em Belo Horizonte.
A tecnologia envolvida é resultado de um acordo de transferência entre o Ministério da Saúde, por meio da Fiocruz, e o laboratório Sanofi.

Homero Jackson de Jesus Lopes, chefe de gabinete da Funed e membro do comitê gestor da vacina, explica que o acordo é uma proposta das secretarias de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) e de Vigilância em Saúde (SVS) do ministério e tem vigência de cinco anos. “A previsão é de que até 2017 a heptavalente passe a fazer parte do calendário de vacinação brasileiro, sendo distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na reunião em Brasília será proposto o plano de trabalho com prazos e responsabilidades para cada um dos laboratórios envolvidos. Trata-se de algo demorado por envolver muita tecnologia e conhecimento que precisa ser internalizado nos institutos”, acrescenta Homero.

A partir da assinatura do acordo, em até um mês será criado um comitê técnico-científico para o desenvolvimento das etapas de trabalho, envolvendo representantes dos três laboratórios. Cada um deles deve fornecer gratuitamente as quantidades necessárias dos componentes da vacina heptavalente, além de toda documentação técnica disponível para formular, envasar e realizar os testes de controle necessários ao processo.

Segundo Lopes, as doenças escolhidas para serem imunizadas nessa vacina inédita estão entre as mais prevalentes no país e foram definidas pelo Ministério da Saúde. Tanto a heptavalente quanto a pentavalente atendem o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que faz parte da Política Nacional de Desenvolvimento de Fármacos do ministério. Por meio dessa política, são incentivados o desenvolvimento e a produção dos medicamentos estratégicos de alto custo pelos laboratórios oficiais e também a parceria entre laboratórios privados e públicos para a nacionalização da produção de drogas, por meio de transferência de tecnologia.

RESPOSTA IMUNOLÓGICA

Para o virologista Paulo Miche Roehe, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, além das vantagens logísticas e econômicas, as vacinas combinadas são mais confortáveis para quem as recebe e significam menos inoculações, ou seja, menos introdução de vírus no corpo humano para fins de imunização.

De acordo com o especialista, não há problema em inocular vários antígenos – que provocam uma resposta imunológica com formação de anticorpos – em uma só vacina, desde que os imunológicos sejam administrados em quantidade adequada. “Nosso organismo é capaz de lidar com diferentes antígenos, especialmente pelo fato de cada um ser reconhecido por linfócitos distintos”, explica. Os linfócitos são um tipo de glóbulo branco do sangue que produzem anticorpos para combater organismos estranhos e defendem o corpo de possíveis doenças.

Em relação à escolha das enfermidades a serem imunizadas com a vacina heptavalente, Roehe acredita se tratar de uma combinação útil e interessante sob o ponto de vista da saúde pública: “Apesar de a poliomielite já estar em erradicação no país, são doenças importantes para a imunização de jovens.”

Fonte: 

  • http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2012/01/18/interna_gerais,272943/minas-vai-ajudar-a-fabricar-vacina-que-ataca-sete-doencas-em-uma-so-dose.shtml
  • http://redacaonews.com.br/redacao/portal1/index.php?option=com_content&view=article&id=6370:mg-produzira-vacina-heptavalente&catid=138:saude&Itemid=518