Métodos extrativos para essências

O  conhecimento  do  poder  de  plantas  aromáticas  é  milenar.  A  maioria  das civilizações antigas utilizavam diversas partes das  plantas com finalidades religiosas, medicinais  e cosméticas,  embora somente  nos  últimos anos  tenha  surgido  um interesse maior, através, principalmente, de farmácias de manipulação, e que hoje se  estende  às  indústrias alimentícia,  farmacológica,  orgânica  fina  e biotecnológica.
Capa
O  termo  Aromaterapia  foi  empregado  pelo  engenheiro químico francês  René-Maurice Gattefossé  na década de 20. Acredita-se que, após uma explosão em seu laboratório, Gattefossé teve  queimaduras nas  mãos e tratou-as com  essência  de alfazema (após o tratamento médico da época falhar) percebendo, com isso,  uma rapidez  na convalescença  das queimaduras.  Esse acontecimento levou Gattefossé  a investigar o uso de óleos essenciais, publicando um livro intitulado Aromathérapie, originando desta maneira a palavra que vem sendo usada deste então, sendo ele considerado, até hoje, o “pai” da aromaterapia.

Essências

Resultado de imagem para oleos essenciaisDevido  às  características  aromáticas (odor e sabor), baixo peso molecular e alta volatilidade, utilizam-se  diversas denominações  para essas substâncias  tais como  óleos voláteis,  óleos etéreos, essências e, principalmente, óleos essenciais.
As  diversas  espécies  de  plantas  acumulam elementos  voláteis  em  regiões anatômicas específicas. Estão localizadas na superfície da epiderme ou em células especializadas denominadas oleofílicas. Do ponto de vista de exploração da biodiversidade vegetal, quando esta região representa um substrato renovável (ex: resina, folha, flor, fruto, semente), é possível extrair-se a essência sem eliminar a planta. Isso a torna uma fonte  de  óleo essencial ecologicamente  correta.  No  entanto,  a  grande  parte  dos óleos essenciais mundialmente comercializados são atualmente oriundos de cultivos racionalizados  e, sempre  que possível,  estabilizados  genética  e  climaticamente,  o que garante a reprodutibilidade do perfil químico do produto.


As essências são classificadas em:

  • Natural: quando é extraída diretamente da espécie vegetal sem sofrer modificações químicas e/ou físicas. Têm um alto custo e alto valor comercial.
  • Sintéticas: Completamente sintetizadas no laboratório. Com baixo custo e baixo valor comercial.
  • Artificial: entre o natural e o sintético. É quando se usa a essência natural e encrementa com ela mesma sintetizada.

A consistência das essências pode ser:

  • Fluida: extremamente volátil a temperatura ambiente.
  • Bálsamo: menos volátil e mais consistente que a fluida, sendo propensa a sofrer reações de polimerização.
  • Óleo resina: apresenta o aroma mais característico da espécie vegetal, podendo ser semi-sólidas. Ex: gengibre.



Os  óleos  essenciais  possuem  vários  constituintes,  dentre  eles  tem-se hidrocarbonetos terpênicos, alcoóis simples e terpênicos, aldeídos, cetonas, fenóis, ésteres, éteres, óxidos, peróxidos, furanos, ácidos orgânicos, lactonas, cumarinas e compostos com enxofre. Normalmente, numa mistura, um dos compostos apresenta maior  concentração,  outros
compostos  apresentam  menores  teores  e  alguns em quantidades muito pequenas, chamados traços. 
O perfil terpênico apresenta normalmente substâncias  constituídas  de  moléculas  de  10  e de  15 carbonos  (monoterpenos  e sesquiterpenos), mas,  dependendo  do  método  de extração e da composição da planta, terpenos menos  voláteis podem aparecer na composição  do  óleo  essencial (assim  como  podem  se  perder os  elementos  mais leves).

Na  atualidade,  é  crescente  o  mercado  de  óleos  essenciais,  corantes, nutracêuticos,
alimentos funcionais,  fitoterápicos  e  outros  produtos  derivados  de vegetais.  Pesquisas
mostram  o  grande número  de  aplicações  possíveis  de substâncias  produzidas  pelo
metabolismo  de  plantas  nativas de  regiões  tropicais. Este mercado de óleos essenciais  é próspero para países que dispõem de uma vasta biodiversidade, como o Brasil, e que possuem condições de agregar  valor  às  suas  matérias-primas,  ou  seja,  transformando-as  em  produtos beneficiados.

Processos de Extração 

Os óleos essenciais podem ser extraídos em quantidade suficiente para serem utilizados  em sínteses químicas  ou  como  novos  materiais,  para  uso  científico  ou comercial. Utilizam-se diferentes métodos de extração  para isolar  óleos  essenciais  de  plantas  aromáticas, tais como:

  • Hidrodestilação
  • Destilação  a  vapor
  • Extração  por  solventes  orgânicos
  • Extração  com  fluido supercrítico
  • Enfleuragem
  • Prensagem
  • Turbodestilação.

O  termo  hidrodestilação  pode  ser  empregado  para  diferentes  métodos: hidrodestilação com água, hidrodestilação com água  e vapor e hidrodestilação por vapor. Atualmente estes termos foram substituídos por hidrodestilação, no caso de utilização  de  água,  e  arraste  a vapor  para  extrações utilizando  água  e  vapor  ou apenas vapor. 
Os  métodos  comumente  utilizados  para  isolar  os  óleos  essenciais  são  a destilação  a vapor  e  a extração  com  solventes;  porém,  a  extração  com  fluidos supercríticos também tem  sido empregada  por  algumas indústrias  do  ramo. 
Independente do método de extração utilizado, o conteúdo de óleo essencial extraído é muito baixo quantitativamente, inferior  a 1% em alguns casos; havendo exceções, como no caso de botões florais de cravo,  onde podem ser encontrados rendimentos de até 15%.

BIBLIOGRAFIA


  • http://www.conhecer.org.br/enciclop/2012b/ciencias%20exatas%20e%20da%20terra/levantamento%20e%20analise.pdf


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